Powered by Inovação Unicamp
Home Contato
CADASTRE-SE AQUI
Receba em seu e-mail as
novas reportagens sobre
o programa Pipe/Fapesp.
Nome:
e-mail:
Cidade:
Publicado em 11 de fevereiro de 2007






Versis Tecnologia

Sistema patenteado de testes eletrônicos mostra eficiência; agora,
empresa busca investimento para crescer e comercializar o produto

Evanildo da Silveira

O ano de 2007 vai ficar na história da Versis Tecnologia: faltou pouco para as vendas do produto que levou à formação da empresa aumentarem dez vezes em relação a 2006. É só fazer as contas: o faturamento com o Smart, o sistema para testes de circuitos eletrônicos desenvolvido pela empresa, passou de R$ 25 mil para R$ 233 mil — um crescimento de 932%. Aumentou também a importância do produto para a vida da empresa: em 2006, os R$ 25 mil representavam quase 15% do faturamento total, de R$ 170 mil; em 2007, do total de R$ 400 mil, a receita com o Smart chegou perto dos 60%. "Pretendemos manter o crescimento nos próximos anos", informa o sócio-fundador da Versis, Gilberto Antonio Possa. A empresa, fundada em 2003, está incubada na Companhia de Desenvolvimento do Pólo de Alta Tecnologia de Campinas (Ciatec), no interior de São Paulo.

Os números, até aqui, justificam a confiança revelada nas palavras do experimentado engenheiro elétrico Possa — que, em 1982, se graduou no Instituto Nacional de Tecnologia, o famoso Inatel de Santa Rita do Sapucaí, Minas Gerais. Em busca de aumentar os recursos disponíveis para a fase de implementação do produto no mercado, o engenheiro dono da Versis aproveitou o fato de já ser cliente do PIPE e apresentou seu projeto para comercialização do Smart no edital conjunto lançado pela Fapesp e pela empresa Imprimatur, de capital de risco. O PIPE é o programa que apóia projetos de pesquisa apresentados por pequenas empresas à agência que financia atividades científicas e tecnológicas no Estado de São Paulo. A Versis chegou à reta final da seleção — esteve entre as 20 empresas chamadas para entrevistas em novembro de 2007 —, mas ainda não sabe se receberá ou não os recursos que pediu, pois o resultado ainda não foi divulgado. Consiga ou não os recursos adicionais — que podem chegar até à injeção de capital de risco pela Imprimatur —, os planos não mudam: "A meta é que as vendas do Smart cheguem a R$ 400 mil em 2008 e, em 2011, a R$ 3,3 milhões", avisa o engenheiro.

Uma história na eletrônica brasileira e no PIPE

A Versis nasceu do sucesso do projeto de pesquisa "Sistema Automático Reconfigurável de Teste de Módulos Eletrônicos", apresentado por Possa ao PIPE. Em 1999, o engenheiro (que iniciou um mestrado na Unicamp, mas não o concluiu) teve a idéia de desenvolver um equipamento capaz de testar placas eletrônicas instaladas em diferentes dispositivos. A Fapesp aprovou um financiamento inicial de R$ 50 mil para o estudo de viabilidade; no ano seguinte, destinou ao projeto mais R$ 278 mil — para conclusão em 2003.

A empresa que recebeu os financiamentos foi a Qualibrás Eletrônica, fundada por Possa especialmente para atuar no reparo de placas eletrônicas das centrais telefônicas Trópico. Essas centrais, do tipo CPA (Central de Programa Armazenado), eram de tecnologia nacional; serviram à telefonia fixa pública e chegaram a atender um terço da demanda do setor no País — resultado de sua qualidade e de uma reserva de mercado. Foram desenvolvidas no Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Telebrás, antes da privatização das telecomunicações (o CPqD se tornou uma fundação e continua funcionando, em Campinas), em conjunto, principalmente, com as empresas Elebra (absorvida pela Alcatel) e Promon.

Da experiência com o reparo das placas Trópico, nasceu a idéia do sistema Smart. O objetivo inicial era dominar uma tecnologia de testes para desenvolver novos serviços de reparo. "Para isso, concebemos uma solução inédita: uma plataforma de testes flexível, que pudesse ser programada para diferentes funções de testes aplicadas a diferentes tipos e modelos de placas", explica o engenheiro. Os trabalhos de pesquisa e desenvolvimento foram tão bem que, em 2002, dois protótipos já haviam sido construídos, usando o financiamento do PIPE. Com eles, o engenheiro e sua equipe fizeram vários testes em linha de produção e em reparos nas placas que fazem a interface entre o assinante e a central. Um único equipamento aplicava testes a oito modelos diferentes de placas terminais; e substituiu vários outros. Entre eles, um de alto custo, que utilizava instrumentos importados. Os resultados foram altamente promissores. "O tempo gasto para realizar os testes diminuiu 85%, caindo de 20 para três minutos", conta Possa. Esses protótipos ainda estão em uso — o que, para ele, comprova a eficiência da tecnologia da empresa.

Diante desse sucesso, em 2003 a equipe do projeto decidiu sair da Qualibrás e abrir a Versis, para se concentrar no desenvolvimento do Smart. "Apresentamos um plano à Ciatec com a cara e a coragem", lembra Possa. "Com dinheiro do próprio bolso e trazendo equipamentos e a tecnologia que desenvolvemos na Qualibrás, nos instalamos na incubadora em fevereiro de 2004." A partir de então, apesar das dificuldades, os negócios começaram a se firmar. Em 2005, o equipamento chegou ao mercado; em dois anos, dez unidades foram vendidas e estão em operação.

O que é, afinal, o Smart

Na versão mais recente do Smart, os módulos eletrônicos que o compõem estão abrigados numa caixa metálica de 56 centímetros de comprimento por 26 de largura e 22 de altura, com alguns conectores dispostos no painel dianteiro, que ligam o equipamento às placas que se quer testar. Feita a conexão, o software simula o funcionamento do aparelho ou sistema que a placa vai equipar e comandar.

Como uma cadeira de dentista, por exemplo: o Smart envia comandos para a placa como se eles fossem enviados por quem usa a cadeira. Se na cadeira há um botão para reclinar, o aparelho envia um comando à placa e verifica se aquele circuito está funcionando. E assim para todos os comandos e seus correspondentes circuitos. "Ele é recomendado para linhas de montagem de produtos eletrônicos onde convivem muitos modelos de placas com baixos volumes de produção", diz Possa. "O Smart substitui com grande vantagem os testadores dedicados, isto é, aqueles feitos especificamente para testar um só modelo de placa", completa.

Outra vantagem do Smart, sempre segundo seu criador, é que ele contribui para a diminuição do estoque dos testadores dedicados na indústria de montagem de placas, otimizando a utilização do espaço da produção. "Além disso, diminui o erro humano, pois em muitas fases do teste ele dispensa a ação de operadores, geralmente necessária nos testadores dedicados para ler displays, mudar chaves e outras operações", diz. Para ele, outra vantagem de seu produto está no tempo curto necessário para reconfigurar o equipamento. Além disso, lembra, o suporte é todo feito no Brasil.

Pilotos

A Fapesp não foi a única apoiadora da Versis e do sistema Smart. Para chegar até aqui, a empresa contou também com bolsas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), de dois anos, no valor total de R$ 120 mil, obtidas no âmbito do Programa de Recursos Humanos para Atividades Estratégicas em Apoio à Inovação Tecnológica (RHAE). A contratação dos engenheiros bolsistas permitiu melhorias tecnológicas. "Produzimos uma versão comercial do Smart, com um novo hardware e linguagem de programação mais simples e de fácil compreensão", explica Possa.

Para aperfeiçoar o produto, a Versis usa a estratégia de implementar 'pilotos'. Um deles está na indústria Cadservice, de Campinas, que monta placas de circuitos eletrônicos. O Smart também foi utilizado para testar uma placa controladora de um ventilador pulmonar (equipamento usado em UTI hospitalar) produzido pela Intermed, o que permitiu resolver falhas de produção. Além disso, foi testada uma placa de controle de motores de elevador Semikron, e o cliente foi treinado para programar o testador com sua equipe interna.

A Conduvox, empresa de São Paulo especializada principalmente em centrais telefônicas para condomínios, também usou o Smart, entre 2005 e 2006, para testes em três modelos de placas de ramais telefônicos. "O teste se revelou bem completo, garantindo a funcionalidade das placas", disse Vladimir Eidi Mori, diretor técnico da empresa, a PIPE — Pequenas que Inovam. "Sem ele, as placas teriam de ser testadas manualmente; e não poderíamos executar todos os testes que o Smart executa: teríamos de construir testadores específicos. Não há nenhum equipamento como esse no mercado. O Smart tem agilidade e confiabilidade nos testes das placas."

Para garantir a exploração do Smart e o seu futuro, a empresa deu entrada, em 2007, num pedido de patente no Brasil sobre a tecnologia e as bibliotecas de macrocomandos de testes. O engenheiro Possa explica que um comando é uma instrução de programação de computador. Um macrocomando reúne vários comandos, ou seja, varias instruções pré-programadas. "Além do produto já pronto, vamos patentear suas evoluções e alterações", diz. "No futuro, nossa intenção é comercializar o uso da tecnologia do Smart e da biblioteca de macrocomandos", planeja. "Por isso, pedimos também apoio ao BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social]", conta. Ele se refere ao fundo Criatec, criado pelo banco para apoiar empresas nascentes. "Se nossos pedidos forem aprovados, a empresa poderá dar um salto."

 

 

© 2006-2007 - Inovação Unicamp - PIPE/Fapesp | All rights reserved