Kom Montagens e Comércio Ltda.
Empresa criadora
da manta óptica para tratar icterícia
busca parceiros para comercializar seus outros
produtos
A Kom Lux Fibras
Ópticas (nome fantasia da Kom Montagens
e Comércio Ltda.) já nasceu com
os dias contados: seus dois fundadores pretendiam
fechá-la logo que terminassem de executar
um determinado trabalho. No entanto, quando
chegou a hora de encerrar o negócio,
eles perceberam que precisariam gastar muito
mais do que haviam gasto para abri-lo. Um dos
sócios, então, resolveu vender
sua parte para o pai do outro. Passados mais
de vinte anos, a empresa continua funcionando
em Campinas (SP), emprega 32 pessoas e tem três
projetos financiados pelo PIPE no currículo.
Quem a dirige até hoje é o analista
de sistemas Cícero Lívio Omegna
de Souza Filho — o sócio que encarou
o desafio de tocar o barco para frente.
Quando fundou
a Kom Lux, em 1986, Cícero ainda cursava
a graduação na Pontifícia
Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas).
Conhecimento sobre fibras ópticas, contudo,
não lhe faltava: ele já havia
trabalhado como pesquisador de nível
técnico na Unicamp, dentro do projeto
com a Telebrás para desenvolver as comunicações
ópticas no Brasil, e também na
ABC Xtal, empresa para a qual a tecnologia
nacional de fibras fora transferida.
Em 1995, três
ou quatro anos depois de a Kom Lux ter começado
a fabricar fibras ópticas, um amigo convidou
Cícero para viajar aos Estados Unidos.
"Estava cansado de tentar fazer as coisas
no Brasil e nada dar certo", lembra. Os
dois conheceram o escritório norte-americano
de patentes e visitaram algumas companhias.
Numa dessas visitas, o empresário recebeu
uma proposta para transferir sua fábrica
de fibras para lá com todas as despesas
pagas. Na época com quatro filhos (hoje
são cinco), ele voltou ao Brasil pensando
em como convencer a esposa a sair do País.
Na mesma semana,
os professores Hugo Fragnito, da Unicamp, e
Pedro Mangabeira e Aníbal Arraes, da
Escola Paulista de Medicina, procuraram Cícero
com a idéia de desenvolver um endoscópio
no Brasil. Ele ficou interessado, mas não
tinha dinheiro para bancar o projeto. "Não
havia financiamento direto para a empresa; a
Fapesp foi pioneira nisso", recorda. Para
conseguir os recursos necessários, a
Kom Lux entrou com as universidades no Programa
de Apoio ao Desenvolvimento Científico
e Tecnológico (PADCT) e solicitou algumas
bolsas do Programa de Recursos Humanos para
Atividades Estratégicas (RHAE), ambos
do governo federal. Com isso, Cícero
viu sua "empresinha se transformar num
pedacinho de um centro de pesquisa" e esqueceu
a proposta dos norte-americanos.
Em 1997, ano
em que surgiu o PIPE, outros dois professores
bateram à porta da Kom Lux: Fernando
Facchini e Said Jorge Calil, do Centro de Atenção
Integral à Saúde da Mulher (Caism)
da Unicamp. Eles queriam que a empresa desenvolvesse
um equipamento fototerápico para combater
a icterícia em recém-nascidos.
Como o projeto do endoscópio estava terminando,
Cícero aceitou o convite e foi buscar
financiamento junto ao novo programa da Fapesp.
O trabalho resultou numa manta de fibras ópticas
entrelaçadas que deixam vazar a luz,
para a qual foi feito pedido de patente em 2001.
Em seguida, vieram mais dois PIPEs: no primeiro,
a Kom Lux acoplou uma câmera ao endoscópio
rígido que já havia desenvolvido;
no segundo, criou um endoscópio flexível.
Juntos, o projeto
do PADCT e os três do PIPE ajudaram Cícero
a formar uma equipe e ampliar suas relações
com as universidades. "Eu estava desanimado,
querendo ir embora daqui, e esses apoios acabaram
me motivando", conta. O problema que ele
vê no programa da Fapesp é a falta
de financiamento para o que seria a Fase III
— ou seja, para levar o produto desenvolvido
nas duas primeiras fases até o mercado.
A fundação paulista custeou essa
etapa uma vez, em 2004, e abriu nova
chamada apenas em junho de 2007.
"A terceira fase é quando o produto
realmente nasce. Ela tem tanta importância
quanto a primeira", diz.
A estratégia
que ele encontrou para aumentar as chances de
comercialização dos produtos da
Kom Lux foi inscrever a empresa em entidades
de classe e investir no "networking"
com companhias maiores. Agindo assim, conseguiu
atrair o interesse da Olidef, de Ribeirão
Preto (SP), para a manta de fibras ópticas.
Hoje, são parceiras: a empresa campineira
cuida da parte científica, faz os testes
e fabrica a manta com a marca da Olidef; esta
se responsabilizou pela aprovação
do produto e agora se encarrega de divulgá-lo
e distribuí-lo.
Cícero
está negociando uma parceria similar
com outra empresa, cujo nome não revela,
para que os dois endoscópios desenvolvidos
com recursos do PIPE possam passar pelo caro
processo de aprovação e chegar
à área médica — por
enquanto, a Kom Lux só tem como vender
os equipamentos para uso industrial. "Essa
para mim é a terceira fase", afirma.
"Sou atirado nesse sentido, estou conseguindo
fazer a empresa andar, mas não dá
para tomar meu caso como base", acrescenta.
Apesar da falta
da Fase III, o empresário diz que o programa
da Fapesp ajudou a Kom Lux a crescer em vários
aspectos. "Quando há pessoas de
alto nível e a empresa dá condições,
é líquido e certo que se coloca
uma sementinha com alto poder de germinação",
diz. Atualmente a empresa possui laboratórios
de eletrônica e óptica, tem seis
funcionários trabalhando na área
de P&D e mantém parcerias de pesquisa
com quatro professores universitários.
Cícero aparece em dez pedidos de patente
feitos ao Instituto Nacional da Propriedade
Industrial (INPI) como inventor, incluindo o
da manta de fibras ópticas, e em 11 como
depositante.