Empresa americana que recebeu financiamento público faliu por causa da queda nos preços internacionais dos painéis solares à base de silício, com forte oferta do produto pela China O secretário de Energia dos Estados Unidos e ganhador do Prêmio Nobel de Física de 1997, Steven Chu, fez um discurso em meados de novembro no qual defendeu agressivamente a realização de fortes investimentos em pesquisa e desenvolvimento de energia solar. Ele fez o pronunciamento durante a inauguração de uma instalação da companhia GE voltada para a construção de painéis solares, e poucos dias depois de prestar depoimento no Congresso americano sobre um empréstimo milionário do governo concedido a uma companhia de energia solar que veio a falir.
Falando aos congressistas sobre os US$ 535 milhões liberados por seu departamento para a Solyndra – companhia de produção de painéis solares que havia falido em agosto – Chu disse que os EUA "têm uma escolha simples: competir ou aceitar a derrota" na corrida pelas energias renováveis, ao mesmo tempo em que lamentou o fracasso da Solyndra, que buscava criar painéis solares com uma tecnologia diferente da das células baseadas em silício, a mais usada atualmente. "Estamos frustrados pelo resultado desse empréstimo em particular, mas apoiamos o mandado do Congresso para o apoio a tecnologias inovadoras, e acreditamos que nosso portfólio de empréstimos é responsável".
De acordo com o jornal The New York Times, o Departamento de Energia atribuiu o fracasso da Solyndra a uma queda nos preços internacionais dos painéis solares à base de silício, com forte oferta do produto pela China. Chu disse que "o fundo do mercado caiu".
'O mercado solar vai explodir nas próximas décadas (...) trilhões de dólares serão investidos em setores de energia renovável nos próximos 20 anos', avalia Chu No discurso na planta da GE, em Arvada, Estado do Colorado, Chu foi ainda mais incisivo: "O mercado solar vai explodir nas próximas décadas (...) trilhões de dólares serão investidos, globalmente, em setores de energia renovável, incluindo o solar, nos próximos 20 anos". Ele se referiu ao momento atual como "crítico", e disse que apenas o mercado atual de sistemas fotovoltaicos – que transformam luz em eletricidade – é de US$ 80 bilhões.
Em 1995, os EUA produziram mais de 40% dos painéis solares do mundo; no ano passado, produziram 7% "Países de todo o mundo, especialmente a China, reconhecem o potencial econômico do mercado solar, e correm a toda velocidade para assumir a liderança", prosseguiu o secretário. "Hoje, a parcela chinesa do mercado de produção de células solares e módulos solares é de cerca de 50%, um aumento significativo em relação a poucos anos atrás".
Ele contrastou a situação chinesa com a americana: "Em 1995, os EUA produziram mais de 40% dos painéis solares do mundo mas, no ano passado, produzimos apenas 7%". Chu disse que seu país precisa decidir se será um exportador ou um importador de tecnologia solar.
Numa alusão a seus críticos no Congresso, ele disse que "há alguns em Washington" que acreditam que o país não pode, ou não deve, competir pela produção de painéis solares e outras tecnologias limpas. Mas o secretário defendeu a entrada firme dos Estados Unidos nessa competição.
"A competição global é feroz, e o apoio a novas tecnologias inovadoras vem com riscos inerentes", reconheceu. "Mas não vejo motivo para ficar sentado e abrir mão da liderança."