.NOTAS
..Publicada em 2 de setembro 2004

PIB e mercado interno

Crescimento do mercado interno. Para Júlio Gomes de Almeida, diretor geral do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) e professor de Economia da Unicamp, esse é o principal fator de crescimento de 5,7% do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre de 2004, comparado ao mesmo período de 2003. Almeida explica que 55% do crescimento do PIB, nos primeiros três meses do ano, foi produto das vendas para o mercado externo, enquanto que os 85% do atual crescimento decorrem da recuperação do mercado interno. Só o setor de serviços cresceu 4,4%. Ele engloba atividades do comércio, transportes e serviços financeiros do mercado doméstico. A taxa superou as expectativas e é a maior registrada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) desde o terceiro trimestre de 1996, quanto atingiu 6,3%. Diante da expectativa de elevação da taxa Selic, Almeida diz que o que deveria mudar é o sistema de metas de inflação, que precisaria ser mais flexível para absorver crescimentos como o atual. Para ele, somente se os preços ameaçarem superar 10%, o governo deveria pensar no custo/benefício de um aumento da taxa de juros. "As exportações nos tiraram do atoleiro. Temos que preservar o crescimento interno baixando a taxa de longo prazo (TJLP) e impostos sobre os bens de capital, para a retomada dos investimentos".
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BNDES apóia conglomerados

O Brasil pode adotar os modelos japonês (Keiretsu e Zaibatsu) e coreano (Chaebol) de formar grandes conglomerados nacionais para competir em escala mundial, informou o jornal Valor Econômico do dia 27 de agosto. Segundo Marcio Henrique Monteiro de Castro, diretor financeiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a idéia é montar operações cruzadas no mercado de capitais para interligar redes de fornecedores com grandes empresas. O banco teria participação societária nesses conglomerados e atuaria como elo entre as grandes e pequenas empresas. No futuro, parte do capital desses conglomerados seria pulverizada na bolsa — daí o nome da iniciativa, mercado de capitais industrializantes — para evitar a formação de monopólios. 'Ou o Brasil entra nessa onda (de concentração econômica) também ou vai ser uma brincadeira. Vamos ser uma economia de pequenas empresas num mundo de gigantes', disse ele ao jornal. O BNDES estuda a criação de conglomerados entre empresas do setor de carnes vermelhas. A Embraer é outra futura candidata. O professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Carlos Frederico Rocha, especialista em política industrial, disse ao Valor que a idéia é viável, mas terá efeitos no longo prazo. Apesar de achar positivo por conta da geração de emprego nas pequenas e médias empresas e por viabilizar uma política industrial com pouca intervenção direta do Estado, o especialista ressaltou que o País carece de escala e esse tipo de política não estimula a competitividade. Arilton Teixeira, economista e professor do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec) discordou totalmente da medida, considerando-a um retrocesso. 'Se é para copiar modelos, então por que não copiar o americano, que é o vencedor', questiona. Para ele, a nacionalização não gerará empregos para a classe baixa, e sim para as classes média e alta. Teixeira defende que o Brasil pense em produtividade e competitividade, não em subsídios para a indústria nacional.
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INPI: Casa Civil confirma Jaguaribe; vice presidente será Jorge Ávila

Anunciada há dois meses, a nomeação de Roberto Jaguaribe para o cargo de presidente do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) foi confirmada e publicada no Diário Oficial da União no dia 27 de agosto. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) levou um ano e meio para definir quem seria o presidente do Instituto e escolheu uma pessoa que já tem cargo no governo — Jaguaribe é secretário de Tecnologia Industrial do MDIC. Por isso, ele assumirá o cargo apenas interinamente e acumulará as duas posições, apesar do ministério ser em Brasília e o INPI ser no Rio de Janeiro. Otávio Beaklini, que era diretor de patentes no INPI, estava ocupando a presidência do Instituto também de modo interino desde o início do atual governo. Segundo o jornal Valor Econômico do dia 30 de agosto, a nomeação de Jaguaribe causou estranhamento entre os empresários e eles apostaram que a presidência será exercida, de fato, pelo vice-presidente nomeado agora, Jorge Ávila. Este último já foi diretor da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) no governo anterior. Também foram nomeados o diretor de Contratos Tecnologias e outros Registros do INPI, Breno Bello de Almeida Neves, e a diretora de Articulação e Informação Tecnológica do Instituto, Maria Beatriz Amorim Páscoa.
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Eleições na Fiesp: Skaf assume em 27 de setembro

Fortalecer as articulações políticas da instituição e adotar uma postura pragmática para eliminar os gargalos do crescimento industrial. Essas são as prioridades da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) a partir de 27 de setembro, quando assume o novo presidente Paulo Skaf. O empresário do setor têxtil foi eleito em 25 de agosto para a presidência da Fiesp. Criada em 1942, congrega 129 sindicatos e é a principal representante da indústria paulista. Concorrente de Skaf nas eleições da federação, Cláudio Vaz vai presidir o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp). Fundada em 1928, a entidade tem cerca de 7.600 empresas associadas. Depois de uma acirrada disputa, os resultados foram contestados pelos dois empresários. De um lado, os partidários de Cláudio Vaz cogitam uma entidade paralela, apelidada "Fiesp do B". De outro lado, Paulo Skaf pediu confirmação dos resultados no Ciesp, um dia após as eleições. Seria apenas para tirar 'dúvida quanto ao credenciamento dos eleitores', disse o vice-presidente da República e aliado de Skaf, José Alencar, ao jornal O Estado de S. Paulo. A comissão eleitoral ratificou o resultado na segunda-feira, dia 30 de agosto.
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GlaxoSmithkline e Estado de Nova Iorque fazem acordo

O Estado de Nova Iorque e a multinacional farmacêutica GlaxoSmithKline assinaram acordo no dia 26 de agosto que põe fim à ação proposta pelo procurador do Estado, Eliot Sptizer. O procurador acusou a empresa de fraude, por não ter divulgado os resultados de todos os testes clínicos sobre efeitos do antidepressivo Paxil (paroxetina) em crianças e adolescentes. Pelo acordo, a companhia (que afirmou considerar as acusações do procurador infundadas) pagará US$ 2,5 milhões ao Estado, e se compromete a divulgar um registro de todos os ensaios clínicos envolvendo medicamentos de sua fabricação através da Internet. Leia o press release da companhia. O procurador Sptizer comemorou o acordo, afirmando que o restante da indústria deverá seguir a GlaxoSmithKline, "fornecendo a médicos e pacientes os dados necessários para a formação de julgamentos bem informados".
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MG e RS querem atrair fábrica de semicondutores

A Smart Technologies, empresa norte-americana que anunciou o investimento de US$ 30 milhões em uma fábrica de semicondutores no Brasil, foi procurada pelos governos de Minas Gerais e Rio Grande do Sul, interessados em atrair a companhia para seus Estados. Por enquanto, a empresa está apenas conversando com ambos, disse o presidente da companhia, Noboru Takahashi, para o boletim eletrônico TI & Governo do dia 24 de agosto. A atração de uma companhia de semicondutores faz parte da política industrial do governo brasileiro. Hoje, a empresa fabrica em Guarulhos, numa unidade que era da NEC do Brasil, módulos de memória para computadores. Presente no Brasil desde 2002, a Smart quer agora produzir circuito integrado para microcomputadores e telefones celulares e transformar o Brasil em uma plataforma exportadora dos seus produtos. A empresa tem fábricas também na Malásia, Porto Rico, República Dominicana, Estados Unidos, Índia e Reino Unido. Seu faturamento global é de US$ 1,3 bilhão. A companhia está investindo US$ 1 milhão no Brasil na atualização de seus equipamentos, para substituir os atuais módulos que fabrica por uma nova geração mais veloz.


Primeira célula a combustível em operação no Brasil...

O ministro da Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos, foi incumbido de acionar a primeira célula a combustível desenvolvida no Brasil, em evento no dia 30 de agosto no Instituto de Pesquisas Tecnológicas e Nucleares (Ipen), em São Paulo. Trata-se de um gerador diferenciado que converte energia química em energia elétrica pela combinação de átomos de hidrogênio e oxigênio, produzindo água como resíduo, ou seja, uma fonte de energia não poluente e renovável. Foi desenvolvido pela Electrocell, empresa que integra desde 2001 o Centro Incubador de Empresas Tecnológicas (Cietec), localizado no Ipen, no campus da Universidade de São Paulo (USP) na capital paulista. O equipamento abastece de energia o próprio Cietec, que tem 99 empresas incubadas. O desenvolvimento da célula foi feito em parceria com a AES Eletropaulo e custou R$ 1,75 milhão. Fapesp, Finep, CNPq, e os fundos setoriais de petróleo e energia foram outras fontes financiadoras do projeto. Quando começar a operar com 100% da sua capacidade, poderá chegar a 50 kW, suficiente para abastecer 350 geladeiras. "O custo de US$ 1.240 por mW instalado é elevado, mas calculamos que em um prazo de dois a cinco anos teremos reduzido para um nível ideal, em torno de US$ 300 a US$ 500", explicou Cyro Vicente Boccuzzi, vice-presidente técnico da Eletropaulo. Os próximos desafios da Electrocell serão reduzir o tamanho do equipamento, aumentar sua capacidade de geração de energia e diversificar o combustível, passando de hidrogênio para gás natural ou etanol. Por ter participado do desenvolvimento, a Eletropaulo tem direto a uma parte dos royalties quando a Eletrectocell começar a fabricar as células em escala industrial. "A tecnologia desenvolvida aqui é nacional, 80% dos equipamentos usados foram feitos no Brasil", destacou o ministro Campos. Ele acrescentou que a iniciativa da Electrocell mostra que o Brasil está par a par com outras nações no desenvolvimento desse tipo de equipamento.


... e o Programa Brasileiro de Sistemas Célula a Combustível

O ministro da Ciência e Tecnologia Eduardo Campos assinou também no dia 30 de agosto a portaria 430, que constitui a coordenação e as três sub-redes que vão participar do Programa Brasileiro de Sistemas de Célula a Combustível (Procac), lançado no evento do Ceitec. O coordenador do programa será o secretário de Política de Informática e Tecnologia do MCT, Francelino Grando. A Rede de Combustíveis e Hidrogênio é coordenada por Martin Schaml. A Rede de Sistemas Célula a Combustível de Óxido Sólido está sob responsabilidade de José Octávio Armani Paschoal. Por fim, a Rede de Sistemas Célula a Combustível de Eletrólito Polimérico fica sob coordenação de Ernesto Rafael Gonzalez. Segundo o ministro, foram destinados para o Programa em 2004 o valor de R$ 8 milhões R$ 4,5 milhões para formação de mão-de-obra qualificada e R$ 3,5 milhões para equipamentos e custeio. "Nossa ação é focada na formação de recursos humanos e no desenvolvimento tecnológico. Precisamos organizar um marco legal (incumbência da Agência Nacional de Energia Elétrica, Aneel), trabalhar em rede e alimentar o Programa com recursos para que o Brasil se coloque bem nessa corrida", destacou Campos. Um dos focos dos pesquisadores envolvidos no Programa será trabalhar com o etanol no lugar do hidrogênio, de modo a obter mais rapidamente um equipamento com custo competitivo para o mercado. "A célula a combustível da Electrocell é uma prova de que estamos falando de algo factível", afirmou Francelino Grando.

 

 

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