| PIB e mercado
interno
Crescimento
do mercado interno. Para Júlio Gomes
de Almeida, diretor geral do Instituto de
Estudos para o Desenvolvimento Industrial
(Iedi) e professor de Economia da Unicamp,
esse é o principal fator de crescimento
de 5,7% do Produto Interno Bruto (PIB) no
segundo trimestre de 2004, comparado ao
mesmo período de 2003. Almeida explica
que 55% do crescimento do PIB, nos primeiros
três meses do ano, foi produto das
vendas para o mercado externo, enquanto
que os 85% do atual crescimento decorrem
da recuperação do mercado
interno. Só o setor de serviços
cresceu 4,4%. Ele engloba atividades do
comércio, transportes e serviços
financeiros do mercado doméstico.
A taxa superou as expectativas e é
a maior registrada pelo Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE)
desde o terceiro trimestre de 1996, quanto
atingiu 6,3%. Diante da expectativa de elevação
da taxa Selic, Almeida diz que o que deveria
mudar é o sistema de metas de inflação,
que precisaria ser mais flexível
para absorver crescimentos como o atual.
Para ele, somente se os preços ameaçarem
superar 10%, o governo deveria pensar no
custo/benefício de um aumento da
taxa de juros. "As exportações
nos tiraram do atoleiro. Temos que preservar
o crescimento interno baixando a taxa de
longo prazo (TJLP) e impostos sobre os bens
de capital, para a retomada dos investimentos".
(Mais
notas)
BNDES
apóia conglomerados
O Brasil
pode adotar os modelos japonês (Keiretsu
e Zaibatsu) e coreano (Chaebol) de formar
grandes conglomerados nacionais para competir
em escala mundial, informou o jornal Valor
Econômico do dia 27 de agosto.
Segundo Marcio Henrique Monteiro de Castro,
diretor financeiro do Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES), a idéia é montar
operações cruzadas no mercado
de capitais para interligar redes de fornecedores
com grandes empresas. O banco teria participação
societária nesses conglomerados e
atuaria como elo entre as grandes e pequenas
empresas. No futuro, parte do capital desses
conglomerados seria pulverizada na bolsa
— daí o nome da iniciativa,
mercado de capitais industrializantes —
para evitar a formação de
monopólios. 'Ou o Brasil entra nessa
onda (de concentração econômica)
também ou vai ser uma brincadeira.
Vamos ser uma economia de pequenas empresas
num mundo de gigantes', disse ele ao jornal.
O BNDES estuda a criação de
conglomerados entre empresas do setor de
carnes vermelhas. A Embraer é outra
futura candidata. O professor da Universidade
Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Carlos
Frederico Rocha, especialista em política
industrial, disse ao Valor que a
idéia é viável, mas
terá efeitos no longo prazo. Apesar
de achar positivo por conta da geração
de emprego nas pequenas e médias
empresas e por viabilizar uma política
industrial com pouca intervenção
direta do Estado, o especialista ressaltou
que o País carece de escala e esse
tipo de política não estimula
a competitividade. Arilton Teixeira, economista
e professor do Instituto Brasileiro de Mercado
de Capitais (Ibmec) discordou totalmente
da medida, considerando-a um retrocesso.
'Se é para copiar modelos, então
por que não copiar o americano, que
é o vencedor', questiona. Para ele,
a nacionalização não
gerará empregos para a classe baixa,
e sim para as classes média e alta.
Teixeira defende que o Brasil pense em produtividade
e competitividade, não em subsídios
para a indústria nacional.
(Mais
notas)
INPI:
Casa Civil confirma Jaguaribe; vice presidente
será Jorge Ávila
Anunciada
há dois meses, a nomeação
de Roberto Jaguaribe para o cargo de presidente
do Instituto Nacional da Propriedade Industrial
(INPI) foi confirmada e publicada no Diário
Oficial da União no dia 27 de agosto.
O Ministério do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior
(MDIC) levou um ano e meio para definir
quem seria o presidente do Instituto e escolheu
uma pessoa que já tem cargo no governo
— Jaguaribe é secretário
de Tecnologia Industrial do MDIC. Por isso,
ele assumirá o cargo apenas interinamente
e acumulará as duas posições,
apesar do ministério ser em Brasília
e o INPI ser no Rio de Janeiro. Otávio
Beaklini, que era diretor de patentes no
INPI, estava ocupando a presidência
do Instituto também de modo interino
desde o início do atual governo.
Segundo o jornal Valor Econômico
do dia 30 de agosto, a nomeação
de Jaguaribe causou estranhamento entre
os empresários e eles apostaram que
a presidência será exercida,
de fato, pelo vice-presidente nomeado agora,
Jorge Ávila. Este último já
foi diretor da Financiadora de Estudos e
Projetos (Finep) no governo anterior. Também
foram nomeados o diretor de Contratos Tecnologias
e outros Registros do INPI, Breno Bello
de Almeida Neves, e a diretora de Articulação
e Informação Tecnológica
do Instituto, Maria Beatriz Amorim Páscoa.
(Mais
notas)
Eleições
na Fiesp: Skaf assume em 27 de setembro
Fortalecer
as articulações políticas
da instituição e adotar uma
postura pragmática para eliminar
os gargalos do crescimento industrial. Essas
são as prioridades da Federação
das Indústrias do Estado de São
Paulo (Fiesp) a partir de 27 de setembro,
quando assume o novo presidente Paulo Skaf.
O empresário do setor têxtil
foi eleito em 25 de agosto para a presidência
da Fiesp. Criada em 1942, congrega 129 sindicatos
e é a principal representante da
indústria paulista. Concorrente de
Skaf nas eleições da federação,
Cláudio Vaz vai presidir o Centro
das Indústrias do Estado de São
Paulo (Ciesp). Fundada em 1928, a entidade
tem cerca de 7.600 empresas associadas.
Depois de uma acirrada disputa, os resultados
foram contestados pelos dois empresários.
De um lado, os partidários de Cláudio
Vaz cogitam uma entidade paralela, apelidada
"Fiesp do B". De outro lado, Paulo
Skaf pediu confirmação dos
resultados no Ciesp, um dia após
as eleições. Seria apenas
para tirar 'dúvida quanto ao credenciamento
dos eleitores', disse o vice-presidente
da República e aliado de Skaf, José
Alencar, ao jornal O Estado de S. Paulo.
A comissão eleitoral ratificou o
resultado na segunda-feira, dia 30 de agosto.
(Mais
notas)
GlaxoSmithkline
e Estado de Nova Iorque fazem acordo
O Estado
de Nova Iorque e a multinacional farmacêutica
GlaxoSmithKline assinaram acordo no dia
26 de agosto que põe fim à
ação
proposta pelo procurador do Estado,
Eliot Sptizer. O procurador acusou a empresa
de fraude, por não ter divulgado
os resultados de todos os testes clínicos
sobre efeitos do antidepressivo Paxil (paroxetina)
em crianças e adolescentes. Pelo
acordo, a companhia (que afirmou considerar
as acusações do procurador
infundadas) pagará US$ 2,5 milhões
ao Estado, e se compromete a divulgar um
registro de todos os ensaios clínicos
envolvendo medicamentos de sua fabricação
através da Internet. Leia
o press release da companhia.
O procurador Sptizer comemorou o acordo,
afirmando que o restante da indústria
deverá seguir a GlaxoSmithKline,
"fornecendo a médicos e pacientes
os dados necessários para a formação
de julgamentos bem informados".
(Mais
notas)
MG
e RS querem atrair fábrica de semicondutores
A Smart
Technologies, empresa norte-americana que
anunciou
o investimento de US$ 30 milhões
em uma fábrica de semicondutores
no Brasil, foi procurada pelos governos
de Minas Gerais e Rio Grande do Sul, interessados
em atrair a companhia para seus Estados.
Por enquanto, a empresa está apenas
conversando com ambos, disse o presidente
da companhia, Noboru Takahashi, para o boletim
eletrônico TI & Governo
do dia 24 de agosto. A atração
de uma companhia de semicondutores faz parte
da política industrial do governo
brasileiro. Hoje, a empresa fabrica em Guarulhos,
numa unidade que era da NEC do Brasil, módulos
de memória para computadores. Presente
no Brasil desde 2002, a Smart quer agora
produzir circuito integrado para microcomputadores
e telefones celulares e transformar o Brasil
em uma plataforma exportadora dos seus produtos.
A empresa tem fábricas também
na Malásia, Porto Rico, República
Dominicana, Estados Unidos, Índia
e Reino Unido. Seu faturamento global é
de US$ 1,3 bilhão. A companhia está
investindo US$ 1 milhão no Brasil
na atualização de seus equipamentos,
para substituir os atuais módulos
que fabrica por uma nova geração
mais veloz.
Primeira
célula a combustível em operação
no Brasil...
O ministro
da Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos,
foi incumbido de acionar a primeira célula
a combustível desenvolvida no Brasil,
em evento no dia 30 de agosto no Instituto
de Pesquisas Tecnológicas e Nucleares
(Ipen), em São Paulo. Trata-se de
um gerador diferenciado que converte energia
química em energia elétrica
pela combinação de átomos
de hidrogênio e oxigênio, produzindo
água como resíduo, ou seja,
uma fonte de energia não poluente
e renovável. Foi desenvolvido pela
Electrocell, empresa que integra desde 2001
o Centro Incubador de Empresas Tecnológicas
(Cietec), localizado no Ipen, no campus
da Universidade de São Paulo (USP)
na capital paulista. O equipamento abastece
de energia o próprio Cietec, que
tem 99 empresas incubadas. O desenvolvimento
da célula foi feito em parceria com
a AES Eletropaulo e custou R$ 1,75 milhão.
Fapesp, Finep, CNPq, e os fundos setoriais
de petróleo e energia foram outras
fontes financiadoras do projeto. Quando
começar a operar com 100% da sua
capacidade, poderá chegar a 50 kW,
suficiente para abastecer 350 geladeiras.
"O custo de US$ 1.240 por mW instalado
é elevado, mas calculamos que em
um prazo de dois a cinco anos teremos reduzido
para um nível ideal, em torno de
US$ 300 a US$ 500", explicou Cyro Vicente
Boccuzzi, vice-presidente técnico
da Eletropaulo. Os próximos desafios
da Electrocell serão reduzir o tamanho
do equipamento, aumentar sua capacidade
de geração de energia e diversificar
o combustível, passando de hidrogênio
para gás natural ou etanol. Por ter
participado do desenvolvimento, a Eletropaulo
tem direto a uma parte dos royalties
quando a Eletrectocell começar a
fabricar as células em escala industrial.
"A tecnologia desenvolvida aqui é
nacional, 80% dos equipamentos usados foram
feitos no Brasil", destacou o ministro
Campos. Ele acrescentou que a iniciativa
da Electrocell mostra que o Brasil está
par a par com outras nações
no desenvolvimento desse tipo de equipamento.
... e
o Programa Brasileiro de Sistemas Célula
a Combustível
O
ministro da Ciência e Tecnologia Eduardo
Campos assinou também no dia 30 de
agosto a portaria 430, que constitui a coordenação
e as três sub-redes que vão
participar do Programa Brasileiro de Sistemas
de Célula a Combustível (Procac),
lançado no evento do Ceitec. O coordenador
do programa será o secretário
de Política de Informática
e Tecnologia do MCT, Francelino Grando.
A Rede de Combustíveis e Hidrogênio
é coordenada por Martin Schaml. A
Rede de Sistemas Célula a Combustível
de Óxido Sólido está
sob responsabilidade de José Octávio
Armani Paschoal. Por fim, a Rede de Sistemas
Célula a Combustível de Eletrólito
Polimérico fica sob coordenação
de Ernesto Rafael Gonzalez. Segundo o ministro,
foram destinados para o Programa em 2004
o valor de R$ 8 milhões —
R$ 4,5 milhões para formação
de mão-de-obra qualificada e R$ 3,5
milhões para equipamentos e custeio.
"Nossa ação é
focada na formação de recursos
humanos e no desenvolvimento tecnológico.
Precisamos organizar um marco legal (incumbência
da Agência Nacional de Energia Elétrica,
Aneel), trabalhar em rede e alimentar o
Programa com recursos para que o Brasil
se coloque bem nessa corrida", destacou
Campos. Um dos focos dos pesquisadores envolvidos
no Programa será trabalhar com o
etanol no lugar do hidrogênio, de
modo a obter mais rapidamente um equipamento
com custo competitivo para o mercado. "A
célula a combustível da Electrocell
é uma prova de que estamos falando
de algo factível", afirmou Francelino
Grando.
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