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CURTÍSSIMAS

Publicada em 26 de outubro de 2009

Open innovationO diretor executivo do Centro para Open Innovation da Universidade da Califórnia ― Berkeley, Henry Chesbrough, principal palestrante do Open Innovation Seminar, realizado nos dias 22 e 23 de outubro em São Paulo, afirmou que a prática da chamada inovação aberta não significa que os departamentos de pesquisa, desenvolvimento e inovação das empresas vão desaparecer ou que essas atividades serão terceirizadas pelas companhias. Esses departamentos e seus gestores apenas passam a ter um papel diferente e muito mais complexo a desempenhar. "Não se trata de eliminação ou terceirização de P&D, mas da gestão de uma combinação de P&D interno e externo", explicou Chesbrough, considerado o 'pai' do conceito de open innovation e autor de dois livros importantes sobre o tema: Open Innovation: The New Imperative for Creating and Profiting from Technology e Open Business Models: How to Thrive in the New Innovation Landscape. Na inovação aberta, uma empresa busca conhecimento e tecnologia para desenvolver novos produtos, processos, modelos de negócio, etc., em outras empresas, em universidades e em institutos de pesquisa, e amplia suas parcerias para realizar essas atividades. Também são práticas da inovação aberta o licenciamento de patentes e a criação de novas empresas a partir de atividades de P&D&I, entre outras. A esse conceito se contrapõe o de inovação fechada, no qual a empresa recorre apenas à base interna de conhecimento e tecnologia. Em sua apresentação, Chesbrough citou como exemplos a Philips, que tinha um grande centro de P&D na Holanda, totalmente fechado fisicamente e cercado de segurança para garantir o máximo de sigilo. Em 2003, a Philips desmontou a estrutura fechada e abriu o campus para que universidades, institutos de pesquisa e centros de P&D de empresas se instalassem ao seu lado no local, ampliando e se tornando mais próxima de seus potenciais parceiros. Chamado de High Tech Campus Eindhoven, hoje o campus tem 7 mil funcionários e 75 empresas. Além disso, a Philips passou a criar spin offs, resultado de projetos de P&D&I que não se adequaram à sua estratégia de negócios, mas que tinham potencial de mercado, passou a licenciar patentes que não eram estratégicas para si mesma, e a incubar novas atividades. Todas essas ações são típicas do modelo de open innovation e ampliam as possibilidades de fazer negócio, com o aproveitamento mais racional do conhecimento e da tecnologia que produz e maior abertura para parcerias. Outro exemplo citado por ele foi o da BP, empresa de energia britânica. A companhia traçou uma estratégia de longo prazo que identificou a área de biocombustíveis como muito promissora. No entanto, a BP só tinha três biólogos entre seus 100 mil empregados. Não tendo condições de resolver a crônica falta de recursos humanos, e pressionada a agir rapidamente, ela optou por montar um instituto em bioenergia aberto, mas que trabalhasse nas áreas de interesse da BP. Fez uma licitação, oferecendo US$ 500 milhões em 10 anos a quem quisesse ajudá-la a montar o centro. O projeto selecionado foi o da UC Berkeley. "A universidade não virou um centro de P&D da empresa. Há uma parte das pesquisas desenvolvida de forma aberta, na universidade, no Laboratório Lawrence Berkeley e na Universidade de Illinois, e uma parte feita na BP, fechada", explicou. A Intel é outra empresa que segue o open innovation. Uma das ações nesse sentido, lembrou Chesbrough, é o fato de a Intel definir áreas científicas de seu interesse, determinar a verba que vai alocar para cada área e pedir para a comunidade científica apresentar projetos que atendam essas áreas. Ela também monta pequenos laboratórios ao lado de universidades e coloca pesquisadores da academia para coordenar as iniciativas. Esses pesquisadores ficam por dois anos na gestão dos laboratórios e levam seus alunos de graduação e pós-graduação para trabalhar nos laboratórios.

Secretaria do MDICNa sessão de abertura do VIII Encontro Nacional de Inovação Tecnológica (Enitec), em São Paulo, dia 19 de outubro, o secretário de Tecnologia Industrial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Francelino Grando, anunciou que sua secretaria será transformada em Secretaria Nacional de Inovação até o fim deste ano. Para a mudança, o governo precisará editar um decreto. "A missão da nova secretaria será agregar valor a processos e produtos visando à inserção competitiva do País em uma economia sustentável. No século XXI, a única possibilidade de desenvolvimento é a sustentável", disse Grando. O secretário também defendeu a manutenção e o aprimoramento da Lei 11.196/2005, dita "do Bem", que prevê, entre outros benefícios fiscais, a isenção de PIS/Cofins para computadores. O governo federal, segundo os jornais, já decidiu pela prorrogação do benefícios depois de 31 de dezembro, quando expirariam. "Defendemos a sustentação da política para novo período da Lei do Bem, aprimorada, com maior percentual de P&D&I para as empresas [a lei exige como contrapartida investimentos em P&D – Nota da E.]. Temos a convicção de que é muito bem-sucedida," disse Grando.

Subvenção concentrada ― Ainda no Enitec, o consultor da Rede de Entidades Tecnológicas Setoriais (Rets), Fernando Varella, apresentou o resumo de um levantamento sobre o programa de subvenção econômica no painel Inovação Tecnológica, Avaliação de Resultados. Segundo ele, passados três anos do edital de 2006 apenas 14% dos projetos financiados foram finalizados. "Além de poucos, eles não representam necessariamente produtos inseridos com sucesso no mercado. São apenas projetos com etapas de desenvolvimento encerradas", ressaltou. Ele disse, ainda, que a repetição de empresas tem causado, ao longo dos quatro editais, uma concentração expressiva de recursos. O consultor apontou que, desde 2006, 19% das empresas receberam R$ 694 milhões da Finep, o que corresponde a 47,7% do total de recursos disponibilizados pela financiadora nos quatro anos do programa. E, em 2009, a concentração se repete, especialmente entre as micro e pequenas empresas. Segundo Varella, 33 microempresas obtiveram R$ 119 milhões para o financiamento de seus projetos em 2009. Em 17% desses casos, o valor excedia o teto de faturamento anual da faixa desse porte de empresa, o que ele afirma ser prejudicial para as microempresas. "O peso desse dinheiro faz com que as empresas possam desabar. Elas não têm estrutura financeira para gerir esses recursos, principalmente se houver falha no pagamento das parcelas, além de ser um risco para o dinheiro público maior do que o esperado", apontou.

SP corta emissãoA Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou no dia 13 de outubro o projeto de lei 01/2009, que prevê corte, até 2020, de 20% nas emissões de gases de efeito estufa. O PL 01 institui a Política Estadual de Mudanças Climáticas e determina, além do corte de 20%, a criação de um conselho para acompanhar as iniciativas relacionadas à nova lei, o que também foi aprovado sem mudanças. O projeto prevê ainda investimento em pesquisas, treinamentos e campanhas educacionais, além da concessão de incentivos fiscais para quem diminuir suas emissões e a criação de programas de reflorestamento. Não foi divulgado, porém, o montante de recursos a ser depositado nessas ações. Pela lei aprovada, o Estado tem até dezembro de 2010 para realizar e publicar um inventário de emissões, e dois anos para implantar o zoneamento ecológico-econômico. Ao jornal O Estado de S. Paulo, o deputado estadual Adriano Diogo (PT), da oposição, disse que a legislação é "incolor, inodora e insípida e muito vaga." Por outro lado, para o secretário do Meio Ambiente de São Paulo, Xico Graziano, "São Paulo agora tem uma lei moderna, com compromissos. Entendemos o desafio como oportunidade para construir uma economia verde." Com a aprovação da lei, São Paulo passa a ser o primeiro Estado a ter uma meta para redução de gases estufa. O projeto segue para sanção do governador José Serra.

Caças na CâmaraOs representantes das empresas Boeing (norte-americana), Dassault (francesa) e Saab (sueca) garantiram transferência de tecnologia caso ganhem a aprovação do governo brasileiro para vender 36 caças destinados ao reaparelhamento da Força Aérea Brasileira (FAB). Em audiência realizada pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados no dia 14 de outubro em Brasília, as empresas asseguraram que cumprirão as exigências de transferência de tecnologia feitas pela FAB, e que montarão parte ou todas as aeronaves no Brasil. Tentando reverter a ideia de que a transferência de tecnologia de equipamentos militares envolvendo os Estados Unidos seria um empecilho à escolha dos caças norte-americanos (Super Hornet), o vice-presidente da Boeing, Robert Gower, enfatizou em sua apresentação que todas as autorizações legais, inclusive do Congresso nos EUA, já foram obtidas para a transferência de tecnologia na eventual venda dos caças da empresa ao Brasil. Gower afirmou que a compra dos caças com transferência de tecnologia irá assegurar ao Brasil um aumento na sua participação global como fornecedor, já que os EUA são o maior mercado do mundo. O diretor da Dassault International do Brasil, Jean-Marc Merialdo, afirmou que a França domina completamente as tecnologias necessárias para a concepção, o desenvolvimento, a produção e a manutenção de aviões de combate, e que a autorização do governo francês para a transferência de tecnologia precede a proposta comercial. "A totalidade dos sistemas e subsistemas que constituem o avião Rafale são de concepção e produção francesas ―, portanto, de propriedade industrial francesa ― e não demanda de autorização de outros países", disse, ao comentar que os desdobramentos de uma compra como essa, envolvendo transferência de tecnologia, vão além do setor aeronáutico, alcançando também indústrias estratégicas nos campos de energia, meio ambiente e ciências biológicas, entre outros. O vice-ministro para o Comércio Exterior da Suécia, Gunnar Weslander, que falou pela escolha dos caças da Saab, destacou o papel dos governos no fomento ao desenvolvimento da tecnologia por meio de compras governamentais. O diretor da Saab no Brasil, Bengt Janér, informou que a proposta da empresa à FAB "cumpriu e excedeu" o que foi solicitado em termos de transferência de tecnologia. Ele enfatizou ainda que a tec nologia recebida poderá ser utilizada sem qualquer restrição para sua aplicação comercial. Segundo ele, a Saab e a Embraer são empresas que possuem tecnologias próprias, complementares e não competidoras, e que teriam uma experiência de sucesso. André Furtado, professor da Unicamp que participou da audiência, destacou que o gasto militar é fundamental para a formação de fornecedores nacionais, que se enfraqueceram ao longo do tempo. Para ele, é uma oportunidade para capacitar fornecedores nacionais para oferta de produtos e serviços no mercado externo. "O Brasil tem de ter uma capacidade real de domínio tecnológico, para que não sejam necessárias aquisições de produtos prontos no exterior", disse o diretor-presidente da Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil (AIAB), Walter Bartels. O deputado Emanuel Fernandes (PSDB-SP), co-autor do requerimento para a realização da audiência, afirmou que o governo brasileiro tem de escutar a FAB e levar em conta a sua expertise. Os ministros da Defesa, Nelson Jobim, e da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, e o diretor-presidente da Embraer, Frederico Fleury, foram convidados, mas não compareceram ao debate. A audiência pública teve também a presença de integrantes da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados.

Prosoft O BNDES aumentou de R$ 1 bilhão para R$ 5 bilhões o volume de recursos para o Programa para o Desenvolvimento da Indústria Nacional de Software e Serviços de Tecnologia e Informação (Prosoft). O acréscimo de recursos foi aprovado pela direção do banco em função do crescimento da demanda. Até julho de 2009, a carteira acumulada de projetos somou R$ 2,8 bilhões, equivalentes a quase 300 operações, concentradas nos últimos três anos, embora o programa tenha sido criado em 1999. As operações destinadas às micro, pequenas e médias empresas são responsáveis por cerca de 85% do total da carteira de projetos. Em 2006, as contratações acumuladas somavam cerca de R$ 425 milhões. O programa tem três subdivisões: o Prosoft ― Empresa apoia investimentos e planos de negócios de companhias de software e de serviços de Tecnologia da Informação (TI) por meio de financiamento e participação acionária; o Prosoft ― Comercialização financia a aquisição de programas desenvolvidos no Brasil; e o Prosoft ― Exportação apoia, na fase de pré-embarque, o desenvolvimento de software e de TI destinados à exportação, e, no pós-embarque, financia a comercialização, no exterior, dos produtos elaborados no Brasil. O programa vai até 31 de julho de 2012.

 


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