Open
innovation ― O
diretor executivo do Centro para Open
Innovation da Universidade da Califórnia
― Berkeley, Henry Chesbrough,
principal palestrante do Open Innovation
Seminar, realizado nos dias 22 e 23
de outubro em São Paulo, afirmou que
a prática da chamada inovação aberta
não significa que os departamentos
de pesquisa, desenvolvimento e inovação
das empresas vão desaparecer ou que
essas atividades serão terceirizadas
pelas companhias. Esses departamentos
e seus gestores apenas passam a ter
um papel diferente e muito mais complexo
a desempenhar. "Não se trata
de eliminação ou terceirização de
P&D, mas da gestão de uma combinação
de P&D interno e externo",
explicou Chesbrough, considerado o
'pai' do conceito de open innovation
e autor de dois livros importantes
sobre o tema: Open Innovation:
The New Imperative for Creating and
Profiting from Technology e Open
Business Models: How to Thrive in
the New Innovation Landscape.
Na inovação aberta, uma empresa busca
conhecimento e tecnologia para desenvolver
novos produtos, processos, modelos
de negócio, etc., em outras empresas,
em universidades e em institutos de
pesquisa, e amplia suas parcerias
para realizar essas atividades. Também
são práticas da inovação aberta o
licenciamento de patentes e a criação
de novas empresas a partir de atividades
de P&D&I, entre outras. A
esse conceito se contrapõe o de inovação
fechada, no qual a empresa recorre
apenas à base interna de conhecimento
e tecnologia. Em sua apresentação,
Chesbrough citou como exemplos a Philips,
que tinha um grande centro de P&D
na Holanda, totalmente fechado fisicamente
e cercado de segurança para garantir
o máximo de sigilo. Em 2003, a Philips
desmontou a estrutura fechada e abriu
o campus para que universidades, institutos
de pesquisa e centros de P&D de
empresas se instalassem ao seu lado
no local, ampliando e se tornando
mais próxima de seus potenciais parceiros.
Chamado de High Tech Campus Eindhoven,
hoje o campus tem 7 mil funcionários
e 75 empresas. Além disso, a Philips
passou a criar spin offs, resultado
de projetos de P&D&I que não
se adequaram à sua estratégia de negócios,
mas que tinham potencial de mercado,
passou a licenciar patentes que não
eram estratégicas para si mesma, e
a incubar novas atividades. Todas
essas ações são típicas do modelo
de open innovation e ampliam
as possibilidades de fazer negócio,
com o aproveitamento mais racional
do conhecimento e da tecnologia que
produz e maior abertura para parcerias.
Outro exemplo citado por ele foi o
da BP, empresa de energia britânica.
A companhia traçou uma estratégia
de longo prazo que identificou a área
de biocombustíveis como muito promissora.
No entanto, a BP só tinha três biólogos
entre seus 100 mil empregados. Não
tendo condições de resolver a crônica
falta de recursos humanos, e pressionada
a agir rapidamente, ela optou por
montar um instituto em bioenergia
aberto, mas que trabalhasse nas áreas
de interesse da BP. Fez uma licitação,
oferecendo US$ 500 milhões em 10 anos
a quem quisesse ajudá-la a montar
o centro. O projeto selecionado foi
o da UC Berkeley. "A universidade
não virou um centro de P&D da
empresa. Há uma parte das pesquisas
desenvolvida de forma aberta, na universidade,
no Laboratório Lawrence Berkeley e
na Universidade de Illinois, e uma
parte feita na BP, fechada",
explicou. A Intel é outra empresa
que segue o open innovation.
Uma das ações nesse sentido, lembrou
Chesbrough, é o fato de a Intel definir
áreas científicas de seu interesse,
determinar a verba que vai alocar
para cada área e pedir para a comunidade
científica apresentar projetos que
atendam essas áreas. Ela também monta
pequenos laboratórios ao lado de universidades
e coloca pesquisadores da academia
para coordenar as iniciativas. Esses
pesquisadores ficam por dois anos
na gestão dos laboratórios e levam
seus alunos de graduação e pós-graduação
para trabalhar nos laboratórios.
Secretaria
do MDIC ― Na
sessão de abertura do VIII Encontro
Nacional de Inovação Tecnológica (Enitec),
em São Paulo, dia 19 de outubro, o
secretário de Tecnologia Industrial
do Ministério do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior (MDIC),
Francelino Grando, anunciou que sua
secretaria será transformada em Secretaria
Nacional de Inovação até o fim deste
ano. Para a mudança, o governo precisará
editar um decreto. "A missão
da nova secretaria será agregar valor
a processos e produtos visando à inserção
competitiva do País em uma economia
sustentável. No século XXI, a única
possibilidade de desenvolvimento é
a sustentável", disse Grando.
O secretário também defendeu a manutenção
e o aprimoramento da Lei 11.196/2005,
dita "do Bem", que prevê,
entre outros benefícios fiscais, a
isenção de PIS/Cofins para computadores.
O governo federal, segundo os jornais,
já decidiu pela prorrogação do benefícios
depois de 31 de dezembro, quando expirariam.
"Defendemos a sustentação da
política para novo período da Lei
do Bem, aprimorada, com maior percentual
de P&D&I para as empresas
[a lei exige como contrapartida
investimentos em P&D – Nota da
E.]. Temos a convicção de que
é muito bem-sucedida," disse
Grando.
Subvenção
concentrada ― Ainda
no Enitec, o consultor da Rede de
Entidades Tecnológicas Setoriais (Rets),
Fernando Varella, apresentou o resumo
de um levantamento sobre o programa
de subvenção econômica no painel Inovação
Tecnológica, Avaliação de Resultados.
Segundo ele, passados três anos do
edital de 2006 apenas 14% dos projetos
financiados foram finalizados. "Além
de poucos, eles não representam necessariamente
produtos inseridos com sucesso no
mercado. São apenas projetos com etapas
de desenvolvimento encerradas",
ressaltou. Ele disse, ainda, que a
repetição de empresas tem causado,
ao longo dos quatro editais, uma concentração
expressiva de recursos. O consultor
apontou que, desde 2006, 19% das empresas
receberam R$ 694 milhões da Finep,
o que corresponde a 47,7% do total
de recursos disponibilizados pela
financiadora nos quatro anos do programa.
E, em 2009, a concentração se repete,
especialmente entre as micro e pequenas
empresas. Segundo Varella, 33 microempresas
obtiveram R$ 119 milhões para o financiamento
de seus projetos em 2009. Em 17% desses
casos, o valor excedia o teto de faturamento
anual da faixa desse porte de empresa,
o que ele afirma ser prejudicial para
as microempresas. "O peso desse
dinheiro faz com que as empresas possam
desabar. Elas não têm estrutura financeira
para gerir esses recursos, principalmente
se houver falha no pagamento das parcelas,
além de ser um risco para o dinheiro
público maior do que o esperado",
apontou.
SP
corta emissão ― A
Assembleia Legislativa de São Paulo
aprovou no dia 13 de outubro o projeto
de lei 01/2009, que prevê corte, até
2020, de 20% nas emissões de gases
de efeito estufa. O PL 01 institui
a Política Estadual de Mudanças Climáticas
e determina, além do corte de 20%,
a criação de um conselho para acompanhar
as iniciativas relacionadas à nova
lei, o que também foi aprovado sem
mudanças. O projeto prevê ainda investimento
em pesquisas, treinamentos e campanhas
educacionais, além da concessão de
incentivos fiscais para quem diminuir
suas emissões e a criação de programas
de reflorestamento. Não foi divulgado,
porém, o montante de recursos a ser
depositado nessas ações. Pela lei
aprovada, o Estado tem até dezembro
de 2010 para realizar e publicar um
inventário de emissões, e dois anos
para implantar o zoneamento ecológico-econômico.
Ao jornal O Estado de S. Paulo,
o deputado estadual Adriano Diogo
(PT), da oposição, disse que a legislação
é "incolor, inodora e insípida
e muito vaga." Por outro lado,
para o secretário do Meio Ambiente
de São Paulo, Xico Graziano, "São
Paulo agora tem uma lei moderna, com
compromissos. Entendemos o desafio
como oportunidade para construir uma
economia verde." Com a aprovação
da lei, São Paulo passa a ser o primeiro
Estado a ter uma meta para redução
de gases estufa. O projeto segue para
sanção do governador José Serra.
Caças
na Câmara ― Os
representantes das empresas Boeing
(norte-americana), Dassault (francesa)
e Saab (sueca) garantiram transferência
de tecnologia caso ganhem a aprovação
do governo brasileiro para vender
36 caças destinados ao reaparelhamento
da Força Aérea Brasileira (FAB). Em
audiência realizada pela Comissão
de Ciência e Tecnologia, Comunicação
e Informática da Câmara dos Deputados
no dia 14 de outubro em Brasília,
as empresas asseguraram que cumprirão
as exigências de transferência de
tecnologia feitas pela FAB, e que
montarão parte ou todas as aeronaves
no Brasil. Tentando reverter a ideia
de que a transferência de tecnologia
de equipamentos militares envolvendo
os Estados Unidos seria um empecilho
à escolha dos caças norte-americanos
(Super Hornet), o vice-presidente
da Boeing, Robert Gower, enfatizou
em sua apresentação que todas as autorizações
legais, inclusive do Congresso nos
EUA, já foram obtidas para a transferência
de tecnologia na eventual venda dos
caças da empresa ao Brasil. Gower
afirmou que a compra dos caças com
transferência de tecnologia irá assegurar
ao Brasil um aumento na sua participação
global como fornecedor, já que os
EUA são o maior mercado do mundo.
O diretor da Dassault International
do Brasil, Jean-Marc Merialdo, afirmou
que a França domina completamente
as tecnologias necessárias para a
concepção, o desenvolvimento, a produção
e a manutenção de aviões de combate,
e que a autorização do governo francês
para a transferência de tecnologia
precede a proposta comercial. "A
totalidade dos sistemas e subsistemas
que constituem o avião Rafale são
de concepção e produção francesas
―, portanto, de propriedade
industrial francesa ― e não
demanda de autorização de outros países",
disse, ao comentar que os desdobramentos
de uma compra como essa, envolvendo
transferência de tecnologia, vão além
do setor aeronáutico, alcançando também
indústrias estratégicas nos campos
de energia, meio ambiente e ciências
biológicas, entre outros. O vice-ministro
para o Comércio Exterior da Suécia,
Gunnar Weslander, que falou pela escolha
dos caças da Saab, destacou o papel
dos governos no fomento ao desenvolvimento
da tecnologia por meio de compras
governamentais. O diretor da Saab
no Brasil, Bengt Janér, informou que
a proposta da empresa à FAB "cumpriu
e excedeu" o que foi solicitado
em termos de transferência de tecnologia.
Ele enfatizou ainda que a tec nologia
recebida poderá ser utilizada sem
qualquer restrição para sua aplicação
comercial. Segundo ele, a Saab e a
Embraer são empresas que possuem tecnologias
próprias, complementares e não competidoras,
e que teriam uma experiência de sucesso.
André Furtado, professor da Unicamp
que participou da audiência, destacou
que o gasto militar é fundamental
para a formação de fornecedores nacionais,
que se enfraqueceram ao longo do tempo.
Para ele, é uma oportunidade para
capacitar fornecedores nacionais para
oferta de produtos e serviços no mercado
externo. "O Brasil tem de ter
uma capacidade real de domínio tecnológico,
para que não sejam necessárias aquisições
de produtos prontos no exterior",
disse o diretor-presidente da Associação
das Indústrias Aeroespaciais do Brasil
(AIAB), Walter Bartels. O deputado
Emanuel Fernandes (PSDB-SP), co-autor
do requerimento para a realização
da audiência, afirmou que o governo
brasileiro tem de escutar a FAB e
levar em conta a sua expertise.
Os ministros da Defesa, Nelson Jobim,
e da Ciência e Tecnologia, Sergio
Rezende, e o diretor-presidente da
Embraer, Frederico Fleury, foram convidados,
mas não compareceram ao debate. A
audiência pública teve também a presença
de integrantes da Comissão de Relações
Exteriores e de Defesa Nacional da
Câmara dos Deputados.
Prosoft
― O BNDES aumentou
de R$ 1 bilhão para R$ 5 bilhões o
volume de recursos para o Programa
para o Desenvolvimento da Indústria
Nacional de Software e Serviços
de Tecnologia e Informação (Prosoft).
O acréscimo de recursos foi aprovado
pela direção do banco em função do
crescimento da demanda. Até julho
de 2009, a carteira acumulada de projetos
somou R$ 2,8 bilhões, equivalentes
a quase 300 operações, concentradas
nos últimos três anos, embora o programa
tenha sido criado em 1999. As operações
destinadas às micro, pequenas e médias
empresas são responsáveis por cerca
de 85% do total da carteira de projetos.
Em 2006, as contratações acumuladas
somavam cerca de R$ 425 milhões. O
programa tem três subdivisões: o Prosoft
― Empresa apoia investimentos
e planos de negócios de companhias
de software e de serviços de
Tecnologia da Informação (TI) por
meio de financiamento e participação
acionária; o Prosoft ― Comercialização
financia a aquisição de programas
desenvolvidos no Brasil; e o Prosoft
― Exportação apoia, na fase
de pré-embarque, o desenvolvimento
de software e de TI destinados
à exportação, e, no pós-embarque,
financia a comercialização, no exterior,
dos produtos elaborados no Brasil.
O programa vai até 31 de julho de
2012.
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