Protetor
solar ― A farmacêutica
Biolab Sanus organizou uma manhã de
comemorações em um centro de convenções
da capital paulista para lançar seu
novo protetor solar, que usa nanopartículas
poliméricas para carregar o princípio
ativo do cosmético. Na promoção do
"primeiro fotoprotetor brasileiro
contendo nanocápsulas biodegradáveis"
(Photoprot, FPS 100, R$ 72,80, 40
ml), a Biolab reuniu, dia 14 de novembro,
cerca de 350 médicos (principalmente),
jornalistas, e políticos como o presidente
da Câmara Federal, Arlindo Chinaglia,
o presidente do Partido Comunista
do Brasil, Renato Rabelo (partido
de Luiz Fernandes, presidente da Financiadora
de Estudos e Projetos, Finep, um dos
financiadores do desenvolvimento),
e o coordenador de inovação da Secretaria
de Desenvolvimento de São Paulo, Pedro
Bombonato. A cerimônia, precedida
de café da manhã e seguida de almoço,
iniciou-se com a execução do Hino
Nacional. Na história relatada durante
a festa, foi da Biolab a iniciativa
de procurar, há quatro anos, a pesquisadora
Silvia Guterres, da Universidade Federal
do Rio Grande do Sul, para desenvolver
a chamada "plataforma" nanotecnológica.
A Finep co-financiou o desenvolvimento
e abriu mão de sua parte na propriedade
intelectual, dividida igualmente entre
a empresa e a UFRGS. Essa plataforma
― que poderá ser usada em vários
medicamentos e cosméticos, com pequenas
variações ― está baseada na
aplicação industrial da tecnologia
de encapsulamento de um princípio
ativo (no caso, o filtro solar) em
partículas de tamanho diminuto feitas
de polímeros. Durante a palestra que
deu durante a comemoração, Silvia,
doutora em Farmácia, explicou que
o diâmetro das cápsulas do fotoprotetor
da Biolab é, em média, de 240 nanômetros.
Um nanômetro é a milionésima parte
do metro. Silvia frisou que nanocápsulas
desse tamanho não trazem risco a quem
usar o fotoprotetor: "hoje se
sabe", disse, que as nanopartículas
de diâmetro menor que 100 nanômetros
podem chegar à circulação e provocar
um efeito sistêmico (ou seja, por
todo o organismo do consumidor); por
outro lado, se o diâmetro for maior
que 400 nanômetros, as vantagens da
nanocápsula se perdem. Nas palavras
da professora da universidade gaúcha,
chegar a nanopartículas dentro dessa
"janela de segurança" foi
uma questão para o desenvolvimento
tecnológico. Um dos ingredientes do
cosmético é o óleo de buriti que,
sempre segundo a palestrante, apresenta
efeito antioxidante, comprovado por
pesquisas. Dante Alário, um dos donos
da Biolab e seu diretor técnico-científico,
contou que ela vai crescer "mais
de 20%" no ano [em outubro,
a empresa previu aumento de 21% de
seu lucro líquido entre 2008 e 2009,
com vendas de R$ 540 milhões, contra
R$ 475 milhões em 2008. Nota da E.].
Afirmou também que a empresa investe
7% de seu faturamento em pesquisa
e desenvolvimento; e que há, no momento,
32 moléculas no pipeline da
companhia, todas "me-toos"
― ou seja, cópias de drogas
já existentes. Alário também contou
que a Biolab prepara parcerias com
empresas estrangeiras. No momento,
há conversa com uma empresa alemã.
Outros três produtos que usam essa
plataforma estão em desenvolvimento.
A área de nanotecnologia da empresa,
que acaba de ser criada para cuidar
desses produtos, é dirigida por uma
ex-aluna da professora Silvia.
Livros
online ― A empresa
de tecnologia da informação e
duas associações de editores e escritores
dos EUA apresentaram nova proposta
de acordo sobre os direitos autorais
de livros de grandes bibliotecas norte-americanas
que a Google quer digitalizar e disponibilizar,
no dia 13 de novembro, a uma das cortes
distritais de Nova Iorque. A nova
redação abre caminho
para a solução da questão mais difícil
do acordo: como li dar com os direitos
autorais das milhões de obras chamadas
"órfãs" ― aquelas
cujos detentores dos direitos são
desconhecidos ou não podem ser localizados.
A proposta estabelece que um curador
independente ― nem da Google,
nem das associações ― ficará
encarregado de tomar as decisões relacionadas
às obras nessas condições. O curador
terá titularidade para licenciar direitos
das obras órfãs a outras empresas
que não a Google também interessadas
em comercializar o acesso online
a elas. Os rendimentos dessas licenças
serão depositados em um fundo e ficarão
à disposição de herdeiros dos autores.
Se não for reclamado, ao final de
dez anos o dinheiro irá para caridade.
Outra mudança importante é a decisão
da empresa e das associações de só
digitalizarem livros publicados na
Grã-Bretanha, no Canadá, nos EUA e
na Austrália ― o que afasta
a oposição da França e da Alemanha.
A nova proposta veio em obediência
à determinação
do Departamento de Justiça dos EUA,
feita no final de setembro, que recomendou
mais negociação entre as partes. As
associações profissionais acionam
a Google desde 2005, quando a empresa
anunciou sua intenção de criar a maior
biblioteca online já organizada.
O acordo anterior foi intensamente
criticado, inclusive pelo governo
Obama. Espera-se que o juiz do caso,
Denny Chin, marque, até o final do
mês de novembro, a data para a audiência
em que as partes exporão seus argumentos.
Depois da audiência, caberá ao juiz
decidir se aceita ou não que o acordo
ponha fim à disputa entre as partes.
PIB
paulista ― O Estado
de São Paulo cresceu 7,4% em 2007,
contra 6,1% do Brasil. O dado é do
IBGE e foi divulgado no dia 18 de
dezembro. A indústria foi a principal
responsável pela taxa de crescimento
superior à nacional. São Paulo contribuiu,
em 2007, com 33,9% do PIB nacional
― a mesma percentagem dos anos
de 2005 e 2006. Esses dados mostram
estabilidade do PIB do Estado como
proporção do PIB do Brasil, o que
muda a tend ência de queda iniciada
em 1995, quando a proporção foi de
37,2%, que durou até 2004, ano em
que a percentagem chegou ao ponto
mais baixo, 33,1%.
Supercomputador
― A Petrobras vai comprar
um supercomputador da empresa de tecnologia
da informação europeia Bull, vencedora
do edital que organizou. O equipamento
será usado pelo Centro de Pesquisas
(Cenpes) da petrolífera, tem capacidade
de 250 teraflops ― um teraflop
equivale à capacidade da máquina de
realizar um trilhão de cálculos por
segundo ― e será instalado em
um Data Center da Petrobras
que está em fase final de construção
no campus da Universidade Federal
do Rio de Janeiro. O supercomputador
será usado em simulações geofísicas
para aprimorar a visualização das
camadas geológicas do subsolo para
suportar a exploração e a produção
de petróleo, algo fundamental para
as pesquisas relacionadas ao pré-sal.
Segundo a Bull, o governo brasileiro
já instalou oito supercomputadores
nas universidades federais e, desses,
seis são da Bull. O valor da aquisição
não foi revelado pelas companhias.
Cortes
em P&D ―
A farmacêutica Pfizer anunciou que
vai fechar seis de seus 20 centros
de pesquisa e desenvolvimento e demitir
até 2 mil cientistas e técnicos de
laboratório, após redesenhar sua estrutura
depois de adquirir a Wyeth no mês
de outubro. Segundo o site do jornal
Valor Econômico e a agência de notícias
Associated Press, a empresa terá cinco
centros de pesquisa principais, mais
nove outros laboratórios encarregados
de pesquisas especializadas. Serão
fechados um dos centros em Princeton,
dois em Nova Iorque, dois na Carolina
do Norte e um na Grã-Bretanha. A operação
de reorganização e integração dos
laboratórios da Pfizer e da Wyeth
visa a impulsionar a produtividade
e proporcionar economias, justificaram
os executivos da empresa que comandam
a operação. Serão eliminados cerca
de 35% da área ocupada hoje pelas
atividades de pesquisa e desenvolvimento.
Outra empresa que anunciou cortes
na área de P&D foi a Nokia. A principal
fabricante de celulares do mundo anunciou
no dia 20 de outubro que cortará 330
postos de trabalho na Finlândia e
na Dinamarca. A Nokia já demitiu e
cortou outros custos este ano, com
o objetivo de economizar mais de 700
milhões de euros (US$ 1,04 bilhão)
somente na unidade de aparelhos manuais
e enfrentar a queda na demanda, informa
a agência de notícias Reuters.
Vale-CNPq
― A empresa e a agência
de fomento federal lançaram no dia
18 de novembro duas chamadas para
selecionar projetos de pesquisa, desenvolvimento
e inovação para o setor mineral. As
propostas aprovadas serão financiadas
com recursos estimados em R$ 9,4 milhões
e as inscrições vão até 18 de janeiro
de 2010. A primeira trata do Projeto
Tendências Tecnológicas para o Setor
Mineral e a segunda se aplica a tecnologias
de Sistemas Produtivos Locais (SPL)
do setor mineral, com prioridades
para os segmentos de rochas ornamentais,
cerâmica vermelha e de revestimento,
gemas e joias, gesso, pegmatitos e
calcário e cal. Para a primeira chamada
estão destinados R$ 6,9 milhões, para
apoiar projetos desenvolvidos em cooperação
entre empresas ou instituições de
pesquisa que tenham experiência na
área de geologia e tecnologia mineral
e atuem em rede. Já para se candidatar
à segunda chamada, com R$ 2,5 milhões
disponíveis, o proponente deve participar
de instituições de pesquisa e desenvolvimento
científico e tecnológico, inovação,
capacitação ou formação de recursos
humanos que participem de SPLs de
base mineral e apresentem, por meio
de rede de cooperação, parceria com
grupos de micro e pequenas empresas
de mineração ou base mineral. Os resultados
serão divulgados no Diário Oficial
da União e na página do CNPq a
partir de 11 de março de 2010 e o
início da contratação das propostas
aprovadas será a partir de 16 de março
do ano que vem. A Vale já havia lançado
um primeiro edital em parceria com
a Fundação de Amparo à Pesquisa do
Estado do Pará (Fapespa) e o diretor
do Instituto Vale, Luiz
Eugênio Araújo de Moraes Mello, antecipou
em entrevista
a Inovação que novos
editais em parceria com outras agências
de fomento seriam lançados ainda esse
ano.
|