Supercomputador
― O Instituto Nacional de
Pesquisas Espaciais (Inpe) espera
divulgar o resultado da licitação
para a compra de seu novo supercomputador
para pesquisas climáticas entre os
dias 10 e 15 de dezembro. O processo
de seleção do fornecedor começou em
outubro de 2008, com o lançamento
de um primeiro edital, ao qual apenas
duas empresas se apresentaram, contou
a Inovação Haroldo Fraga
de Campos Velho, diretor associado
de espaço e ambiente do Inpe, que
está acompanhando o processo de licitação.
Na ocasião, uma das propostas foi
desqualificada por problemas de documentação
e outra excedia o valor disponível
para a aquisição. A Financiadora de
Estudos e Projetos (Finep), órgão
do Ministério da Ciência e Tecnologia
(MCT), e a Fundação de Amparo à Pesquisa
do Estado de São Paulo (Fapesp), investiram
R$ 35 milhões e R$ 15 milhões, respectivamente,
para a compra do supercomputador.
Além desses problemas, o dólar em
alta desfavorecia a aquisição. Um
segundo edital foi lançado em junho.
Nele, "o Inpe redimensionou,
para baixo, os requisitos do sistema",
disse Campos Velho. O primeiro edital
especificava um supercomputador de
15 teraflops ― um teraflop equivale
à capacidade da m áquina de realizar
um trilhão de cálculos por segundo.
O novo edital aceitou propostas de
equipamentos a partir de 10 teraflops
de capacidade; houve também um ganho
de quase 1/3 no preço por conta da
valorização do real, de acordo com
o diretor do Inpe. Com as mudanças
e a situação econômica mais favorável
para a compra, o novo edital teve
melhor resposta: 11 empresas retiraram
a carta-edital e se cadastraram na
Fundação de Ciência, Aplicações e
Tecnologia Espaciais (Funcate), que
realiza a licitação. Habilitação,
proposta técnica e, por fim, a proposta
comercial serão analisadas. No caso
da proposta técnica, as empresas ganham
pontos a cada requisito atendido.
Se uma empresa oferecer 10 teraflops
e outra 15 teraflops, a segunda terá
mais pontos. Há outros requisitos
para pontuação, como o tamanho do
sistema e o consumo menor de energia.
Na proposta comercial está o valor
que a empresa quer pelo supercomputador.
Vencerá quem acumular mais pontos
na proposta técnica e tiver um custo
compatível com o orçamento do Inpe
para a aquisição. A expectativa do
Inpe é que a máquina seja entregue
entre três e quatro meses após o anúncio
da empresa fornecedora e que os modelos
climáticos estejam rodando no novo
supercomputador no segundo semestre
de 2010. Em entrevista
a Inovação em junho
de 2008, o pesquisador do Inpe e coordenador
executivo do Programa Fapesp de Pesquisa
sobre Mudanças Climáticas Globais
Carlos Nobre disse que o novo equipamento
permitiria ao Brasil participar da
elaboração do próximo relatório, chamado
AR-5 (Assessment Report
5), do Painel Intergovernamental
sobre Mudança Climática (IPCC, na
sigla em inglês), previsto para 2014.
Segundo Nobre, para entrar no quinto
relatório os grupos de pesquisa deveriam
apresentar simulações do clima futuro
até outubro ou novembro de 2010. Por
email, Nobre afirmou a Inovação
que, apesar de o tempo estar ficando
curto, o grupo de pesquisa sobre mudanças
climáticas nucleado pelo Inpe ainda
pretende "colaborar com a geração
de cenários do IPCC". O Inpe
teve aprovado, em outubro, o primeiro
curso de pós-graduação em Ciência
do Sistema Terrestre; o supercomputador
será uma das ferramentas à disposição
de seus pesquisadores.
Rankings
― O ranking
Times Higher Education-QS World University
Rankings acabou.
Em matéria postada no seu site
no dia 5 de novembro, a Times
Higher Education, revista britânica
especializada em ensino superior,
anunciou o fim de sua parceria de
seis anos com a empresa Quacquarelli
Symonds (QS) e um acordo com a empresa
de indexação de periódicos acadêmicos
Thomson Reuters para a elaboração
de seu ranking a partir do
ano que vem. Segundo o texto, a THE
pretende desenvolver uma nova metodologia
"em consulta com seus leitores,
seu conselho editorial de especialistas
em educação superior e a Thomson Reuters".
A empresa, prossegue a matéria, "vai
colher e analisar os dados usados
para produzir os rankings para
a Times Higher Education".
Segundo Ann Mroz, editora da revista,
os rankings da THE "se
tornaram enormemente influentes e
nós reconhecemos nossa responsabilidade
para produzir a tabela mais rigorosa
e transparente que pudermos".
Pelo lado da nova parceira da revista,
o diretor de avaliação de pesquisa,
Jonathan Adams, declarou que a Thomson
Reuters está "feliz em proporcionar
insight e consultas num indicador
tão amplamente respeitado como o Ranking
Mundial de Universidades da Times
Higher Education". Segundo
ele, é provável que o ranking do ano
que vem "seja bastante diferente,
com mais informações sobre a metodologia",
e que "em dois ou três ciclos"
ocorram "mais mudanças, refinamentos
e aperfeiçoamentos". A QS, por
sua vez, anunciou que vai continuar
a elaborar rankings: "os
rankings mundiais de universidades
da QS não foram afetados", declarou
o diretor da empresa, Nunzio Quacquarelli,
ao University World News, boletim
da Unesco dedicado à educação superior
no mundo. "A QS mantém seu compromisso
de produzir pesquisa institucional
de classe mundial e oferecer rankings,
classificações e ferramentas de avaliação
para um número crescente de contextos
geográficos e disciplinares".
O Times Higher Education-QS World
University Rankings foi publicado
pela primeira vez em 2003; a edição
mais recente, de 2009, foi lançada
em outubro.
Zoneamento
― O Conselho Monetário Nacional
(CMN) aprovou no dia 28 de outubro
as resoluções que proíbem a liberação
de crédito para cultivo de cana-de-açúcar
em áreas consideradas inadequadas
pelo Zoneamento
Agroecológico da Cana-de-Açúcar,
instituído pelo decreto 6.961, publicado
no dia 19 de setembro. Dessa forma,
fica regulamentada a proibição de
financiamento para produção nos biomas
Amazônia e Pantanal, na Bacia do Alto
Paraguai e em terras indígenas, informa
a Agência Brasil. Entidades
do setor sucroalcooleiro, apoiadas
por alguns parlamentares, reivindicam
que algumas dessas áreas sejam excluídas
da proibição estabelecida pelo zoneamento,
agora alvo da regulamentação da CMN.
O coordenador-geral da Secretaria
de Política Econômica do Ministério
da Fazenda, Aloisio Melo, reforçou
que está vetado o financiamento para
áreas que o decreto define como inaptas
ao plantio de cana. "Se sair
um projeto de lei mudando serão feitas
alterações, mas a resolução já regulamenta
que onde o decreto diz que não é área
apta está proibido o financiamento",
afirmou para a agência de notícias
do governo.
Monsanto-Embrapa
― A multinacional anunciou
ter repassado R$ 8,3 milhões para
o Fundo de Pesquisa Embrapa e Monsanto
no dia 4 de novembro. Os valores são
oriundos do compartilhamento dos direitos
de propriedade intelectual, a título
de royalties, sobre a comercialização
de variedades de soja da Embrapa com
a tecnologia Roundup Ready na safra
2008/2009. Os recursos serão aplicados
em oito projetos de pesquisa da Embrapa,
escolhidos pelo comitê gestor do Fundo,
todos de biotecnologia. De 2006 até
este ano a Monsanto já repassou ao
Fundo de Pesquisa aproximadamente
R$ 20 milhões. Um dos projetos, que
terá R$ 447 mil, estudará a expressão
de genes envolvidos com a resposta
ao estresse hídrico em plantas transgênicas
de feijoeiro. O objetivo é a obtenção
de plantas de feijão tolerantes à
seca, por meio da expressão de um
gene isolado da soja e outro da mamona.
Outro projeto é uma plataforma tecnológica
para a expressão e a produção de proteínas
recombinantes em plantas, que terá
R$ 690 mil. Para esse estudo, foi
feita uma parceria entre a Embrapa,
o Ludwig Institute for Cancer Research,
o New York Branch of Human Cancer
Immunology at the Memorial Sloam-Ketting
Cancer Center Research e o National
Institutes of Health (NIH). O foco
de atuação da plataforma será a expressão
e a produção de proteínas de interesse
da área médica e da agricultura em
plantas como soja, por exemplo. Outra
pesquisa beneficiada é a "fenotipagem,
avaliação de mecanismos de tolerância
e associação genômica aplicadas ao
desenvolvimento de recursos genéticos
de cereais adaptados à seca",
com R$ 3,3 milhões. O trabalho terá
como objetivo identificar e caracterizar
recursos genéticos e mecanismos fisiológicos
e moleculares de tolerância à seca
em arroz, milho, trigo e sorgo, avaliados
em condições de campo. O Fundo também
continuará a aportar dinheiro nas
pesquisas do Programa de Desenvolvimento
de linhagens de soja geneticamente
modificadas com os genes Bt e RR2,
concomitante à elaboração de um programa
de contenção e rastreamento – Stewardship
― já em execução pela Embrapa
Soja.
"Segunda
geração" ― Nos
EUA, a Food and Drug Administration,
agência de vigilância e regulação
do país, aprovou a comercialização
da primeira variedade de soja com
alto teor de ômega 3, nutriente visto
como benéfico para o funcionamento
do cérebro. A FDA considerou a soja,
da Monsanto, segura para consumo humano.
É o primeiro transgênico de "segunda
geração" que chega ao mercado.
São chamados de segunda geração os
organismos geneticamente modificados
para, de acordo com a indústria, beneficiar
a saúde de seus consumidores. O óleo
da nova soja poderá ser usado para
enriquecimento de alimentos industrializados
a partir da aprovação, no final de
outubro. Espera-se que os primeiros
produtos enriquecidos com ômega 3
cheguem ao mercado no final de 2010
ou inicio de 2011. As informações
são da revista New Scientist.
Em Santos
― O credenciamento provisório
para instalação do parque tecnológico
na região de Santos foi assinado dia
28 de outubro pelo secretário de Desenvolvimento
do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin,
e pelo prefeito de Santos, João Paulo
Tavares Papa, em solenidade no salão
nobre da Prefeitura. Conforme o secretário
Alckmin já havia antecipado
a Inovação,
o parque será voltado às áreas de
petróleo, gás natural, porto, tecnologia
da informação, meio ambiente e logística.
As empresas que já manifestaram interesse
em fazer parte do empreendimento são
a Petrobras, a Usiminas e iniciativas
especializadas em tecnologia da informação.
Os bairros escolhidos, Valongo e Vila
Mathias, têm vocação para receber
empresas de tecnologia focadas em
pesquisa e desenvolvimento. No total,
o município soma seis universidades,
com 35 mil alunos matriculados, além
do Centro Paula Souza, que conta hoje
com 5.961 alunos nas Escolas Técnicas
da Baixada Santista e 1.730 alunos
nas Faculdades de Tecnologia. A Secretaria
de Desenvolvimento, em conjunto com
o Centro Paula Souza, prefeituras
e o setor produtivo, também estuda
a criação de um curso técnico voltado
à área de petróleo e gás natural.
As empresas que se instalam em parques
tecnológicos podem participar do programa
de incentivos fiscais Pró-Parques.
Instituições de apoio e empresas de
base tecnológica poderão utilizar
os créditos acumulados do ICMS apropriados
até 30 de novembro de 2010, ou diferir
o imposto para pagamento de bens e
mercadorias a serem utilizados na
realização de projetos de investimento
nos parques tecnológicos e também
no pagamento do ICMS relativo à importação
de bens destinados ao seu ativo imobilizado.
Com a entrada de Santos no sistema
paulista de parques tecnológicos,
o SPTec, já chegam a nove as iniciativas
com credenciamento provisório no Estado.
A Fundação de Tecnologia e Conhecimento
de Santos será a entidade gestora
do futuro Parque Tecnológico de Santos.
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