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Mário
Salerno, Ipea
XXVII Encontro Nacional
de Física da Matéria Condensada
Mesa Redonda: "A Física e a
Política Industrial", 5/5/2004
"Boa
noite a todos. Eu não sou físico,
mas é um prazer estar aqui no meio
dos físicos. Vou fazer um
apanhado bastante geral e rápido
da Política Industrial, Tecnológica
e de Comércio Exterior que o governo
lançou. O primeiro documento se tornou
público em novembro do ano passado,
depois que uma série de medidas aconteceram,
a maior parte delas sem nenhuma publicidade
ou divulgação na grande imprensa.
Depois, teve um evento dia 31 de março
deste ano, que foi marcado como se fosse
o lançamento de medidas da política
industrial. O fato é que uma política
desse tipo tem um norte, uma diretriz, e
uma série de medidas vão acontecendo
ao longo do tempo, algumas para corrigir
medidas que não dão certo,
outras para no seu tempo devido serem implementadas.
Necessariamente, essa é uma política
de médio, longo prazo.
Explicarei
como a política foi construída,
institucionalmente, e como está a
institucionalidade hoje, um pouco diferente
dessa. O órgão ministerial
que discutiu e aprovou a política
industrial foi a Câmara de Política
Econômica. Claro que acima dela está
a Presidência. A Câmara é
composta pela Casa Civil, pela Secretaria
Geral da Presidência, pelo Ministério
da Fazenda, que a coordena, pelo Ministério
do Planejamento, pelo Ministério
do Desenvolvimento, pelo Banco Central.
Por ser coordenada pelo Ministério
da Fazenda, muitas vezes se diz, 'ah, a
Fazenda é contra', mas foi ela que
colocou em pauta o assunto. O MCT não
faz parte da Câmara de Política
Econômica, mas participou da discussão
dos assuntos de política industrial
e tecnológica. Já o Banco
Central não teve participação
nenhuma. Para os assuntos específicos,
como de fármacos e medicamentos,
por exemplo, o Ministério da Saúde
participou.
A Câmara
nomeou um grupo coordenador executivo, em
meados do primeiro semestre do ano passado,
composto pelo MDIC, que coordena a política
e o grupo, pela Fazenda, pelo MCT, pelo
Planejamento, pela Casa Civil, BNDES, Finep,
Ipea. Esse grupo tem um secretariado de
quatro pessoas para agilizar o encaminhamento
de algumas coisas, e todos os quatro ficam
em Brasília. Compõe o grupo,
pelo MDIC, o Fernando Resende; o Alessandro
Teixeira, da Apex, que é coordenador
geral da política industrial; o Edmundo
Machado de Oliveira, que é assessor
especial do ministro da Fazenda Antônio
Palocci (leia
entrevista); e eu, que sou
do Ipea. A Câmara também criou
grupos de trabalho específicos. Boa
parte deles já realizou seus trabalhos
para definir propostas específicas
para assuntos determinados. Essa foi a institucionalidade
da construção da política.
Agora,
quais são os eixos da política?
A idéia é que não basta
ter estabilidade da moeda, inflação
controlada etc, para o desenvolvimento do
País. É uma condição
necessária, mas não suficiente,
precisamos de um conjunto de políticas,
não só política industrial
e tecnológica, que dêem um
empurrão no desenvolvimento. A
política industrial e tecnológica
é basicamente voltada para induzir
a mudança da estrutura industrial.
Esse é o foco, diferentemente das
políticas que aconteceram no País
há 20 anos, cujo objetivo era montar
uma estrutura produtiva. Hoje, o objetivo
central não é esse, a estrutura
produtiva, a grosso modo, está aí.
O objetivo atual é induzir a mudança
dessa estrutura produtiva com uma visão
de futuro.
Temos uma
restrição na qual a política
industrial tenta atuar, que é a grande
vulnerabilidade externa. Temos uma baixa
taxa de investimento e, para dinamizar a
estrutura produtiva, a política industrial
tenta induzir o aumento da eficiência
dessa estrutura, associando inovação
tecnológica e ampliação
do comércio exterior. Não
é por acaso que ela tem esse nome:
ela não é só uma política
industrial, é tecnológica,
associadamente, e de comércio exterior.
Se a estrutura produtiva brasileira não
tiver competitividade internacional, ela
não vai exportar e vai desaparecer
dentro do Brasil, dada a regulação
econômica do sistema que existe hoje,
de relativa abertura. Se os produtores no
Brasil não forem eficientes, mesmo
em bens chamados bens salários, como
roupa, calçados etc, vão perder
para os chineses, e assim por diante. A
perspectiva não é ser competitivo
só para exportar, mas também
para se manter, inclusive, no mercado interno.
Quais
são as linhas gerais? Uma, é
o aumento da eficiência produtiva
e da eficiência do negócio.
Essa é uma das diferenças
fundamentais entre a política industrial
e tecnológica de hoje e as que aconteceram
no passado. Negócio é mais
do que fábrica. Por isso, algumas
das ações da política
industrial não são voltadas
para montar uma fábrica, mas para
induzir o desenvolvimento de funções
outras de uma empresa. Às vezes,
as funções mais importantes
de um negócio industrial não
estão na fábrica, estão
na marca, na concepção do
produto, na distribuição e
assim por diante. Uma política industrial
hoje não pode fechar os olhos para
isso.
A outra
é o desenvolvimento da base produtiva
do futuro. O Brasil está num
meio termo, pode ter uma base produtiva
que concorra com produtos padronizados.
Preço baixo significa salário
baixo, longas jornadas de trabalho, porque
não tem muito milagre. É o
estereótipo que temos da China (mas
esse país está mudando). Mas
o Brasil pode ter uma base produtiva que,
na sua parte dinâmica, concorra por
diferenciação produtos
de maior valor agregado, que tenham um preço
prêmio, que as empresas paguem melhores
salários e assim por diante. Existem
algumas empresas assim no Brasil, mas não
é o típico da base industrial
brasileira. A intenção é
induzir esse segundo tipo. Para isso, é
preciso ter um estímulo para o aumento
da capacitação para inovar
na indústria brasileira que
inova pouco.
Inserção
interna e externa, expansão das exportações,
valorização de recursos brasileiros
e projetos voltados para o consumo de
massa. Precisamos acabar com a dicotomia
de que para o consumo de massa se destina
um produto de segunda ou de terceira,
enquanto os produtos de elite são
os de maior valor agregado. É
possível ter produtos de consumo
de massa que disputem mercados internacionais,
pois há uma série de países
de renda semelhante ao Brasil, que têm
necessidades parecidas. Fazendo um paralelo
não lá muito fiel, mas facilmente
perceptível, a indústria automobilística
brasileira tem um nicho de mercado, que
são os carros pequenos. Ela projeta
uma boa parte desses carros aqui e ganha
uma série de mercados de países
que têm um consumo semelhante. Ela
não ganha mercado na Europa ou nos
Estados Unidos, mas sim no México,
na África, em determinados países
do Oriente Médio, na América
Latina. Dá para pensar produtos de
consumo de massa um pouco com essa lógica
também.
Há
uma série de desafios e oportunidades
para fazer uma política industrial.
Há muitos e muitos anos que o Estado
brasileiro não se propõe a
fazer uma política industrial e tecnológica
integrada. O último arremedo de
política, basicamente bastante isolada,
foi o regime automotivo. Há alguns
anos tivemos um programa, não dá
para falar que foi uma política,
que foi o Moderfrota, para indução
e difusão de máquinas agrícolas.
Qual o problema de não ter uma política
industrial integrada? O Estado, ao longo
do tempo, foi se atrofiando. A inteligência
do Estado para elaborar, formular, gerenciar
políticas industriais e tecnológicas
integradas rigorosamente se perdeu.
É muito difícil costurar algumas
partes, reunir pessoas etc. Esse é
um desafio muito sério, e algumas
medidas são para atacar esse desafio,
como veremos mais à frente.
Todos esses
órgãos aqui atuam sobre a
política industrial o Ministério
do Desenvolvimento, que em principio é
o órgão ímpar da política
industrial, mas que talvez seja o que tem
menos instrumentos de ação;
a Fazenda, não precisa nem dizer
porquê; o Planejamento, que coordena
os planos plurianuais; o MCT, óbvio,
no mínimo, por causa dos fundos setoriais,
mas também por outras razões;
a Agricultura, que controla toda a parte
de certificação de produtos,
que tem tudo a ver com o desenvolvimento
de determinadas funções da
indústria brasileira; Relações
Exteriores, o departamento comercial do
Itamaraty, atuando junto aos contenciosos
da OMC não se pode pensar
uma política industrial e tecnológica
hoje esquecendo que existe a OMC e os contenciosos;
o Ministério da Integração
Nacional; o BNDES; a Finep; a Apex
Agência Brasileira de Promoção
de Exportações, de que se
fala pouco, mas que considero a engenharia
mais inteligente que o governo fez na transição;
o Sebrae; o sistema CNPq/Capes; as Faps.
Cada um desses órgãos tem
uma lógica própria. Foram
montados para desenvolver um determinado
trabalho e, não havendo nada que
os ordene, cada um vai pela inércia.
O simples fato de ter sido lançado
o documento de diretrizes ajudou a alinhar
esses órgãos porque pelo menos
ali tem um norte.
Outro desafio:
as empresas brasileiras têm um porte
relativamente pequeno frente aos padrões
internacionais. Há uma série
de estudos do Ipea que são inequívocos:
o porte está diretamente associado
à capacidade para inovar e exportar.
A gente pode pensar não só
em empresas isoladas, mas em consórcios.
Aí há um entrave no Brasil
porque precisamos de uma mudança
legal. Enfim, as empresas brasileiras não
tem muito porte. Em 1980, a Samsung era
do tamanho do Grupo Votorantim. Hoje, o
lucro da Samsung é do tamanho do
Grupo Votorantim. Todos sabemos: o investimento
privado em indústria e desenvolvimento
é baixo e é preciso aumentar
a 'inovatividade' das empresas brasileiras.
Mas
há oportunidades. O Brasil criou
uma base de pesquisa bastante razoável
se comparada com países parecidos
conosco. Por exemplo, é muito mais
diversificada do que a da Coréia.
Pelos indicadores tradicionais, a nossa
participação em ciência,
medida por papers, é maior
do que nossa participação
no comércio exterior. Ciência
não é nosso calcanhar de Aquiles
hoje. É uma enorme oportunidade.
O problema é que essa base científica
está desconectada da base produtiva.
Nossos indicadores de patentes são
vergonhosos, estão estacionados há
anos e anos e anos. Os fundos setoriais
são uma outra construção
bastante interessante, podem ser pensados
para fazer essa ponte.
Existe
uma base industrial bastante completa e
de porte razoável para países
de renda como a brasileira, apesar de
não ser da mesma escala dos grandes
países industriais. As compras governamentais
podem ser direcionadas conforme determinados
interesses. Em medicamentos, isso é
típico: o governo federal compra
mais de US$ 1 bilhão de remédios.
Não é pouco, um comprador
só controla mais que 20% de todo
o mercado. Software é
outro aspecto em que as compras governamentais
podem pesar. Existem oportunidade em biotecnologia,
em nanobiotecnologia, em software,
em atividades do Protocolo de Kyoto, em
biocombustíveis, em seqüestro
de carbono. Já temos o primeiro contrato
de seqüestro de carbono assinado entre
uma empresa de Minas Gerais e uma entidade
holandesa.
Geralmente,
quando se fala política industrial,
o senso comum volta ao segundo PNB, aos
grupos executivos dos anos 60. Essa época
já passou. Ela teve méritos,
mas hoje o mundo, a institucionalidade,
as necessidades são diferentes. As
políticas industriais dos anos 60
e 70 tiveram enormes méritos, montaram
uma base produtiva etc, mas tiveram grandes
problemas. Geraram uma série enorme
de desigualdades, e uma estrutura industrial
com pouca vocação para a competitividade,
ineficiente. Tanto que quando teve a abertura
aconteceu um baque, em muitos e muitos setores.
Os anos 90, por outro lado, foram uma fragmentação,
uma coisa aqui, ali, não teve uma
política industrial. A idéia
agora é perseguir padrões
de competitividade internacional e extrapolar
os muros das fábricas. É pensar
a eficiência de toda a atividade produtiva
e não só da fábrica.
O negócio é mais do que a
fábrica, é fácil montar
programas para criar uma. É muito
mais difícil criar programas para
desenvolver funções outras
que não a produção
física. Outra definição
básica é aumentar a capacidade
de inovação das empresas,
e obviamente respeitar os acordos internacionais.
Nenhuma política de nenhum país
vai desrespeitar acordos internacionais.
Temos o
eixo tradicional de políticas industriais
modernização industrial,
atuação tradicional do BNDES
em financiamento, importante e que vai continuar
acontecendo. O que o Brasil não faz
muito articuladamente é inovação
e desenvolvimento tecnológico.
Hoje,
a coordenação está
dessa forma: temos a Câmara de
Política Econômica, foi criado
o Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial,
com ministros, empresários e trabalhadores.
Não é amplo como o CDES; é
específico, reúne-se poucas
vezes por ano. Com ministros, para discutir
com quem decide. Foi criada a Agência
Brasileira de Desenvolvimento Industrial,
cuja função é reunir
uma inteligência e articular programas,
ações, tentar responder ao
desafio da fragmentação.
A política
está construída como um tecido.
Temos as quatro linhas horizontais
e tem muita conversa mole sobre horizontalidade
ser sempre seletiva, ou que não existe
horizontalidade 100%. E temos as chamadas
opções estratégicas
não são necessariamente
setores: semicondutores, software,
bens de capital e fármacos e medicamentos.
Por que eu digo que só há
um setor, que é o de fármacos
e medicamentos? Porque software,
semicondutores e bens de capital têm
uma pervasividade imensa. Software
está em tudo que é atividade,
bens de capital também. Fármacos
e medicamentos é bastante específico,
relacionado com uma enorme vulnerabilidade
e uma necessidade social do País.
E temos as atividades portadoras de futuro
que são nanotecnologia, biotecnologia
e biomassa.
A
lei de inovação é fundamental.
É um instrumento que tenta criar
as condições institucionais
para articular universidade/empresa em desenvolvimento
tecnológico. Na maior parte dos países,
não precisa nem ter uma lei dessas,
porque tem outro arcabouço institucional
e isso já acontece. No Brasil, precisa
ter. Na
França tem uma lei semelhante.
Temos
ainda um decreto, vale a pena perder um
minuto para falar dele a Petrobras,
por exemplo, já mudou a estratégia
em função desse decreto, do
final do ano passado. Ele diz o que é
P&D e possibilita abater P&D da
Contribuição Social Sobre
o Lucro Líquido e abater em dobro
quando tem registro de patente veja
bem, o negócio é bem aberto,
não é quando tem uma patente,
é quando tem o registro de uma patente.
Empresas que não registravam patente
porque custa caro mudaram de estratégia
e estão começando a fazê-lo.
Nesse mesmo decreto, a certificação
é colocada quase como um apêndice
de P&D, apesar de não necessariamente
ser a mesma coisa. Possibilita o incentivo
à certificação, que
é algo decisivo para a concorrência
em vários mercados. Isso já
está valendo, não se perdeu
o ano fiscal. Por exemplo, a Pintec vai
captar alguns efeitos desse decreto.
A modernização
industrial tem dois veios: uma parte é
institucional, facilitar investimentos;
outra parte é induzir a renovação
do parque de máquinas. Eu queria
só destacar esse programa, de modernização
de gestão e organização
de pequenas e médias empresas,
que é baseado num programa que existiu,
não sei se existe ainda, no Rio Grande
do Sul, mas que vários paises europeus
têm desde os anos 70. O governo federal
estabelece acordos com entes estaduais para
fazer uma análise das empresas, propõe
medidas, e aí se junta a Apex, o
Programa de Design, o Programa de Inovação
Tecnológica em Arranjos Produtivos
Locais. Trata-se de uma espécie de
força-tarefa que atua coordenadamente
num conjunto de empresas, o que pode fazer
uma enorme diferença uma
das fraquezas da base industrial brasileira
são as pequenas e médias empresas.
Muitas delas estão muito atrasadas.
Capacidade de escala produtiva basicamente
são financiamentos do BNDES. Isso
já existia, está sendo um
pouco redirecionado, não tem muito
problema.
Há
algumas críticas à política
industrial por que não tem
o setor de calçados, da construção
civil, o agronegócio? Porque nesses
setores a questão é desenvolver
aquelas funções extra fábricas.
O problema do agronegócio não
é a plantação, é
a comercialização, a distribuição
e a marca. Você não precisa
desenvolver a indústria, mas essas
outras funções, o que está
coberto por aquelas linhas horizontais.
Aí entram as opções
estratégicas, para onde o mundo está
indo nos próximos anos, o que é
relevante, onde dá para o Brasil
entrar? São esses daqui:
Em semicondutores,
um dos pilares do programa é a atração
de investimento direto externo. Hoje,
existem quatro empresas internacionais fazendo
estudos, que pretendiam colocar fábricas
na China, e que perguntam ao governo brasileiro
se há interesse em que elas se instalem
aqui. Duas delas querem montar centros de
desenvolvimento e não fábricas.
Isso pelo simples fato de terem saído
as diretrizes de semicondutores. Uma série
de mudanças institucionais foi feita
para viabilizar investimentos. Tem outra
parte que é de capacitação
local, a idéia de criação
de alguns laboratórios de formação
de recursos humanos. O Brasil pode desenvolver
componentes de uso específico, aplicações
em agricultura, pecuária, que não
são necessariamente voltadas para
a indústria eletrônica. Nós
temos as maiores fábricas de motores
elétricos do mundo e conservação
de energia tem a ver com software,
microprocessadores e materiais. Por que
não? Essas fábricas de motores
vão perder o bonde se continuarem
como estão. Em software,
os pilares são a exportação
e um novo pacote de financiamento. O
que existia no BNDES não funcionava.
Em bens de capital, o Brasil tem alguma
competitividade em alguns setores, mas faltavam
alguns programas, como o de bens de capital
por encomenda, que ninguém financiava,
e a gente perdeu muita competitividade por
conta disso. Se vocês repararem nos
resultados de balança comercial,
verão que aumentou muito a exportação
de bens de capital brasileiros e também
aumentou a importação, sinal
de que a indústria está crescendo
um pouco. Em fármacos e medicamentos,
os pilares são: estimular a produção
doméstica de fármacos e medicamentos,
que praticamente acabou; incentivar atividades
de P&D no Brasil, a biotecnologia; e
modernizar laboratórios públicos.
Temos duas ações pontuais
nesse sentido, a criação de
uma fábrica de hemoderivados e de
uma fábrica de radiofármacos.
A primeira no Ministério da Saúde,
e a segunda no MCT.
Os portadores
de futuro devem ser mais bem definidos.
Existem políticas científicas
para bio e para nanotecnologia, mas qual
a política para a indústria
de base biotecnológica? Esse é
que é o ponto.
Para fechar,
a Política Industrial, Tecnológica
e de Comércio Exterior se baseia
num conjunto articulado de medidas. O
foco não é em prédio,
é em inovação e voltada
para o futuro. Tentando integrar ações
governamentais, em interação
com o setor privado - porque se o setor
privado não comprar a idéia,
não adianta muito -, fazendo escolhas
e incorporando os riscos inerentes à
qualquer política, riscos esses que
precisam ser explícitos. Temos
de arriscar, avaliando o desempenho dos
programas e da política como um todo,
coisa que o Brasil não faz. Estamos
montando no Ipea, com recursos do BNDES,
um sistema para avaliar políticas
públicas. Vocês, por exemplo,
têm demandas nos fundos setoriais,
mas alguém avalia o que vocês
fizeram com o dinheiro? Ninguém,
zero. Não existe avaliação,
existe um filtro de entrada e depois, até
logo. Mesmo no sistema CNPq, fazemos aqueles
relatórios, mas ninguém vê.
É um sistema muito fraco de avaliação,
a gente sabe, e não vamos esconder
o sol com a peneira. Precisamos de um
sistema de avaliação que possa
monitorar a política e corrigir rumos".
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