As sementes transgênicas de três das principais culturas do Brasil estão conquistando mercado em um ritmo exponencial e representam uma parte gradativamente maior nos custos de produção a partir da incorporação de tecnologia pelas grandes empresas do setor, informa o jornal Valor Econômico do dia 12 de abril. Um estudo feito pela consultoria Céleres estima que nos próximos nove anos os transgênicos passarão a dominar quase 90% da área plantada brasileira de soja, milho e algodão, contra os atuais 77%, destaca a reportagem.
Soja passará dos atuais 85% para quase 95% da área plantada; o milho, de 67% para 79%; e o algodão, de 33% para 85% O estudo sobre os impactos econômicos da adoção da tecnologia, financiado pela Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem), mostra que o crescimento da safra dessas culturas geneticamente modificadas até 2020/21 será de 54%, alcançando 49 milhões de hectares. Do total que será ocupado pelos transgênicos, o estudo indica que a soja passará dos atuais 85% para quase 95%; o milho, de 67% para 79%; e o algodão, de 33% para 85%, segundo o Valor.
Retorno da tecnologia incorporada
O aumento do pagamento de royalties às grandes multinacionais do setor, como Monsanto, DuPont e Syngenta, tem levado as sementes a representar uma fatia mais expressiva dos custos diretos de produção, que incluem também gastos com defensivos e fertilizantes, explica o texto. "Se nos 15 anos até a safra 2010/11 a indústria detentora da tecnologia absorveu pouco mais de US$ 2,2 bilhões do valor gerado, a expectativa é que esse montante seja multiplicado para US$ 19,9 bilhões ao longo da próxima década", informa a reportagem.
Previsão é de que valor gerado pela tecnologia transgênica na lavoura fique em US$ 124,6 bilhões até 2020/21 Nesses próximos nove anos, a previsão é de que o valor gerado pela tecnologia transgênica na lavoura brasileira fique em US$ 124,6 bilhões, o que considera "a economia com aplicação de agrotóxicos, os ganhos de produtividade esperados e a remuneração da indústria detentora da tecnologia". O Valor detalha que, nos últimos 15 anos, desde quando os transgênicos foram introduzidos na produção brasileira ainda de maneira ilegal, o ganho acumulado do setor foi de menos de US$ 12 bilhões. O uso de sementes transgênicas na agricultura brasileira foi liberado apenas em 2005. "O aumento deve vir não apenas do crescimento da área e da taxa de utilização de sementes transgênicas, mas também pela introdução de um leque de tecnologias mais amplo, sofisticado — e, consequentemente, dispendioso", explica o texto.
Valorização do insumo
Em entrevista ao Valor, o presidente da Abrasem, Narciso Barison Neto, defendeu que a "transgenia colocou o setor de sementes em outro patamar". Segundo ele, no passado a semente era apenas um insumo "sem qualquer valor", citando o exemplo que, no Rio Grande do Sul, em 2005, somente 3% das sementes possuíam certificado de origem, enquanto na última safra esse número subiu para 50%.
O presidente executivo da Céleres, Anderson Galvão, disse ao jornal que em 2007 esse insumo representava apenas 6% dos custos diretos de produção nas plantações de soja, e entre 8% e 10% nas lavouras de milho; atualmente esses percentuais são praticamente o dobro. Galvão afirmou que existe uma tendência de alta desses custos à medida que a semente se torne cada vez "mais estratégica". "Mas a percepção do produtor é de que a tecnologia traz resultado", declarou ao jornal.