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Nove peixes em contato com fulerenos
sem cobertura sofrem dano cerebral
Rachel
Bueno
Um
estudo da toxicologista ambiental Eva Oberdörster,
da Southern Methodist University,
de Dallas, no Texas, mostrou que nove peixes
jovens da espécie Micropterus
salmoides apresentaram danos no tecido
cerebral após serem expostos a uma
forma solúvel de fulerenos do tipo
C60, também conhecidos como buckybolas.
Os fulerenos são nanoestruturas formadas
apenas por átomos de carbono; nas
buckybolas, 60 átomos de carbono
se organizam numa estrutura fechada. A exposição
dos peixes durou 48 horas e resultou, segundo
o estudo, em uma "peroxidação
lipídica" no cérebro
17 vezes maior que a observada nos peixes-controle.
Na peroxidação lipídica,
um átomo de oxigênio extra
liga-se às moléculas de gordura.
As reações de oxidação
levam à produção de
radicais livres, nocivos à saúde.
As guelras e o fígado dos animais
não sofreram danos. Na opinião
da pesquisadora, é possível
que essa discrepância se deva ao fato
de as guelras e o fígado possuírem
melhores defesas contra reações
oxidantes do que o cérebro.
Os
pesquisadores que trabalham com fulerenos
usam-nos encapados por materiais biocompatíveis,
agregados ao material no momento em que
são sintetizados. Em seu experimento,
no entanto, Eva optou por exemplares desencapados,
doados pelo Centro para Nanotecnologia Biológica
e Ambiental da Rice University.
Quando estão aparentes, sem cobertura,
as superfícies dos fulerenos provocam
reações de óxido-redução
(reações em que há
transferência de átomos de
oxigênio), que mudam a estrutura de
outras moléculas como aconteceu
com as gorduras do cérebro dos peixes.
A justificativa da pesquisadora para o uso
de fulerenos desencapadas é que ainda
não se sabe ao certo por quanto tempo
os revestimentos resistem intactos quando
expostos às condições
do meio-ambiente. A pesquisadora também
escreveu em seu artigo que fulerenos clareiam
águas turvas; a hipótese que
criou para explicar essa observação
é de que as nanoestruturas desencapadas
podem ser letais para as bactérias
normalmente encontradas em aquários.
Os
resultados foram apresentados em um encontro
nacional da American Chemical Society
(Sociedade Americana de Química),
realizado dia 28 de março na cidade
de Anaheim, na Califórnia. No final
de seu trabalho, Eva Oberdörster diz
que novos estudos in vivo, usando
fulerenos e outros nanomateriais, precisam
ser feitos para determinar como essas estruturas
se distribuem por todo o corpo e quais são
os efeitos correspondentes. Ela também
afirma que os fulerenos considerados
uma boa opção para dispositivos
de entrega de drogas devem ser transportados
para as regiões ricas em lipídios,
como o cérebro, antes que seus revestimentos
se rompam.
A
pesquisadora utilizou, no total, 28 peixes
da espécie Micropterus salmoides
em dois experimentos. No primeiro, ela colocou
três peixes em um aquário com
0,5 parte por milhão (ppm) de nC60,
uma solução preparada previamente
com as buckybolas, e outros três em
um aquário para controle. No experimento
seguinte, havia um aquário com 1
ppm e dois com 0,5 ppm de nC60, além
de dois aquários de controle e dois
com peróxido de hidrogênio
misturado à água. Com exceção
do primeiro aquário, onde foram colocados
quatro peixes menores (cerca de 2g), cada
um recebeu três animais, em 7 litros
de água. Após 24 horas, 30%
do volume foi trocado e foi feita uma nova
dosagem das substâncias. Ao final
de 48 horas, ela matou os peixes. Os quatro
peixes menores, do aquário com concentração
de fulerenos de 1 ppm, não sofreram
alterações. Os demais peixes
expostos aos fulerenos aquosos pesavam em
média 5,3g.
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