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Publicado em 5 de Novembro de 2007






Arcadis Hidro Ambiente
Metodologia de avaliação de risco ambiental, desenvolvida com
PIPE, dá competitividade à empresa, que atraiu capital externo

Evanildo da Silveira

O geólogo Nelson Ellert teve a idéia de fundar uma empresa da área ambiental em 1984, durante um curso de um mês na Universidade de Waterloo, no Canadá. Ela só se tornou realidade, no entanto, oito anos depois, em 1992, quando surgiu a Hidro Ambiente Projetos e Consultoria. Embora tenha participado da fundação da empresa, Ellert não integrou sua primeira diretoria, porque na época era professor da Universidade de São Paulo (USP) em regime de dedicação integral. Isso só veio a ocorrer em 1995, quando ele se aposentou. Hoje a empresa tem 150 funcionários, 51 dos quais de nível superior, e fatura cerca de R$ 12,5 milhões por ano. Um salto de 42 vezes em relação aos R$ 300 mil que faturou em 1997.

Instalada em um prédio de mil metros quadrados na Granja Viana, no município de Cotia, às margens da Rodovia Raposo Tavares, a empresa praticamente nasceu do nada. "Salvo alguns trabalhos de consultoria que havíamos realizado no âmbito de auditoria ambiental para lastrear processos de aquisições de empresas", conta Ellert. "Além de alguns docentes da USP, houve a participação na fundação da Hidro Ambiente de pessoas oriundas de uma empresa ligada à área de perfuração de poços e estudos de abastecimento de água. Para gerente da Hidro foi escolhido um geólogo que recém havia terminado o seu mestrado, André Marcelino Rebouças."

Já no início, os idealizadores da empresa decidiram que o nicho a ser explorado não deveria ser o de abastecimento de água, mas a área de meio ambiente. De lá para cá, novos sócios apareceram e outros saíram para formar novas empresas. Em 2000, a Hidro Ambiente estava saneada sob o ponto de vista administrativo e financeiro e tinha somente dois sócios. Foi quando a Arcadis, uma empresa holandesa, interessou-se por ela. No ano seguinte, a Hidro deixou de ser de capital 100% nacional e passou a se chamar Arcadis Hidro Ambiente.

A importância do PIPE

O que atraiu a Arcadis? A competência adquirida graças ao PIPE — o programa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) que apóia as pequenas inovadoras. Em 1997, a antiga Hidro Ambiente quis desenvolver uma tecnologia para avaliar riscos ambientais de lugares com solo e águas subterrâneas contaminados. Pediu e obteve financiamento para o projeto "Desenvolvimento de Tecnologia para Avaliação de Riscos Ambientais de Locais com Solos e Águas Subterrâneas Contaminadas". A empresa recebeu do PIPE R$ 45,2 mil na Fase I e R$ 150,75 mil mais US$ 29,75 mil na Fase II.

O dinheiro foi usado para estudar a viabilidade técnica do projeto, além de financiar a organização e realização de um seminário internacional sobre avaliação de risco e estratégias de remediação de áreas contaminadas; um curso de avaliação de risco; e o desenvolvimento do projeto "Diagnóstico Ambiental e Aplicação do Conceito de Avaliação de Risco em Área de Sedimentos da Bacia do Paraná", em Santa Gertrudes (SP).

Segundo Ellert, o PIPE foi um marco e deu condições para a empresa desenvolver projetos de pesquisa e aplicação de tecnologia de avaliação de risco à saúde humana, trazendo técnicos do exterior, principalmente da Holanda, para divulgar e colocar em prática no Brasil o conceito, a metodologia e as técnicas de avaliação de risco e remediação de áreas contaminadas. "O PIPE ajudou a colocar a Hidro Ambiente em condições de competir no mercado nacional com a oferta de um produto diferenciado." explica Ellert.

Além disso, o programa da Fapesp permitiu o desenvolvimento técnico da empresa e sua penetração no mercado nacional, que foram identificados por grupos estrangeiros a ponto de ser proposta uma associação com a Arcadis. "Com o PIPE, a antiga Hidro Ambiente teve condições de se preparar para fazer parte de uma organização internacional do porte da Arcadis, com a competitividade necessária para desenvolver projetos na Argentina, no Uruguai, na Colômbia, no Equador, e gerenciar projetos desenvolvidos na Inglaterra e na própria Holanda", explica Ellert.

Auditorias ambientais

A empresa permaneceu em seu ramo. Especializada em engenharia ambiental e hidrogeologia, a atual Arcadis Hidro Ambiente realiza auditorias ambientais, investigação confirmatória de contaminação do solo ou da água, detalhamento e remediação de danos ao meio ambiente. Ellert explica que as auditorias são muito comuns nos processos de fusão e mudanças de donos de empresas. "Os novos proprietários querem saber como está a saúde ambiental da empresa", diz. "Nosso trabalho é verificar isso. Vamos lá e examinamos vários itens, como a forma de dispor os resíduos e até se há sujeira no chão e a documentação exigida pela legislação ambiental."

Se essa auditoria encontrar algum problema, o trabalho passa para uma segunda fase, a da investigação sobre a qualidade do solo e da água subterrânea. Os técnicos da Arcadis verificam se há indícios de contaminação, como a cor e o cheiro da água ou do solo. Se for insuficiente essa avaliação preliminar, amostras são colhidas e enviadas ao laboratório para análise. "Comprovada a contaminação, inicia-se a fase seguinte, que é o detalhamento e a verificação da extensão da contaminação", explica Ellert.

Feito esse diagnóstico, a Arcadis Hidro Ambiente pode ainda realizar a remediação da área por meio da remoção da parte do solo contaminada. No caso da água, ela pode ser tratada. Todo esse trabalho serve, em grande parte dos casos, para lastrear processos de descomissionamento, isto é, quando há mudança no uso de uma determinada área. Isso ocorre, por exemplo, quando uma indústria se muda e o terreno que ela ocupava é usado para um projeto imobiliário, ou seja, construção de casas ou prédios para moradia.

Parcerias com outras empresas

Nesse trabalho, às vezes a Arcadis Hidro Ambiente atua em parceria com outras empresas. É o caso da Trench Rossi e Watanabe Advogados, que se encarrega das questões jurídicas das auditorias ambientais e dos processos de descomissionamento. As empresas trabalham juntas e têm clientes comuns há mais de dez anos.

Com o espírito de solidariedade de empresa parceira, Bianca Antacli, advogada do Grupo de Meio Ambiente, Consumidor e Responsabilidade Social do escritório, garante que a Arcadis Hidro Ambiente é uma das mais renomadas empresas de consultoria ambiental. "Ela é conhecida pelo trabalho e pelos profissionais que a compõem", elogia.

Outros clientes confirmam essa afirmação. É o caso da Ford, por exemplo. O supervisor de engenharia ambiental da montadora, Edmir Mesz, também conhece a Arcadis Hidro Ambiente e a considera uma referência no mercado, no Brasil e no exterior. "A Ford dos Estados Unidos também é cliente da Arcadis Hidro Ambiente e a empresa faz parte de nossos fornecedores globais", conta. "Ela nos presta serviço na área de avaliação das condições naturais de propriedades; e em processos de remoção ou licenciamento ambiental de tanques subterrâneos de combustíveis e de instalações industriais junto aos órgãos de fiscalização do governo", explica.

A Ford não é a única grande empresa cliente da Arcadis. Usam ou já usaram os seus serviços companhias de grande porte como General Motors, Alcoa Alumínio, Aracruz Celulose, Dow Química, Gerdau, Rhodia, Philips, Pepsi e Petrobras.

Paradoxal

Apesar do sucesso, Ellert diz não saber precisar o mercado em que a Arcadis Hidro Ambiente atua nem a porcentagem dele que detém. O que é certo é que a empresa disputa os mesmos clientes de pelo menos dez outras empresas, que fazem parte da Associação Brasileira das Empresas de Diagnóstico e Remediação de Solos e Águas Subterrâneas (Aesas). É um mercado em expansão, porque cada vez mais indústrias percebem a necessidade e a importância da proteção ambiental. "Não apenas como forma de evitar o alto custo de problemas futuros, mas também pelo retorno altamente benéfico e pela boa imagem da empresa junto aos diversos setores da comunidade", explica Ellert. "É nesse contexto que a Arcadis Hidro Ambiente atua", finaliza.

 

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