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Revolução
anunciada
Setor de Microeletrônica
investe em LEDs orgânicos
A
edição de 17 de maio do jornal
Valor Econômico publicou
reportagem intitulada "Chips de
plástico prometem nova revolução
na microeletrônica", originalmente
publicada pela BusinessWeek.
O texto conta que a Eastman Kodak Co. está
desenvolvendo telas de vídeo feitas
de diodos emissores de luz orgânicos
(OLEDs) — assim como
todos os outros fabricantes de aparelhos
de TV e de monitores para computadores.
As telas de OLED apresentam cores
mais vibrantes, maior definição
e podem ser vistas de ângulos mais
laterais que as convencionais de cristal
líquido. No Japão, dez companhias
e quatro universidades estão trabalhando
em conjunto para construir, até 2007,
uma tela de OLED de 60 polegadas.
Segundo a reportagem, antes dessa data não
devemos esperar telas maiores do que as
usadas em laptops. Um dos motivos
é que as pequenas lâmpadas
orgânicas que constituem os elementos
de imagem (picture elements, ou
pixels) têm vida útil de aproximadamente
8 mil horas. Para um computador pessoal
comum instalado em um escritório,
isso equivale a apenas um ano de uso do
monitor. De acordo com Willy Shih, presidente
do Display & Components Group
(Grupo de Displays e Componentes) da Kodak,
a mais recente pesquisa química da
empresa promete um desempenho dez vezes
maior para as lâmpadas. Os OLEDs
são feitos de polímeros (um
tipo de plástico) com propriedades
elétricas e emitem luz quando uma
corrente elétrica passa por eles.
Já os LEDs são constituídos
por semicondutores inorgânicos, como
o silício e o gálio.
Sempre segundo
a reportagem, além das telas de monitores,
os componentes eletrônicos de plástico
poderão ser usados em diversos produtos.
'As possibilidades de aplicações
em aparelhos de consumo são infindáveis',
declarou à Bussiness Week
Elsa Reichmanis, diretora de pesquisas de
polímeros no Bell Laboratories,
da Lucent Technologies. Ela citou os inaladores
usados no tratamento da asma, que poderiam
receber um sensor que avisasse quando fosse
preciso reenchê-los. Outro exemplo
são rótulos de embalagens
de alimentos, que mudariam para a cor vermelha
quando o prazo de validade do produto expirasse
— tudo isso possível com o
advento de circuitos de plástico
baratos. O texto afirma que, em breve, as
tintas à base de polímeros
condutores e semicondutores permitirão
que uma impressora jato-de-tinta ou offset
imprima circuitos simples em qualquer superfície.
Dessa maneira, um grande número de
empresas poderia fabricar chips
de polímeros para serem usados no
dia-a-dia. Segundo Jim Tully, diretor da
subsidiária de pesquisas da Gartner
Inc. na Europa, uma fábrica de semicondutores
construída com investimentos de bilhões
de dólares não seria mais
necessária.
Alan J.
Heeger, físico da Universidade da
Califórnia em Santa Bárbara,
nos Estados Unidos, que dividiu um premio
Nobel em 2000 por ajudar a criar o primeiro
polímero condutivo em 1977, admite
que os transistores de plástico são
lentos quando comparados aos de silício.
A reportagem diz que o silício ainda
é o melhor material para as aplicações
pesadas de processamento informatizado,
mas alerta que a velocidade de operação
de transistores feitos de polímeros
vem aumentando cada vez mais. A Motorola
estima que as novas aplicações
dos chips de plástico poderiam
render até US$ 300 bilhões,
valor mais de duas vezes superior às
vendas de chips de silício
em todo o mundo no ano passado. Para atingir
essa cifra, a produção de
chips de plástico teria
que superar em muito os 100 bilhões
de chips de silício produzidos
no ano passado, pois aqueles custariam bem
menos do que estes. A empresa está
trabalhando com a Dow Chemical e a Xerox
no desenvolvimento de métodos de
impressão para a produção
de circuitos de plástico flexíveis.
Em abril, o Xerox Research Centre
(Centro de Pesquisas da Xerox), no Canadá,
anunciou uma nova tinta para impressão
de chips de plástico que
podem ser usados em qualquer ambiente.
Conforme
prevê John Rogers, cientista de materiais
da Universidade de Illinois, os materiais
compostos, como plásticos combinados
com nanotubos
de carbono, 'contornarão
as atuais limitações e competirão
com os mais sofisticados transistores de
silício'. "Híbridos orgânicos-inorgânicos
são também promissores",
afirma a reportagem. Pesquisadores da IBM,
liderados por David Mitzi, revelaram em
março uma técnica que permite
revestir plásticos com uma película
muito fina de metal semicondutor, como o
sulfeto de zinco. A estrutura pode transportar
elétrons a uma velocidade até
dez vezes maior que os tradicionais chips
de polímeros. Segundo Mitzi, a velocidade
ainda poderá ser aumentada em mais
cinco vezes. No mesmo mês do anúncio
da IBM, a União Européia financiou
metade da iniciativa Polly Apply,
que consumirá ao todo US$ 29 milhões
e envolverá 20 empresas e institutos
de pesquisa. Luigi Occhipinti, coordenador
da iniciativa e diretor de pesquisas estratégicas
da STMicroelectronics, contou à reportagem
que o primeiro objetivo da Polly Apply
é desenvolver polímeros para
rótulos de identificação
eletrônica (radio-frequency identification
tags, ou RFID), que funcionariam
como códigos de barras inteligentes,
equipados com antenas que viabilizariam
a comunicação de embalagens
e produtos com computadores instalados em
fábricas, depósitos, lojas
e, mais tarde, em residências. Segundo
Occhipinti, os chips baratos estarão
por toda parte, conversando 'sem fio' entre
si. 'Coisas pensantes serão verdadeiramente
onipresentes', acrescentou.
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