INOVAÇÃO UNICAMP
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CURTÍSSIMAS

Publicada em 13 de abril 2009

Novo reitor — O novo reitor da Unicamp, Fernando Ferreira Costa, tomou posse dia 17 de abril em cerimônia que lotou os auditórios do Centro de Convenções da universidade. O prefeito de Campinas, Hélio de Oliveira Santos, e o secretário estadual de Ensino Superior, Carlos Vogt, que representou o governador José Serra, foram algumas das várias autoridades presentes. "Um dos principais desafios da Unicamp nos próximos anos será promover uma análise da estrutura curricular de seus cursos de graduação, com vistas não só à atualização dos conteúdos e disciplinas, mas também à racionalização dos recursos físicos e humanos", destacou Fernando Costa em seu primeiro discurso como reitor. Eleito para o período 2009-2013, o médico hematologista já havia destacado esse ponto em entrevista concedida ao jornal O Estado de S. Paulo, publicada em 8 de abril. "Um aluno que estuda engenharia mecânica, por exemplo, precisa ter aulas de artes, arquitetura, economia também", disse ele na entrevista. Para o novo reitor, a Unicamp poderia se inspirar em modelos de instituições do exterior para criar um programa mais abrangente. Hoje, explicou ele ao jornal paulista, os estudantes têm a possibilidade apenas "em teoria" de cursar matérias de outras áreas, pois as cargas horárias de disciplinas profissionais são tão altas que acabam inviabilizando o processo. Fernando Costa revelou que um dos seus objetivos é fortalecer a graduação. "Queremos incentivar os melhores professores a dar aulas na graduação." Ele também quer aumentar o número de intercâmbios com instituições estrangeiras. Atualmente, cerca de 10% dos alunos da Unicamp fazem parte do curso em universidades fora do País. A ideia é aumentar para 30%. O novo reitor disse, ainda, considerar válido o estudo da possibilidade de unificação da primeira fase dos vestibulares da Unicamp, da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp), proposta que surgiu na reunião do Conselho Estadual de Educação (CEE) realizada na primeira semana de abril.

CanaVialis — A empresa de melhoramento genético de cana-de-açúcar teve 3.888 mudas do cultivo apreendidas em sua sede, em Campinas (SP), no dia 25 de março. A apreensão das mudas foi feita pelo escritório de representação da Procuradoria Regional Federal da 3ª Região em Campinas e da Procuradoria Federal da Universidade de Viçosa (UFV), com apoio da Polícia Federal, em operação que durou mais que 20 horas e resultou de medida da 5ª Vara Federal de Belo Horizonte, que acolheu pedido da UFV. As mudas, da variedade RB 857515, foram desenvolvidas em laboratório da universidade por Márcio Barbosa, professor e doutor da instituição. A universidade integra a Rede Interuniversitária de Desenvolvimento do Setor Sucroalcooleiro (Ridesa), que substituiu o Planalsucar, o Programa Nacional de Melhoramento Genético da Cana-de-Açúcar, criado no Proálcool e desativado pelo governo Collor. Todas as variedades RB são originárias dessa rede de pesquisa. A sigla significa República do Brasil. A variedade RB 857515 está registrada no Ministério da Agricultura, sob o certificado nº 00271. O registro obriga as empresas que utilizam essas variedades a pagar royalties à UFV, posteriormente revertidos para atividades de pesquisa. A UFV alega que as mudas estavam sendo utilizadas indevidamente pela CanaVialis e que a empresa não teria pago os royalties. Barbosa disse ao jornal Valor Econômico, que divulgou a notícia sobre a apreensão no dia 8 de abril, que a CanaVialis estaria multiplicando essa variedade a pedido de seus clientes e negociando as mudas no mercado. A variedade RB 857515 é considerada rústica e tem alta produtividade. De acordo com Barbosa, essa muda ocupa cerca de 1,5 milhão de hectares hoje no Brasil. Em nota, a Monsanto, dona da CanaVialis, admitiu que oficiais de justiça apreenderam as mudas e explicou tratar-se de uma ação judicial datada de 2007, anterior à aquisição da empresa pela multinacional. A nota diz ainda que as mudas apreendidas pertenciam a clientes da CanaVialis e encontravam-se nas dependências da empresa para beneficiamento (limpeza de patógenos). Uma pessoa ligada ao setor e ouvida pelo Valor disse que a CanaVialis realiza esse tipo de serviço para as usinas. São elas que pagam os royalties, ao comprar as variedades. Segundo a Advocacia Geral da União, que representa a UFV, a CanaVialis resistiu inicialmente à apreensão das mudas, o que obrigou a Procuradoria a obter um mandato na 4º Vara Federal de Campinas. As mudas foram encaminhadas ao Centro de Experimento de Cana-de-Açúcar da UFV, em Ponte Nova (MG).

Parques — O Diário Oficial do Estado de São Paulo publicou no dia 2 de abril o decreto 54.196, do governador José Serra (PSDB), que regulamenta o Sistema Paulista de Parques Tecnológicos (SPTec) e define as entidades de apoio e empresas de base tecnológica que poderão se beneficiar dos incentivos estaduais. A publicação atualiza o decreto anterior (nº 50.504), de fevereiro de 2006, que instituiu o SPTec. O decreto dá nova definição a parques tecnológicos e traça diretrizes para ações do sistema paulista. A Secretaria de Desenvolvimento tem sete parques pré-credenciados e outros nove poderão ainda ser criados, somando 13 municípios envolvidos. Na nova definição de parques trazida pelo decreto, fica explícita a necessidade de interação entre instituições de pesquisa e empreendedores. Isso porque os parques são ambientes de pesquisa, desenvolvimento e inovação, e não devem ser confundidos com distritos industriais. O decreto define ainda que entidades de apoio e empresas de base tecnológica poderão fazer parte do empreendimento e se beneficiar dos incentivos oferecidos pelo governo estadual. Também esclarece que o governo apoiará os empreendimentos, mas não será empreendedor de parques. A responsabilidade do governo é apenas gerir o sistema. O decreto permite um pré-credenciamento temporário para quem quiser se inserir no sistema e criar um novo parque. Esse pré-credenciamento tem dois anos de validade. O decreto define, ainda, a metodologia para se inscrever no sistema de parques. Por fim, explicita os tipos de apoio que o Estado poderá proporcionar aos parques do SPTec: ajudar a aperfeiçoar o planejamento dos empreendimentos e na instalação de núcleos, incubadoras e laboratórios. O governo já havia adotado outra medida para fomentar os parques tecnológicos, com a publicação do decreto Pró-Parques, nº 53.826, de dezembro de 2008, que concede incentivos às empresas que se instalarem em parques do SPTec.

P&D em Defesa — O governo federal prevê a aplicação este ano de R$ 188,7 milhões em 25 projetos da área de defesa, desenvolvidos pelos centros de tecnologia das Forças Armadas em parceria com empresas privadas. Esses recursos devem vir do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), segundo o boletim Em Questão, distribuído pela Presidência da República. Entre os projetos a receber esses recursos estão os dos radares SABER M-60 e SABER-200, do Exército; o do Vant (Veículo Aéreo Não Tripulado), da Aeronáutica; e o de desenvolvimento de fibra de carbono de alto desempenho, da Marinha. Os números foram apresentados no dia 7 de abril pelo diretor do Departamento de Mobilização (DEPMOB), general-de-divisão Adriano Pereira Jr., em palestra no seminário "Estratégia de Defesa Nacional e a Indústria Brasileira", realizado na Câmara dos Deputados. O DEPMOB integra a Secretaria de Ensino, Logística, Mobilização, Ciência e Tecnologia (Selom) do Ministério da Defesa. O general defendeu, no seminário, algumas ações para estimular a indústria de defesa nacional. Falou da necessidade de atualização da Política Nacional da Indústria de Defesa, para a qual uma primeira versão já foi apresentada ao Ministério da Defesa, e de alterações na Lei 8.666, a Lei de Licitações, de forma a incentivar a compra de tecnologia nacional; e da concessão de garantia para exportação do produto de defesa nacional. O general também lembrou a escassez de recursos ao longo dos anos, que vem impedindo o reaparelhamento do Exército, da Marinha e da Aeronáutica. As Forças Armadas estão revisando seus planos de reaparelhamento e apontando metas para tal, olhando para o longo prazo (até 2030), o que deve ser submetido também ao Ministério da Defesa. O general também explicou como deve ser uma política de compras do governo para o setor, que não trabalha com produtos já prontos, chamados "de prateleira". Essa política precisa ser previsível, exatamente pelo fato de os produtos não estarem prontos. Isso requer um planejamento de compras antecipado, de modo a dar à indústria nacional tempo para produzir os equipamentos. Ou seja, seria preciso um "programa de governo de aquisição de produtos de defesa", que teria duas bases de apoio: um programa orçamentário plurianual e o orçamento anual.

Subvenção — A chamada pública do programa Subvenção Econômica de 2009, encerrada no dia 3 de abril, recebeu 2.558 propostas, divulgou a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) no dia 7 de abril. O diretor de inovação da Finep, Eduardo Costa, disse que o número de inscritos "foi uma surpresa positiva", porque para este ano as empresas tinham de apresentar uma proposta completa, daí a agência esperar menos inscrições. Nos anos anteriores, a Finep lançava um primeiro edital para que as empresas apresentassem uma espécie de pré-projeto. Depois, os aprovados na primeira fase enviavam um projeto completo, e só aí a Finep fazia a análise final e aprovava os melhores. A área de Tecnologias da Informação e Comunicação foi a que recebeu mais inscrições: 1.079, representando 42% do total. Em seguida, vieram a área de Saúde, com 393 projetos (15%) e a de Desenvolvimento Social, com 370 (14%). Já em Biotecnologia, foram 257 propostas (10%). A área de Defesa Nacional e Segurança Pública teve 249 inscritos, representando 9,7%, e a de Energia, 210 (8,2%). A demanda total das propostas recebidas chegou a R$ 5,2 bilhões, bem abaixo de anos anteriores, quando ultrapassou os R$ 10 bilhões. Isso porque este ano o valor dos projetos foi limitado a R$ 10 milhões. Cada projeto será avaliado de acordo com cinco critérios: grau de inovação da proposta; efetividade do projeto na solução dos problemas; impacto no mercado; viabilidade técnica e financeira e capacitação técnica da equipe executora. A divulgação do resultado preliminar é esperada para a partir do dia 1º de junho.

Prêmio — João Meidanis e João Setúbal, ex-coordenadores do Laboratório de Bioinformática (LBI) do Instituto de Computação da Unicamp, estiveram entre os ganhadores do prêmio Distinguished Innovators, concedido pela Business Software Alliance (BSA), principal associação da indústria de software mundial. O prêmio foi concedido pelo desenvolvimento de softwares de sequenciamento genético com base na Internet, feito pelos dois pesquisadores no âmbito do Programa Genoma, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que resultou no sequenciamento completo do DNA da bactéria Xylella fastidiosa — agente patogênico que afeta a cultura de cítricos. O prêmio é um reconhecimento da contribuição de indivíduos e organizações para a implementação de tecnologias da informação que tragam benefícios econômicos e sociais a seus países. Foi entregue no fim de março em São Paulo, durante o Fórum de Tecnologia, Inovação e Progresso. Meidanis hoje é professor da Unicamp e presidente da empresa Scylla Informática. Setúbal é professor do Instituto de Bioinformática da Virgínia e do Instituto Politécnico e Universidade Estadual da Virgínia (Virginia Tech), nos Estados Unidos.

 

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