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..Publicada em 14 de julho 2005

Parque Tecnológico de Campinas
Agência de Inovação e Instituto de Economia da Unicamp
finalizam estudo de viabilidade; proposta está em discussão

O Núcleo de Economia Social, Urbana e Regional (Nesur) do Instituto de Economia e a Agência de Inovação da Unicamp estão concluindo o estudo de viabilidade de implantação do Parque Científico e Tecnológico de Campinas, a ser construído no Pólo II de Alta Tecnologia do município. O estudo foi coordenado pelo professor Rinaldo Barcia Fonseca, do Nesur, com apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo e da prefeitura de Campinas, por intermédio da Companhia de Desenvolvimento do Pólo de Alta Tecnologia de Campinas (Ciatec). Essa entidade é a gestora do pólo instalado atualmente no local que deverá abrigar o parque. O projeto faz parte do Sistema Paulista de Parques Tecnológicos que o governo estadual quer implantar. Serão quatro parques: além do de Campinas, haverá um na Região Metropolitana de São Paulo, um em São José dos Campos, que está mais adiantado porque a prefeitura local já selecionou o terreno que vai ceder para o parque, e o de São Carlos.

O estudo vai propor que o parque científico e tecnológico se volte para a atração de pequenas empresas de base tecnológica (EBTs). O estudo partiu do mapeamento das experiências nacionais e internacionais de implantação de parques tecnológicos; descreve a situação fundiária e o potencial imobiliário da área; e apresenta um plano urbanístico básico para ocupação da região. Também delimitou os custos da infra-estrutura e dos equipamentos e está concluindo a análise da viabilidade econômica e a engenharia financeira da parceria entre setor público e privado para uso das terras.

Atualmente, a lei de uso e ocupação do solo vigente para a área só permite o fracionamento dos terrenos em grandes lotes. Se vingar a idéia de instalar o parque e atrair empresas de base tecnológica, mudanças serão necessárias. "A idéia é atrair os incorporadores para construírem lá", conta Eduardo Grizendi, diretor de incubadoras e parques tecnológicos da Agência de Inovação da Unicamp. O resultado do estudo está em discussão com a prefeitura e os 15 proprietários das terras onde se pretende instalar o parque.

"A Unicamp não tem ação executiva. Contribuímos realizando esse estudo, que dará subsídios para a prefeitura, os proprietários das terras e o Estado para a constituição do parque", explica Grizendi. O estudo vai gerar a formatação do parque, isto é, que tipo de empresas deveriam se instalar no local, o projeto urbanístico e paisagístico, quais as outras estruturas necessárias (incubadoras, prédio de administração, anfiteatro, etc.). O custo estimado para a infra-estrutura e os equipamentos iniciais do parque, como os prédios da pré-incubadora e da incubadora, é de R$ 50 milhões, segundo o estudo.

Parque ficará no Pólo Ciatec II

Na área do futuro parque científico e tecnológico existe hoje o Pólo Ciatec II, constituído na década de 1970, resultado de um projeto idealizado por Rogério Cezar de Cerqueira Leite, professor emérito do Instituto de Física da Unicamp. O Ciatec II situa-se entre as rodovias Dom Pedro I e Campinas-Mogi Mirim. Sua área total é de quase 8 milhões de metros quadrados. Já se instalaram nele mais de 30 empreendimentos — empresas, institutos de pesquisa e de ensino e incubadoras. Xtal Fibras Ópticas, Benchmark, Magneti Marelli Divisão Eletrônica, Pósitron, Northern Telecom estão entre as empresas, que geram 3 mil empregos. Também no Pólo II se encontram o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD) e o Softex Campinas. A seu lado estão a PUC-Campinas e a própria Unicamp.

A viabilização do parque depende de um acordo entre as partes envolvidas sobre o melhor e mais rentável uso das terras. As discussões com a prefeitura atualmente estão voltadas para o interesse dos proprietários dos terrenos em utilizar parte da área para a construção de habitações. O local onde seria construído o parque, no distrito de Barão Geraldo, passa por um grande processo de valorização imobiliária hoje, dada a expansão da cidade e a necessidade de novas áreas residenciais. Essa região tem sido ocupada por condomínios fechados e casas de alto padrão. Os donos estavam esperando por essa valorização para negociar as terras.

Parque abrigará pequenas empresas de base tecnológica e centros de pesquisa

O perfil definido como o mais indicado para ocupar o parque científico e tecnológico de Campinas seria o das empresas de base tecnológica voltadas para serviços e manufaturas leves, incluindo as empresas de software, que são uma mistura dessas duas classificações. Seriam pequenas empresas, de até dez funcionários. "Mas todas empresas de alta tecnologia, voltadas para produtos de alto valor agregado", destaca o pesquisador e professor do Nesur, Rinaldo Fonseca. A meta inicial é atrair 450 empresas.

Para chegar a essa tipologia, os pesquisadores coordenados por Fonseca fizeram um perfil das instituições e EBTs presentes em Campinas. "A região sempre foi vista como vocacionada para a indústria de tecnologia da informação e telecomunicações, mas descobrimos algo interessante: embora exista o predomínio desses setores, temos uma fortíssima presença de outras áreas", conta Fonseca. Ele citou as áreas de biotecnologia aplicada à saúde, à agricultura, à indústria alimentícia, segmentos desse setor como alimentos funcionais, embalagens. "É natural que o parque hospede empresas de base tecnológica nessas áreas", acrescenta o diretor da Agência de Inovação, Eduardo Grizendi.

Para a gestão do parque, o estudo da Unicamp sugere dois modelos. Um seria a gestão centralizada, por meio de um órgão específico, como uma sociedade anônima. Os lucros obtidos com o parque seriam repassados aos donos das terras. O outro modelo seria as incorporadoras negociarem diretamente com os proprietários quando fossem construir no parque ou na área residencial.

Os pesquisadores estão concluindo o estudo. Falta apenas o cálculo que estabelecerá a viabilidade econômica e a engenharia financeira da parceria referente à operação urbana. "Dados os custos e o tipo de ocupação da área, podemos avaliar a valorização desse espaço com a implantação dessa infra-estrutura. Quanto dessa valorização pode ser capturado pelo setor público e quanto financiaria essa infra-estrutura é o que estamos estudando agora", explica Rinaldo Fonseca.

A Agência de Inovação da Unicamp e o Ciatec estão fazendo um cadastramento de empresas interessadas em se instalar no futuro parque. O cadastro pode ser preenchido no site da entidade, na opção Manifestação de Interesse. Segundo Eduardo Grizendi, o objetivo do cadastramento é estreitar as relações da Unicamp e da prefeitura com as empresas, além do estabelecimento de um canal permanente de comunicação para manter os empresários informados sobre o processo de implantação e oportunidades oferecidas.

Terreno será de uso misto

Estabelecendo um uso misto — empresarial e residencial —, a Unicamp procurou fazer um projeto que contemplasse os vários interesses. Na proposta, o parque foi dividido em duas áreas: uma, de 2 milhões de metros quadrados, será ocupada pelas EBTs, instituições de pesquisa públicas e privadas, inclusive centros de P&D de empresas. Nesse valor está incluída a área atualmente já ocupada pelo Pólo Ciatec II. Os outros 6 milhões de metros quadrados seriam destinados às residências — térreas e pequenos edifícios. Esses são valores brutos, nos quais estão incluídos áreas de mata, rios, ruas já construídas, etc.

O estudo também propõe um plano urbanístico e o desenho da ocupação do solo. "A idéia básica é criar um espaço urbanístico de alta qualidade, com a ocupação mista, ou seja, áreas com atividades tecnológicas e áreas com residências de alto padrão e alguma edificação", completa. Essa alta qualidade seria assegurada pela baixa densidade de ocupação e presença de muitas áreas verdes. O estudo prevê ainda melhores ligações viárias do parque com a Unicamp, a PUC-Campinas e as rodovias Dom Pedro I e Campinas-Mogi. Por conta dessa infra-estrutura, outro ponto precisou ser planejado: como possibilitar à prefeitura obter recursos para investir nesse projeto.

Foi sugerida a operação urbana como a montagem jurídico-legal ideal para a realização dessa parceria entre os setores público e privado para a construção do parque. Quando o poder público instala uma infra-estrutura nas imediações de um terreno, há a valorização daquele espaço. Pela operação urbana, uma parte dessa valorização seria capturada pelo setor público, de modo a financiar esses investimentos públicos na infra-estrutura: asfaltamento, instalação de postes, energia elétrica, rede de água e de tratamento de esgoto. Em troca, seria feita a flexibilização na lei de uso do solo, de forma que os donos das terras pudessem construir as áreas residenciais ou vender as terras para incorporadoras que se interessassem pelo negócio, beneficiadas justamente pela valorização dos terrenos por conta da instalação do parque científico e tecnológico.

Quando começou o estudo, os pesquisadores não sabiam quantas propriedades existiam no Ciatec II e quem eram os donos dos terrenos. Por isso, fizeram um levantamento da situação fundiária, que chegou aos 15 proprietários e aos 8 milhões de metros quadrados do pólo. Além disso, estimou-se o potencial imobiliário da área, um cálculo de quanto valerão as terras 15 a 20 anos depois de instalado o parque. "Escolhemos esse prazo porque é o período que demora para se instalar e ocupar um parque, conforme vimos pelas experiências nacionais e internacionais que estudamos", explica o professor Rinaldo Fonseca.

Para fazer o estudo, os pesquisadores visitaram parques no Brasil e no exterior, como em Portugal e na Espanha, e estudaram outros por meio de literatura já existente sobre as experiências. "Procuramos saber como fizeram os parques, como desenharam a instituição que os administra, como são ocupados, quanto tempo demorou, como envolveram os setores público e privado, custos de montagem, etc.", enumera Fonseca. (J.S.)

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