A chamada “Lei do Bem”, que permite que empresas deduzam do Imposto de Renda as despesas em pesquisa e desenvolvimento, beneficiou 460 empresas em 2008, número que subiu para 639 em 2010, ano dos dados mais recentes disponíveis. O total da renúncia fiscal, no entanto, não cresceu na mesma proporção, aponta o jornal Valor Econômico: passou de R$ 1,58 bilhão para R$ 1,73 bilhão. O valor dos projetos relacionados aos incentivos ficou praticamente estável: foram R$ 8,79 bilhões em 2008, e R$ 8,62 bilhões em 2010.
Outros dados do governo federal levantados pelo jornal mostram que, mesmo num horizonte mais longo, os dispêndios com ciência e tecnologia evoluíram, mas de forma tímida: de 1,3% do PIB em 2000 para 1,62% em 2010. Parte da evolução é creditada por empresas e representantes de indústrias à Lei do Bem, instituída em 2006, quando a fatia desses investimentos no PIB era de 1,29%.
Ouvido pelo Valor, Naércio Menezes Filho, coordenador do centro de políticas públicas do Insper, diz que muitos instrumentos e incentivos ainda são inacessíveis às empresas menores. "O resultado é a grande concentração de projetos de inovação em setores em que há natural agregação de tecnologia." Em 2010, das 639 empresas que usaram a Lei do Bem, 147 eram do setor de mecânica e transportes. Do setor têxtil, apenas nove.
Pesquisa do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) com 40 grandes empresas mostra que todas consideram relevante a tecnologia. São poucas, porém, que declaram possuir clara cultura de inovação. "As empresas reconhecem que a importância da inovação está mais restrita aos dirigentes. A difusão da cultura é muito pequena no conjunto da empresa e entre fornecedores", diz Júlio Gomes de Almeida, consultor do Iedi ouvido pelo jornal.
Para Gomes de Almeida, as empresas precisam lidar com a inovação como arma, não apenas como escudo. “Inovação é para quem quer ganhar market share e novos mercados", diz.
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