| Parque
Tecnológico de Campinas
Agência de Inovação
e Instituto de Economia da Unicamp
finalizam estudo de viabilidade; proposta
está em discussão
O Núcleo
de Economia Social, Urbana e Regional (Nesur)
do Instituto de Economia e a Agência
de Inovação da Unicamp estão
concluindo o estudo de viabilidade de implantação
do Parque Científico e Tecnológico
de Campinas, a ser construído no
Pólo II de Alta Tecnologia do município.
O estudo foi coordenado pelo professor Rinaldo
Barcia Fonseca, do Nesur, com apoio da Financiadora
de Estudos e Projetos (Finep), da Secretaria
de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento
Econômico do Estado de São
Paulo e da prefeitura de Campinas, por intermédio
da Companhia de Desenvolvimento do Pólo
de Alta Tecnologia de Campinas (Ciatec).
Essa entidade é a gestora do pólo
instalado atualmente no local que deverá
abrigar o parque. O projeto faz parte do
Sistema Paulista de Parques Tecnológicos
que o governo estadual quer implantar. Serão
quatro parques: além do de Campinas,
haverá um na Região Metropolitana
de São Paulo, um em São José
dos Campos, que está mais adiantado
porque a prefeitura local já selecionou
o terreno que vai ceder para o parque, e
o de São Carlos.
O estudo
vai propor que o parque científico
e tecnológico se volte para a atração
de pequenas empresas de base tecnológica
(EBTs). O estudo partiu do mapeamento das
experiências nacionais e internacionais
de implantação de parques
tecnológicos; descreve a situação
fundiária e o potencial imobiliário
da área; e apresenta um plano urbanístico
básico para ocupação
da região. Também delimitou
os custos da infra-estrutura e dos equipamentos
e está concluindo a análise
da viabilidade econômica e a engenharia
financeira da parceria entre setor público
e privado para uso das terras.
Atualmente,
a lei de uso e ocupação do
solo vigente para a área só
permite o fracionamento dos terrenos em
grandes lotes. Se vingar a idéia
de instalar o parque e atrair empresas de
base tecnológica, mudanças
serão necessárias. "A
idéia é atrair os incorporadores
para construírem lá",
conta Eduardo Grizendi, diretor de incubadoras
e parques tecnológicos da Agência
de Inovação da Unicamp. O
resultado do estudo está em discussão
com a prefeitura e os 15 proprietários
das terras onde se pretende instalar o parque.
"A
Unicamp não tem ação
executiva. Contribuímos realizando
esse estudo, que dará subsídios
para a prefeitura, os proprietários
das terras e o Estado para a constituição
do parque", explica Grizendi. O estudo
vai gerar a formatação do
parque, isto é, que tipo de empresas
deveriam se instalar no local, o projeto
urbanístico e paisagístico,
quais as outras estruturas necessárias
(incubadoras, prédio de administração,
anfiteatro, etc.). O custo estimado para
a infra-estrutura e os equipamentos iniciais
do parque, como os prédios da pré-incubadora
e da incubadora, é de R$ 50 milhões,
segundo o estudo.
Parque
ficará no Pólo Ciatec II
Na área
do futuro parque científico e tecnológico
existe hoje o Pólo Ciatec II, constituído
na década de 1970, resultado de um
projeto idealizado por Rogério Cezar
de Cerqueira Leite, professor emérito
do Instituto de Física da Unicamp.
O Ciatec II situa-se entre as rodovias Dom
Pedro I e Campinas-Mogi Mirim. Sua área
total é de quase 8 milhões
de metros quadrados. Já se instalaram
nele mais de 30 empreendimentos —
empresas, institutos de pesquisa e de ensino
e incubadoras. Xtal Fibras Ópticas,
Benchmark, Magneti Marelli Divisão
Eletrônica, Pósitron, Northern
Telecom estão entre as empresas,
que geram 3 mil empregos. Também
no Pólo II se encontram o Laboratório
Nacional de Luz Síncrotron (LNLS),
o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em
Telecomunicações (CPqD) e
o Softex Campinas. A seu lado estão
a PUC-Campinas e a própria Unicamp.
A viabilização
do parque depende de um acordo entre as
partes envolvidas sobre o melhor e mais
rentável uso das terras. As discussões
com a prefeitura atualmente estão
voltadas para o interesse dos proprietários
dos terrenos em utilizar parte da área
para a construção de habitações.
O local onde seria construído o parque,
no distrito de Barão Geraldo, passa
por um grande processo de valorização
imobiliária hoje, dada a expansão
da cidade e a necessidade de novas áreas
residenciais. Essa região tem sido
ocupada por condomínios fechados
e casas de alto padrão. Os donos
estavam esperando por essa valorização
para negociar as terras.
Parque
abrigará pequenas empresas de base tecnológica
e centros de pesquisa
O perfil
definido como o mais indicado para ocupar
o parque científico e tecnológico
de Campinas seria o das empresas de base
tecnológica voltadas para serviços
e manufaturas leves, incluindo as empresas
de software, que são uma mistura
dessas duas classificações.
Seriam pequenas empresas, de até
dez funcionários. "Mas todas
empresas de alta tecnologia, voltadas para
produtos de alto valor agregado", destaca
o pesquisador e professor do Nesur, Rinaldo
Fonseca. A meta inicial é atrair
450 empresas.
Para chegar
a essa tipologia, os pesquisadores coordenados
por Fonseca fizeram um perfil das instituições
e EBTs presentes em Campinas. "A região
sempre foi vista como vocacionada para a
indústria de tecnologia da informação
e telecomunicações, mas descobrimos
algo interessante: embora exista o predomínio
desses setores, temos uma fortíssima
presença de outras áreas",
conta Fonseca. Ele citou as áreas
de biotecnologia aplicada à saúde,
à agricultura, à indústria
alimentícia, segmentos desse setor
como alimentos funcionais, embalagens. "É
natural que o parque hospede empresas de
base tecnológica nessas áreas",
acrescenta o diretor da Agência de
Inovação, Eduardo Grizendi.
Para a gestão
do parque, o estudo da Unicamp sugere dois
modelos. Um seria a gestão centralizada,
por meio de um órgão específico,
como uma sociedade anônima. Os lucros
obtidos com o parque seriam repassados aos
donos das terras. O outro modelo seria as
incorporadoras negociarem diretamente com
os proprietários quando fossem construir
no parque ou na área residencial.
Os pesquisadores
estão concluindo o estudo. Falta
apenas o cálculo que estabelecerá
a viabilidade econômica e a engenharia
financeira da parceria referente à
operação urbana. "Dados
os custos e o tipo de ocupação
da área, podemos avaliar a valorização
desse espaço com a implantação
dessa infra-estrutura. Quanto dessa valorização
pode ser capturado pelo setor público
e quanto financiaria essa infra-estrutura
é o que estamos estudando agora",
explica Rinaldo Fonseca.
A Agência
de Inovação da Unicamp e o
Ciatec estão fazendo um cadastramento
de empresas interessadas em se instalar
no futuro parque. O cadastro pode ser preenchido
no
site da entidade,
na opção Manifestação
de Interesse. Segundo Eduardo Grizendi,
o objetivo do cadastramento é estreitar
as relações da Unicamp e da
prefeitura com as empresas, além
do estabelecimento de um canal permanente
de comunicação para manter
os empresários informados sobre o
processo de implantação e
oportunidades oferecidas.
Terreno
será de uso misto
Estabelecendo
um uso misto — empresarial e residencial
—, a Unicamp procurou fazer um projeto
que contemplasse os vários interesses.
Na proposta, o parque foi dividido em duas
áreas: uma, de 2 milhões de
metros quadrados, será ocupada pelas
EBTs, instituições de pesquisa
públicas e privadas, inclusive centros
de P&D de empresas. Nesse valor está
incluída a área atualmente
já ocupada pelo Pólo Ciatec
II. Os outros 6 milhões de metros
quadrados seriam destinados às residências
— térreas e pequenos edifícios.
Esses são valores brutos, nos quais
estão incluídos áreas
de mata, rios, ruas já construídas,
etc.
O estudo
também propõe um plano urbanístico
e o desenho da ocupação do
solo. "A idéia básica
é criar um espaço urbanístico
de alta qualidade, com a ocupação
mista, ou seja, áreas com atividades
tecnológicas e áreas com residências
de alto padrão e alguma edificação",
completa. Essa alta qualidade seria assegurada
pela baixa densidade de ocupação
e presença de muitas áreas
verdes. O estudo prevê ainda melhores
ligações viárias do
parque com a Unicamp, a PUC-Campinas e as
rodovias Dom Pedro I e Campinas-Mogi. Por
conta dessa infra-estrutura, outro ponto
precisou ser planejado: como possibilitar
à prefeitura obter recursos para
investir nesse projeto.
Foi sugerida
a operação urbana como a montagem
jurídico-legal ideal para a realização
dessa parceria entre os setores público
e privado para a construção
do parque. Quando o poder público
instala uma infra-estrutura nas imediações
de um terreno, há a valorização
daquele espaço. Pela operação
urbana, uma parte dessa valorização
seria capturada pelo setor público,
de modo a financiar esses investimentos
públicos na infra-estrutura: asfaltamento,
instalação de postes, energia
elétrica, rede de água e de
tratamento de esgoto. Em troca, seria feita
a flexibilização na lei de
uso do solo, de forma que os donos das terras
pudessem construir as áreas residenciais
ou vender as terras para incorporadoras
que se interessassem pelo negócio,
beneficiadas justamente pela valorização
dos terrenos por conta da instalação
do parque científico e tecnológico.
Quando começou
o estudo, os pesquisadores não sabiam
quantas propriedades existiam no Ciatec
II e quem eram os donos dos terrenos. Por
isso, fizeram um levantamento da situação
fundiária, que chegou aos 15 proprietários
e aos 8 milhões de metros quadrados
do pólo. Além disso, estimou-se
o potencial imobiliário da área,
um cálculo de quanto valerão
as terras 15 a 20 anos depois de instalado
o parque. "Escolhemos esse prazo porque
é o período que demora para
se instalar e ocupar um parque, conforme
vimos pelas experiências nacionais
e internacionais que estudamos", explica
o professor Rinaldo Fonseca.
Para
fazer o estudo, os pesquisadores visitaram
parques no Brasil e no exterior, como em
Portugal e na Espanha, e estudaram outros
por meio de literatura já existente
sobre as experiências. "Procuramos
saber como fizeram os parques, como desenharam
a instituição que os administra,
como são ocupados, quanto tempo demorou,
como envolveram os setores público
e privado, custos de montagem, etc.",
enumera Fonseca. (J.S.)
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