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Política Industrial,
centro gaúcho de prototipagem
Edital de R$ 5,4 milhões
para levantar a instalação
do Ceitec
anima os pesquisadores, quatro anos depois
da criação do Centro
O Ministério
da Ciência e Tecnologia (MCT) anunciou
o lançamento de um edital no valor
de R$ 5,4 milhões para o Centro de
Excelência em Tecnologia Avançada
(Ceitec), situado em Porto Alegre. O valor
será aplicado na licitação
do prédio para abrigar um centro
de design de chips e no plano
para o estabelecimento de planta para fabricação
em pequena escala. "Viabilizar a instalação
do Centro Gaúcho de Prototipagem",
a partir do Ceitec, é uma das medidas
para a área de semicondutores incluída
no detalhamento da Política Industrial,
Tecnológica e de Comércio
Exterior apresentado pelo governo no dia
31 de março último. A Motorola
doou os equipamentos ao Ceitec em 2002.
Sérgio
Dias, diretor presidente do Centro, explica
o que pretende o Ceitec. Segundo ele, a
missão do centro é formar
recursos humanos e ajudar o Brasil a se
inserir no mercado de fabricação
de chips. "Vamos fazer pesquisa
e desenvolvimento e teremos uma pesada relação
com a área industrial, desenvolvendo
chips que serão usados pela
indústria." Dias conta que essa
transferência pode se dar partindo
de projetos de chips desenvolvidos
pelo Ceitec, em parceria com centros de
pesquisa e universidades, ou de encomendas
feitas ao centro por uma empresa. Com a
sala limpa, o Ceitec poderá construir
pequenos lotes. "Dependendo do consumo,
poderemos fazer toda a produção
também", acrescenta o diretor.
O orçamento
A estrutura
do Ceitec é formada, basicamente,
pelo centro de design, núcleo
que fará o projeto dos chips
em computadores, criando a forma dos circuitos,
e pela sala limpa, onde são fabricados
os chips. O Ceitec ficou praticamente
parado até o ano passado, basicamente
por falta de investimento do governo. Conseguiu
fazer o projeto básico e estudo de
mercado. Recebeu um terreno de 6 mil hectares,
doado pela Prefeitura de Porto Alegre. Em
2003, obteve da Finep R$ 7,5 milhões
- R$ 5,8 milhões vindos de emenda
parlamentar dentro do Fundo Nacional para
o Desenvolvimento Científico e Tecnológico
(FNDCT) e R$ 1,7 milhão originários
do Fundo Verde-Amarelo, informa o diretor
de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
da Finep, Odilon Marcuzzo do Canto. Os recursos
da Finep foram voltados para a elaboração
do projeto do centro de design, de
acordo com Sérgio Dias.
Em 2004,
devem começar a construção
do núcleo de design e a compra
de equipamentos para ele, pois os existentes
até agora são para a prototipagem
dos chips. "Esperamos ter o
núcleo pronto até o final
deste ano", afirma Dias. Segundo o
ministro da Ciência e Tecnologia,
Eduardo Campos, o edital de R$ 5,4 milhões
será para a primeira etapa das obras
e para a execução do projeto
da sala limpa. Henrique de Oliveira Miguel,
coordenador-geral de microeletrônica
da Secretaria de Política de Informática
e Tecnologia (Seitec) do MCT, conta que
o orçamento de 2004 para o Ceitec
é de R$ 6.022.741,00.
A construção
da sala limpa, necessária para a
prototipagem, é mais complicada.
Trata-se de um ambiente em que a concentração
de partículas no ar, a temperatura,
a umidade e a pressão são
controladas e sua construção
minimiza a entrada de partículas
no seu interior. A obra está orçada
em um valor entre R$ 80 e R$ 90 milhões,
de acordo com Sérgio Dias. O projeto
engloba a construção de uma
sala limpa de 800 metros quadrados com ambientes
classes 10 e 100, e outra com 500 metros
quadrados com ambiente classe 10.000. Os
índices numéricos indicam
o nível de pureza do ar. Quanto menor
o número da classe, maior o grau
de pureza do ambiente. Além disso,
é necessária uma infra-estrutura
de apoio ao funcionamento das salas limpas,
também constante no projeto.
Sérgio
Dias explica que R$ 40 milhões estão
previstos para o Ceitec no Programa Plurianual
do MCT, para 2004 a 2007. O PPA está
sendo revisto pelo ministro Eduardo Campos,
mas, pelo menos por enquanto, prevê
para o Centro metade do valor que precisaria
ser investido apenas para se fazer a sala
limpa. "Decidimos na reunião
de 5 de abril do conselho que a obra física
da sala limpa vai ser responsabilidade do
MCT. O governo está agora definindo
de onde sairão os recursos para o
Ceitec. O fato de termos os recursos garantidos
do MCT não significa que não
termos de utilizar recursos de outras fontes",
afirma.
Dias diz
também que os recursos podem ser
captados de outros fundos e órgãos
além do MCT, mas que quem vai fazer
essa captação será
o ministério. Henrique de Oliveira
Miguel, do MCT, explica que por integrar
a política industrial, o Ceitec poderá
contar com novos recursos. O governo ainda
estuda as fontes de recurso para financiar
as medidas da política industrial.
O ministro da Ciência e Tecnologia,
Eduardo Campos, afirma que o orçamento
total do Ceitec é de R$ 122 milhões.
Uma das
dificuldades do Cietec na questão
do recebimento de verbas públicas
é que ele é uma associação
sem fins lucrativos. Precisaria ser qualificada
como organização social para
receber recursos orçamentários.
"Essa formatação jurídica
dificulta porque só recebemos financiamento
via projetos", afirma. "Estamos
dois anos atrasados, já era para
termos os primeiros lotes de chips, mas
agora, se tudo correr dentro do previsto,
só os teremos no final de 2005 ou
começo de 2006", completa.
Olhar o mercado
Para um
dos diretores do Departamento de Competitividade
e Tecnologia (Decomtec) da Fiesp, Flavio
Grynszpan, o Ceitec precisa de um plano
de negócios. "Deve-se fazer
um business plan para o Centro, o
MCT seria apenas um pedaço. O laboratório
precisa se manter ao longo do tempo",
afirma o empresário, que era presidente
da Motorola na época da doação
dos equipamentos de prototipagem para a
USP, em 1997. Para ele, um plano de negócios
poderia ajudar a definir qual papel o Ceitec
irá ocupar.
"É
preciso estar sensível à realidade
do mercado. Não adianta formar doutor
se não tem empresa em microeletrônica",
exemplifica. "O gargalo da microeletrônica
no Brasil é a falta de empresas que
viabilizem o negócio. Precisamos
de empresas que ganhem dinheiro, que exportem,
produzindo aqui ou não, pois devemos
olhar para o lugar onde está o dinheiro,
e não necessariamente para onde está
a fábrica", completa.
Segundo o empresário,
cada uma das etapas da produção
de um chip tem valor agregado diferente.
Há companhias que encomendam o design,
o protótipo e os testes para terceiros
e depois entregam o produto pronto para
seu cliente. O diretor da Fiesp defende
que o importante em semicondutores não
é saber onde vai projetar ou fazer
o chip, mas ter quem compre o produto,
pois o poder hoje, em semicondutores, está
migrando para quem controla o cliente.(J.S)
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