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..Publicada em 20 de janeiro 2005
The Economist, 1º de janeiro de 2005
As empresas destacadas pela revista The Economist nasceram da
pesquisa de ponta realizada nas melhores universidades dos EUA

No levantamento sobre nanotecnologia que publicou em 1º de janeiro, a revista The Economist destacou dez empresas "interessantes" do setor, que merecem atenção. Oito têm sede nos Estados Unidos. Leia mais sobre cinco delas:

A Quantum Dot Corporation (QDC), estabelecida em 1998 na cidade de Hayward, Califórnia, possui licença exclusiva para as aplicações biológicas de patentes da Universidade da Califórnia (UC) e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Seus produtos, comprados por laboratórios de instituições de pesquisa, de empresas farmacêuticas e de biotecnologia, são usados na detecção de biomoléculas. Todos eles empregam pontos quânticos (quantum dots, em inglês), minúsculos cristais semicondutores que emitem luz brilhante em diversas cores.

Os recursos da QDC vêm de financiamentos federais, parceiros corporativos e companhias de capital de risco, as quais já investiram mais de US$ 37,5 milhões. As pesquisas são feitas em conjunto com diversas instituições renomadas, além da UC em São Francisco e em Berkeley e do MIT. A empresa de biotecnologia Genentech e as Universidades Carnegie Mellon, Cornell e Vanderbilt são alguns exemplos.

A equipe que dirige a QDC é formada por oito pessoas, sendo cinco PhDs. No ano passado, a empresa apareceu na lista de 14 "cool companies" da revista Fortune. Em 2003, o trabalho com pontos quânticos para imagens biomédicas, desenvolvido em parceria com a Universidade Rockefeller, foi considerado o maior avanço da nanotecnologia naquele ano pelo Forbes/Wolfe Nanotech Report, relatório da revista Forbes sobre as empresas do setor.

Konarka é o nome de um templo da cidade de Orissa, na Índia, dedicado ao deus hindu do Sol, Surya. Por esse motivo, foi escolhido para batizar uma empresa nascida em Lowell, Massachusetts, em 2001. A Konarka desenvolve e fabrica plásticos leves e flexíveis, capazes de converter luz solar e ambiente em eletricidade — uma fonte de energia renovável e de baixo custo, de acordo com o site da empresa. O material pode ser fixado em telhados, tendas e janelas, pode carregar a bateria de telefones celulares e permitir o uso de laptops sem a necessidade de ligá-los em uma tomada. Há também uma série de aplicações militares, como o abrigo portátil que gera energia elétrica, já em desenvolvimento.

O segredo está em injetar um corante dentro do dióxido de titânio, um pigmento branco usado em tintas e pastas de dente. Aplicado em um material flexível, é esse corante que absorve a energia do Sol e da luz interna. Essa energia "viaja através do dióxido de titânio e de uma série de eletrodos e é convertida em energia elétrica", explica o site.

A empresa assinou contratos de pesquisa com o Exército, a Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa (DARPA) e o Escritório de Pesquisa Naval (ONR) norte americanos. A Fundação Nacional de Ciência (NSF) e a Comissão de Energia da Califórnia (CEC) são outros contratantes. Quatro empresas são parceiras da Konarka: ChevronTexaco, Eastman, Electricité de France e Siemens. As três primeiras também fazem parte da extensa lista de investidores.

Na sede da Konarka, em Lowell, funcionam as atividades de administração, pesquisa e desenvolvimento e fabricação — a linha de produção inicial foi construída no ano passado. A companhia também mantém instalações de P&D na Áustria, Suíça e Alemanha. Dois dos cinco membros de sua junta de diretores já receberam um Prêmio Nobel: Arno Penzias, o de Física, em 1978, e Alan Heeger, o de Química, em 2000. Dos 16 consultores científicos, 14 são PhDs.

A Nantero, com sede em Woburn, Massachusetts, utiliza nanotubos de carbono no desenvolvimento de dispositivos semicondutores. Seu principal produto é a memória não-volátil NRAM. "O objetivo da companhia é distribuir um produto que substituirá todas as formas existentes de memória", diz a página da Nantero na Internet. Lá também consta a informação de os mercados na mira da empresa — computadores, aparelhos para tocar MP3 etc — faturam, juntos, mais de US$ 100 bilhões por ano. A empresa foi fundada por três pessoas, duas delas com PhD em Harvard. Entre os doutores está Thomas Rueckes, diretor científico e criador do projeto da NRAM. A companhia registrou mais de 40 pedidos de patentes, dos quais mais de dez já foram aprovados. Os financiamentos recebidos até agora, vindos de fundos de investimento e empresas de capital de risco, superam os US$ 16 milhões. Os parceiros são a ASML, fornecedora de sistemas de litografia para a indústria de semicondutores; a LSI Logic Corporation, fabricante de semicondutores; e a BAE Systems, que atua nos segmentos aeroespacial e de defesa.

A ZettaCore está baseada em Denver, capital do Colorado. Foi criada em 1999 por cientistas da UC em Riverside e da Universidade do Estado da Carolina do Norte, em conjunto com executivos que já haviam passado por empresas de computadores, tecnologia da informação (TI) e biotecnologia. A Universidade de Stanford figura entre seus financiadores. A equipe de P&D é formada por cinco doutores, mas a companhia também conta com os serviços de pesquisadores externos. O grupo administrativo tem seis pessoas, duas com doutorado.

O foco da ZettaCore são as memórias moleculares, que podem ser usadas em aparelhos portáteis, como câmeras e celulares, computadores pessoais e servidores. Nesse tipo de memória, moléculas funcionam como elementos dos circuitos. A empresa utiliza moléculas com poucas centenas de átomos e que medem cerca de um nanômetro (um bilionésimo do metro). Do modo como são feitas, elas conseguem se reunir sozinhas em determinadas partes do circuito. Essa característica permite que a ZettaCore fabrique seus chips utilizando equipamentos e processos da indústria de semicondutores. De acordo como o site da empresa, a memória molecular armazena mais dados em um espaço menor, é mais barata e consome menos energia. Além disso, as propriedades dos materiais não se alteram conforme diminui o tamanho dos elementos, como acontece nas memórias convencionais.

A start-up Molecular Imprints, Inc (MII) foi fundada em 2001 na capital do Texas, Austin. Ela fabrica sistemas de litografia baseados na tecnologia Step and Flash Imprint Lithography (S-FIL), desenvolvida na Universidade do Texas em Austin. Hoje, a fabricação de chips é feita através de litografia ótica. A tecnologia da MII, segundo seu site, é mais barata e menos complexa que a litografia ótica, permite a reprodução de estruturas da ordem de 20 nanômetros e, se cumpridas as promessas da empresa, representará um passo adiante na miniaturização de chips e outros dispositivos semicondutores. A MII comercializa três tipos de sistemas, adequados a diferentes necessidades. O mais simples, por exemplo, chamado Imprio 50, é voltado para universidades e pequenos laboratórios que fazem pesquisa básica em nanotecnologia.

A companhia texana emprega 90 pessoas e tem cinco doutores entre os dez membros de sua equipe administrativa. O presidente, Norman Schumaker, dirigiu o grupo de tecnologia e novos materiais dos Laboratórios Bell, da AT&T. A MII soma 97 registros e patentes aprovadas. Os parceiros, na academia, são as Universidades do Texas em Austin e de Wisconsin-Madison. Na indústria, os destaques da lista são DuPont e Motorola, que também aparece entre os investidores da start-up. (R.B.)

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