.LEITURAS
..Publicada em 10 de junho 2004

Revolução anunciada
Setor de Microeletrônica investe em LEDs orgânicos

A edição de 17 de maio do jornal Valor Econômico publicou reportagem intitulada "Chips de plástico prometem nova revolução na microeletrônica", originalmente publicada pela BusinessWeek. O texto conta que a Eastman Kodak Co. está desenvolvendo telas de vídeo feitas de diodos emissores de luz orgânicos (OLEDs) — assim como todos os outros fabricantes de aparelhos de TV e de monitores para computadores. As telas de OLED apresentam cores mais vibrantes, maior definição e podem ser vistas de ângulos mais laterais que as convencionais de cristal líquido. No Japão, dez companhias e quatro universidades estão trabalhando em conjunto para construir, até 2007, uma tela de OLED de 60 polegadas. Segundo a reportagem, antes dessa data não devemos esperar telas maiores do que as usadas em laptops. Um dos motivos é que as pequenas lâmpadas orgânicas que constituem os elementos de imagem (picture elements, ou pixels) têm vida útil de aproximadamente 8 mil horas. Para um computador pessoal comum instalado em um escritório, isso equivale a apenas um ano de uso do monitor. De acordo com Willy Shih, presidente do Display & Components Group (Grupo de Displays e Componentes) da Kodak, a mais recente pesquisa química da empresa promete um desempenho dez vezes maior para as lâmpadas. Os OLEDs são feitos de polímeros (um tipo de plástico) com propriedades elétricas e emitem luz quando uma corrente elétrica passa por eles. Já os LEDs são constituídos por semicondutores inorgânicos, como o silício e o gálio.

Sempre segundo a reportagem, além das telas de monitores, os componentes eletrônicos de plástico poderão ser usados em diversos produtos. 'As possibilidades de aplicações em aparelhos de consumo são infindáveis', declarou à Bussiness Week Elsa Reichmanis, diretora de pesquisas de polímeros no Bell Laboratories, da Lucent Technologies. Ela citou os inaladores usados no tratamento da asma, que poderiam receber um sensor que avisasse quando fosse preciso reenchê-los. Outro exemplo são rótulos de embalagens de alimentos, que mudariam para a cor vermelha quando o prazo de validade do produto expirasse — tudo isso possível com o advento de circuitos de plástico baratos. O texto afirma que, em breve, as tintas à base de polímeros condutores e semicondutores permitirão que uma impressora jato-de-tinta ou offset imprima circuitos simples em qualquer superfície. Dessa maneira, um grande número de empresas poderia fabricar chips de polímeros para serem usados no dia-a-dia. Segundo Jim Tully, diretor da subsidiária de pesquisas da Gartner Inc. na Europa, uma fábrica de semicondutores construída com investimentos de bilhões de dólares não seria mais necessária.

Alan J. Heeger, físico da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, nos Estados Unidos, que dividiu um premio Nobel em 2000 por ajudar a criar o primeiro polímero condutivo em 1977, admite que os transistores de plástico são lentos quando comparados aos de silício. A reportagem diz que o silício ainda é o melhor material para as aplicações pesadas de processamento informatizado, mas alerta que a velocidade de operação de transistores feitos de polímeros vem aumentando cada vez mais. A Motorola estima que as novas aplicações dos chips de plástico poderiam render até US$ 300 bilhões, valor mais de duas vezes superior às vendas de chips de silício em todo o mundo no ano passado. Para atingir essa cifra, a produção de chips de plástico teria que superar em muito os 100 bilhões de chips de silício produzidos no ano passado, pois aqueles custariam bem menos do que estes. A empresa está trabalhando com a Dow Chemical e a Xerox no desenvolvimento de métodos de impressão para a produção de circuitos de plástico flexíveis. Em abril, o Xerox Research Centre (Centro de Pesquisas da Xerox), no Canadá, anunciou uma nova tinta para impressão de chips de plástico que podem ser usados em qualquer ambiente.

Conforme prevê John Rogers, cientista de materiais da Universidade de Illinois, os materiais compostos, como plásticos combinados com nanotubos de carbono, 'contornarão as atuais limitações e competirão com os mais sofisticados transistores de silício'. "Híbridos orgânicos-inorgânicos são também promissores", afirma a reportagem. Pesquisadores da IBM, liderados por David Mitzi, revelaram em março uma técnica que permite revestir plásticos com uma película muito fina de metal semicondutor, como o sulfeto de zinco. A estrutura pode transportar elétrons a uma velocidade até dez vezes maior que os tradicionais chips de polímeros. Segundo Mitzi, a velocidade ainda poderá ser aumentada em mais cinco vezes. No mesmo mês do anúncio da IBM, a União Européia financiou metade da iniciativa Polly Apply, que consumirá ao todo US$ 29 milhões e envolverá 20 empresas e institutos de pesquisa. Luigi Occhipinti, coordenador da iniciativa e diretor de pesquisas estratégicas da STMicroelectronics, contou à reportagem que o primeiro objetivo da Polly Apply é desenvolver polímeros para rótulos de identificação eletrônica (radio-frequency identification tags, ou RFID), que funcionariam como códigos de barras inteligentes, equipados com antenas que viabilizariam a comunicação de embalagens e produtos com computadores instalados em fábricas, depósitos, lojas e, mais tarde, em residências. Segundo Occhipinti, os chips baratos estarão por toda parte, conversando 'sem fio' entre si. 'Coisas pensantes serão verdadeiramente onipresentes', acrescentou.

2004 - Inovação Unicamp - Direitos Reservados