FMC
– A empresa norte-americana,
maior fornecedora de equipamentos
para produção de petróleo do mundo,
iniciou a construção de um centro
de pesquisas no Parque Tecnológico
da Universidade Federal do Rio de
Janeiro (UFRJ), informou o jornal
Valor Econômico no dia 5 de
julho. A empresa tem duas unidades
industriais no País, ambas no Rio
de Janeiro (na capital e em Macaé)
e já é a maior cliente do laboratório
de ensaios não destrutivos e de corrosão
da UFRJ. O centro em construção vai
empregar 300 engenheiros, sendo 100
deles novos contratados e o restante
transferido da área de desenvolvimento
de produtos das plantas da empresa
no Brasil. O vice-presidente de tecnologia
da FMC, o engenheiro mecânico Paulo
Couto, formado pela UFRJ, contou que
a obra civil vai consumir cerca de
um terço dos R$ 200 milhões que a
FMC deve investir no Brasil nos próximos
dois a três anos. A FMC pretende inaugurar
o centro de pesquisas com o teste
de um protótipo de um sistema de processamento
submarino a ser instalado no campo
de Marlim. "A vinda da FMC é
um marco importante porque, diferentemente
das outras que já estão aqui, ela
desenvolve tecnologia na área de produtos.
As outras são da área de serviços",
disse Maurício Guedes, diretor do
Parque Tecnológico da UFRJ. É o terceiro
empreendimento anunciado no local,
motivado pela exploração do pré-sal.
Já estão em construção os centros
de pesquisa da francesa Schlumberger,
a maior prestadora de serviços para
a indústria de petróleo do mundo,
e da Baker Hughes. A Halliburton está
negociando a instalação de um centro
de P&D no local e a Usiminas praticamente
acertou a construção de um centro
para pesquisar novas qualidades de
aço, diz o jornal. Dentro do campus
da UFRJ, em área contígua ao Parque
Tecnológico, já está instalado, desde
a década de 1960, o Centro de Pesquisas
da Petrobras (Cenpes), que recebeu
R$ 900 milhões para sua expansão.
Os novos
laboratórios devem começar
a funcionar em setembro.
General
Eletric — Até agosto a
GE deve anunciar onde construirá seu
centro de pesquisa e desenvolvimento
no Brasil. A escolha recairá sobre
uma entre cinco cidades: Belo Horizonte
(MG), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo
(SP), Campinas (SP) e São José dos
Campos (SP). Esse será o quinto centro
de P&D da GE. A empresa fundada
nos Estados Unidos pelo inventor da
lâmpada elétrica Thomas Edison já
tem núcleos de P&D na China, Índia,
Alemanha e nos EUA. A previsão de
investimento no Brasil é de US$ 150
milhões em 18 meses, com a contratação
de 300 profissionais. "Em termos
globais, o faturamento brasileiro
é pequeno — apenas 1,6% dos US$ 156
bilhões obtidos em 2009. Mas a GE
conta com a expansão econômica que
investimentos como a prospecção no
campo do pré-sal poderão trazer",
informou o Valor Econômico
no dia 5 de julho. A reportagem conta
ainda que a questão tributária não
é fator relevante para a GE, mas sim
a negociação com as universidades
públicas. A empresa quer assegurar
a propriedade das patentes desenvolvidas
em seus centros e estuda que cidade
tem o maior potencial de formação
de profissionais em suas áreas de
interesse: energia, petróleo e gás,
transportes e indústria hospitalar.
A depender da cidade escolhida, o
centro de pesquisas terá uma vocação.
Se for instalado em Campinas (SP),
o foco será energia; no Rio de Janeiro,
atuará em petróleo e gás. Se ficar
em Belo Horizonte ou em São Paulo,
as atividades serão focadas em transportes
e saúde.
Toyota
— Depois de sucessivos recalls
de veículos de sua fabricação em todo
o mundo, a montadora japonesa anunciou
que vai ampliar o tempo de testes
no desenvolvimento de novos veículos,
conta o jornal The Wall Street
Journal do dia 6 de julho. A extensão
do tempo de testes dos novos modelos
feitos antes do início da produção
pode ser de dois a seis meses, dependendo
do veículo. A companhia também quer
usar consumidores e engenheiros independentes
nos testes para ter um olhar externo
sobre o produto em desenvolvimento.
Esse aumento, espera a Toyota, não
alongará o tempo total de desenvolvimento
de um carro, que varia de 21 a 48
meses. A empresa pretende encurtar
outras etapas do processo. A fabricante
japonesa também disse que vai reduzir
o número de engenheiros externos que
contrata para o desenvolvimento de
veículos, pois a prática teria provocado
ruptura na comunicação e possíveis
mal entendidos entre as equipes terceirizadas
e os engenheiros da própria empresa.
A Toyota usaria 30% de engenheiros
externos no desenvolvimento de novos
veículos no mundo e quer agora baixar
esse percentual para 10%, apurou o
jornal. Oficialmente, a empresa não
confirmou os números. Outra mudança
em sua área de P&D está no corte
das opções e variações de motores
e outros componentes-chave usados
nos testes para simplificar e limitar
o escopo de trabalho dos engenheiros,
dando a eles condições de se concentrarem
mais em qualidade. A empresa também
avalia reduzir o uso da engenharia
virtual, computadorizada, e usar mais
protótipos físicos, mas isso pode
ampliar o período de desenvolvimento
e encarecer os custos de P&D.
As mudanças começaram a ser discutidas
há um ano, mas a empresa decidiu agir
mais rapidamente depois de enfrentar
os recalls nos últimos seis
meses.
Nokia
— Maior fabricante de celulares
do mundo, a empresa anunciou no dia
6 de julho a venda da sua divisão
de modems sem fio para a Renesas
Electronics, do Japão, por US$ 200
milhões. A empresa japonesa é a quinta
maior produtora de chips do
mundo. O acordo previu a transferência
de tecnologias para modem nos
padrões TLE, HSPA e GSM desenvolvidas
pela Nokia, incluindo algumas de suas
patentes. Esses padrões são usados
em comunicação 3G. Cerca de 1,1 mil
funcionários do departamento de P&D
da Nokia — na Finlândia, Índia, Reino
Unido e Dinamarca — serão transferidos
à Renesas. Segundo notícia da agência
Reuters, os analistas avaliaram essa
venda como parte da estratégia da
Nokia de abrir mão de atividades não
essenciais de pesquisa e desenvolvimento
e continuar a terceirização de desenvolvimento
de componentes. As operações não essenciais
estão sendo abandonadas para que ela
se concentre na sua atividade principal,
a fabricação de celulares. A empresa
vem enfrentando problemas com a concorrência,
em especial, com a Apple e seu IPhone.
IBM
e Roche Holdings — As duas
empresas estabeleceram um acordo de
cooperação em pesquisa e desenvolvimento
para tornar o sequenciamento de genoma
para fins médicos mais barato e simples
de ser feito, conta a agência de notícias
Bloomberg no dia 2 de julho. A IBM
pesquisa o uso de correntes elétricas
para passar moléculas de DNA por meio
de um sensor com largura de três nanômetros
(bilionésimos de metro), permitindo
a análise unidade por unidade, o que
tornaria o processo mais rápido, explicou
o pesquisador Ajay Royyuru, que comanda
a divisão de biologia computacional
da IBM. O processo poderia reduzir
o custo do sequenciamento do genoma
para fins médicos, atualmente superior
a US$ 100 mil, para uma faixa entre
US$ 100 e US$ 1 mil, segundo Royyuru.
A Roche ficou responsável pelo lançamento
do produto no mercado e a IBM receberá
uma receita pelo licenciamento. O
desenvolvimento da tecnologia ainda
levará cerca de cinco anos até a fase
de comercialização.
Lei
de Informática — Portaria
interministerial 501, publicada dia
1º de julho no Diário Oficial da
União, obriga o governo a se pronunciar
em no máximo 45 dias sobre pedidos
de isenção apresentados pelas empresas
e previstos pela Lei de Informática.
A mesma portaria também instituiu
o Sigplani — Módulo Pleito de Habilitação
ao Incentivo, um processo eletrônico
para habilitação de empresas, e criou
duas novas contrapartidas para as
firmas poderem usar os benefícios.
Até o momento, informa a Associação
Brasileira da Indústria Eletroeletrônica
(Abinee), a análise chegava a demorar
até um ano. "Esta demora inviabilizava
novos investimentos das empresas,
dado que o prazo de concessão do benefício
era muitas vezes maior do que a necessidade
de atualização tecnológica dos produtos",
disse o presidente da Abinee, Humberto
Barbato, em comunicado divulgado para
a imprensa. Segundo o press release,
com a portaria o governo corrige a
discrepância que havia e abre a possibilidade
do aumento dos investimentos em novos
produtos do segmento de Tecnologia
da Informação e Comunicação (TIC).
Segundo o site Convergência
Digital, o governo conseguiu encurtar
o prazo através de duas medidas. Até
agora, o pedido precisava ser aprovado
separadamente em três instâncias:
Ministérios da Ciência e Tecnologia;
do Desenvolvimento, Indústria e Comércio
Exterior e, ainda, a Secretaria da
Receita Federal do Brasil. Com a portaria,
a análise será feita pela Câmara Técnica
Interministerial para Pleitos de Concessão
(CTI-PC), criada em 2007 pela Portaria
Interministerial 148. A CTI-PC é formada
por representantes do MCT, MDIC e
da Receita Federal, com a diferença
que terá a competência necessária
para definir conjuntamente se aprova
ou não o pleito apresentado pelas
empresas. O outro fator que permitiu
o prazo de 45 dias é a instituição
do uso do Sigplani, que permite o
acompanhamento eletrônico, por parte
das empresas, da tramitação do pedido.
O Sigplani tem sido utilizado pela
Secretaria de Política de Informática
do MCT no recebimento e avaliação
dos relatórios das empresas que usaram
os benefícios da Lei de Informática.
Todo ano elas precisam enviar a documentação
comprovando os investimentos em P&D
que são exigidos como contrapartida
para a isenção ou redução do pagamento
de imposto. A Lei de Informática concede
isenção ou redução do Imposto sobre
Produtos Industrializados (IPI) em
troca de investimento das empresas
em projetos de pesquisa e desenvolvimento.
As novas exigências criadas pela portaria
são: as empresas precisam implantar
o Sistema da Qualidade, conforme as
Normas ISO 9.000, da Associação Brasileira
de Normas Técnicas (ABNT). A certificação
precisa ser homologada pelo Instituto
Nacional de Metrologia, Normalização
e Qualidade Industrial (Inmetro).
Além disso, as empresas agora deverão
implantar um programa de participação
dos trabalhadores nos lucros ou resultados
da empresa.
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