26/03/2012

Biotecnologia

Embrapa perde mercado em meio a debate sobre abertura de capital

Jornal aponta a diminuição da participação da estatal em culturas como soja, milho e algodão

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) está enfrentando dificuldades para competir no mercado de biotecnologia do País devido à falta de recursos para projetos grandes, aos obstáculos para estabelecer parcerias com empresas e às resistências à abertura da estatal ao capital privado. Com isso, a participação da empresa em alguns dos segmentos mais dinâmicos do agronegócio está "despencando", segundo reportagem do jornal Valor Econômico de 21 de março.
 
Essa forte diminuição tem ocorrido principalmente nos cultivos de soja, milho e algodão, que são responsáveis por quase metade do valor estimado de geração de renda pela produção agrícola brasileira. "Essas culturas passaram a ser dominadas por empresas como Monsanto, DuPont, Syngenta, Bayer CropScience e Dow AgroSciences", explicou o Valor.
 
Ação limitada
 
Um consultor que pediu para não ter seu nome divulgado, em entrevista à reportagem do jornal, disse que a participação no mercado das variedades desenvolvidas pela Embrapa foi reduzida a um terço da que era há cinco anos. O Valor também ouviu um pesquisador graduado da estatal que declarou que em Mato Grosso, maior produtor de grãos do País, a participação da empresa é "praticamente zero".
 
Pesquisa, desenvolvimento e autorização para cada transgênico novo custam em média US$ 135 milhões Desde 2005, diz o Valor, a Comissão Nacional de Biotecnologia (CTNBio) liberou 32 variedades de plantas geneticamente modificadas, sendo 31 delas de soja, algodão e milho. "Deste total, a Embrapa desenvolveu apenas duas: uma variedade de feijão resistente ao vírus do mosaico dourado e uma semente de soja tolerante a herbicidas, em convênio com a Basf. Nenhuma está no mercado", informa o texto.
 
Dados da organização americana pró-biotecnologia ISAAA citados pelo jornal paulista mostram que a pesquisa, o desenvolvimento e a autorização para cada transgênico novo custam em média US$ 135 milhões (cerca de R$ 230 milhões). Segundo o Valor, os transgênicos "mudaram o paradigma da pesquisa biotecnológica", mas "também fizeram disparar os custos associados ao desenvolvimento de novos cultivares".
 
Um projeto de lei que prevê a transformação da Embrapa em uma sociedade de economia mista ganhou novo impulso em fevereiro com o voto favorável do relator da proposta na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Mas há uma grande resistência na cúpula da estatal para a modificação, sob o risco de ameaçar os interesses e a soberania alimentar do País.
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