Copol Compostos Poliméricos
Equipamento que reaproveita
plástico e alumínio de embalagem longa vida e
investimento em nanopartícula são base de empresa
Evanildo
da Silveira
Depois de 17
anos como empregado, oito dos quais na iniciativa
privada e nove na universidade, o engenheiro
de materiais Eliezer Gibertoni decidiu dar uma
guinada em sua trajetória profissional
e iniciar uma nova fase como empreendedor. Em
2002, criou a Copol – Compostos Poliméricos,
uma empresa com objetivo de desenvolver novos
materiais e aplicações que viessem
a atender à indústria de transformação
de materiais plásticos. Cinco anos depois,
a Copol tem em seu portfolio um equipamento
que torna possível o reaproveitamento
do polietileno e do alumínio das embalagens
cartonadas (longa vida). Agora trabalha no desenvolvimento
de nanopartículas pigmentantes para colorir
diversos tipos de plástico.
Trata-se do
projeto "Pigmentos alternativos à
base de nanopartículas aplicáveis
a composições poliméricas
de engenharia", financiado pelo Programa
Inovação Tecnológica em
Pequenas Empresas (PIPE), da Fapesp. "A
idéia principal do projeto foi estudar
a viabilidade técnica de produção
de nanopartículas pigmentantes para atender
ao setor da economia de materiais plásticos
(ou poliméricos)", explica Antonio
Carlos Hernandes, responsável pelo Grupo
de Crescimento de Cristais e Materiais Cerâmicos
do Instituto de Física da Universidade
de São Paulo (USP) de São Carlos,
e parceiro da Copol no projeto. "Nossa
meta foi desenvolver metodologia para produzir
granulados com elevada concentração
de agente pigmentante para uso na indústria
como matéria-prima de tingimento dos
plásticos."
Para as indústrias
de plástico, o novo produto é
muito bem-vindo. "Mais do que bem-vindo,
um produto avançado como esse que está
sendo desenvolvido é fundamental para
o setor", diz o presidente da Associação
Brasileira da Indústria do Plástico
(Abiplast), Merheg Cachum. "Não
podemos viver a reboque do mundo desenvolvido.
Precisamos valorizar e aproveitar as novas tecnologias
que são desenvolvidas no Brasil, por
brasileiros." Segundo Cachum, em breve
a nanotecnologia será uma realidade no
setor. "Quem desconhecer os benefícios
da nanotecnologia na indústria do plástico
vai deixar de ganhar dinheiro", diz.
Larga
experiência
Antes de fundar
a Copol, Gibertoni, graduado em 1984 em Engenharia
de Materiais com especialização
em materiais poliméricos pela Universidade
Federal de São Carlos (UFSCar), adquiriu
larga experiência profissional na área
industrial, em empresas como 3M do Brasil e
Indústria e Comércio Cardinali.
"De 1985 a 1993 desempenhei funções
de engenheiro de qualidade, gerente de qualidade,
de produção e de materiais poliméricos,
além de assessor de Diretoria",
conta. "Em 1993 iniciei uma nova fase na
carreira profissional, ingressando no Centro
de Caracterização e Desenvolvimento
de Materiais (CCDM) no Departamento de Engenharia
de Materiais (DEMa) da UFSCar, no gerenciamento
da Área de Polímeros."
Nesse período,
mais especificamente em 1999, ele concluiu o
mestrado em Engenharia de Materiais no DEMa/UFScar.
Depois, trabalhou no CCDM por nove anos, prestando
serviços de consultoria a diversas empresas
no âmbito de processos, produtos e matérias-primas.
"Nessa fase da vida profissional, maturou
a idéia de iniciar a carreira empreendedora
e no final de 2002, início de 2003 criei
a Copol", lembra Gibertoni. "Hoje
a Copol está no seu quinto ano de existência,
tendo superado vários desafios ao longo
desse período, muitos dos quais são
amplamente anunciados nas estatísticas
de entidades de apoio a empreendedores e microempresas."
Gibertoni refere-se
a dados que mostram que grande parte das micro
e pequenas empresas encerram suas atividades
antes de completar o primeiro ano de existência,
pois faltam a elas estabilidade de mercado,
capital de giro e competitividade. Para superar
essas dificuldades, a Copol procurou desenvolver
produtos personalizados aos clientes, criando
uma relação de fornecimento que
viabilizasse a continuidade dos demais projetos
de pesquisa na área tecnológica
e de inovação.
Segundo Gibertoni, a idéia de desenvolver
'produtos personalizados' surgiu da combinação
das suas experiências profissionais nas
esferas industrial e acadêmica, pois a
demanda por materiais alternativos é
crescente nas empresas. "Em resumo, a empresa
precisa manter linhas de produtos que a mantenham
'viva' para poder buscar novos desenvolvimentos
que possam ampliar sua participação
no mercado, inclusive com produtos diferenciados
que possam conferir maior valor agregado",
explica.
Hoje a Copol
produz compostos poliméricos na forma
de granulados (pellets), principalmente
para a indústria de plástico.
São pequenos grãos de formato
cilíndrico com dimensões aproximadas
de cinco milímetros de diâmetro
e de comprimento, usados na fabricação
de partes ou itens completos de produtos das
indústrias eletroeletrônica, de
embalagens, automobilística, da construção
civil, de utensílios domésticos,
entre outras. O produto é uma alternativa
à utilização das resinas
convencionais fornecidas ao mercado pelas indústrias
petroquímicas.
De acordo com
Gibertoni, a principal contribuição
que a Copol procura oferecer aos seus clientes
é o desenvolvimento de compostos alternativos,
baseado na reunião das propriedades de
diferentes tipos de resinas, combinados com
aditivos que possam agregar melhores características
de processabilidade e propriedades finais aos
produtos, com redução dos custos
e aumento de eficiência. "Para tanto,
procuramos manter estreita relação
de parceria com as universidades e parceiros
tecnológicos, de forma a poder aplicar
alternativas na produção dos compostos",
diz.
Segundo
PIPE
O atual financiamento
do PIPE não é o primeiro que a
empresa obtém. Em 2003, a Copol iniciou
seu primeiro projeto PIPE, com o objetivo de
desenvolver um processo alternativo para a utilização
de polietileno/alumínio proveniente de
embalagens cartonadas. "O projeto permitiu
o desenvolvimento de um equipamento desagregador
para eliminação de fibras de celulose
residuais da superfície do polietileno,
adequando-o para a etapa de processamento na
forma de composto polimérico", conta
Gibertoni. "Esse projeto foi desenvolvido
contando com o apoio da infra-estrutura do DEMa
da UFSCar."
A interação
com o Grupo de Pesquisa em Crescimento de Cristais
e Materiais Cerâmicos do Instituto de
Física da USP de São Carlos tornou
possível o segundo projeto PIPE, voltado
para a utilização da nanotecnologia
no campo de composições poliméricas.
O projeto de pigmentos alternativos visa a atender
a uma demanda de aplicações voltadas
para os segmentos de produtos que apresentem
exigências de inércia química
(grau atóxico) e preservação
das propriedades físico-químicas
dos polímeros. "O objetivo é
desenvolver um processo otimizado para a produção
de nanopartículas pigmentantes e aplicá-las
na forma de concentrados de cores, chamados
de masterbatches, em resinas poliméricas",
explica Gibertoni.
Atualmente,
a indústria do plástico utiliza
extensa variedade de pigmentos e corantes, que
são fornecidos na forma de concentrados
de cores. Tanto na etapa de preparação
dos masterbatches como na etapa de
aplicação final, nos processos
de transformação plástica,
existem diversos problemas oriundos da falta
de dispersão das partículas de
pigmentos, ocasionando a formação
de aglomerados e pontos não dispersos,
que provocam falhas nos produtos obtidos, afetando
propriedades físico-químicas dos
polímeros a que foram incorporados. A
utilização de nanopartículas
pigmentantes como alternativa aos sistemas de
cores em materiais poliméricos visa a
eliminar esses problemas de dispersão
existentes com os pigmentos e corantes convencionais,
bem como desenvolver novas composições
de cores, podendo ampliar o seu uso em embalagens,
brinquedos e outros produtos.
Sem
poluição
O pesquisador
Antonio Carlos Hernandes explica que nanopartículas
pigmentantes são partículas que
têm de 20 a 80 nanômetros de diâmetro
(um nanômetro é a bilionésima
parte do metro) e composição química
à base de óxidos, como, por exemplo,
de titânio, de elevada estabilidade química.
"As principais inovações
do projeto são o desenvolvimento das
nanopartículas pigmentantes à
base de compostos óxidos inertes ao meio
ambiente, quer dizer, não poluentes,
e a incorporação aos polímeros
de engenharia (formação de nanocompostos)",
diz. "O processo habitual de coloração
de grande parte dessas peças é
feito com materiais tóxicos à
base de chumbo e cádmio. Com o uso de
nanopartículas na elaboração
do pigmento, trabalha-se com material inorgânico,
o que resulta em aumento da estabilidade do
material plástico sem apresentar elementos
tóxicos para a indústria desses
produtos."
Os polímeros
ou plásticos de engenharia (usados para
fazer as mais variadas peças) não
são pintados como se pinta uma parede,
com pincel, brocha ou rolo. Ao invés
disso, as nanopartículas pigmentantes
são adicionadas ao plástico fundido
que se quer colorir. "Os primeiros resultados
foram muito positivos", diz Hernandes.
Conseguimos obter diferentes tons de cores,
o que é altamente significativo para
a criação de novos designs
de produtos. Além disso, a coloração
é realizada por um processo mais simples
e mais limpo do que o convencional."
A Fase I do
projeto já está concluída.
A empresa recebeu R$ 95 mil, tendo investido
igual valor de recursos próprios em infra-estrutura
e equipamentos complementares. Os recursos do
PIPE foram aplicados na aquisição
de matérias-primas e no desenvolvimento
e compra de equipamentos para a preparação
das bases pigmentantes e o seu processamento
em escala de protótipo em nível
industrial. Agora, na segunda etapa do projeto,
o objetivo é levar o produto a uma escala
semi-industrial. Deve ser desenvolvido um plano
de negócios para viabilizar essa produção
maior.
Segundo Gibertoni,
a empresa já solicitou financiamento
para o PIPE Fase II. "Nesta segunda etapa,
pedimos recursos da ordem de R$ 400 mil, que
serão aplicados na produção
de nanopartículas em escala ampliada,
de tal forma a permitir a obtenção
de concentrados delas em diferentes veículos
poliméricos e diferentes teores de concentração",
explica. "Esta etapa visa à consolidação
do sistema de produção de nanopartículas
pigmentantes em larga escala e ao processamento
de masterbatches."
Apoio
fundamental
O apoio do PIPE
foi fundamental para a consolidação
e crescimento da empresa. "Os projetos
de financiamento desse programa permitiram à
Copol efetivamente incorporar a tecnologia e
a geração de conhecimento aplicado
ao desenvolvimento de produtos inovadores que
permitem oferecer um diferencial ao mercado",
diz Gibertoni. "Com ampla experiência
na área de materiais poliméricos
e processos de transformação,
os profissionais ligados à Copol podem
auxiliar os clientes nos projetos de desenvolvimentos
e melhorias de processos em todas as fases do
ciclo de fabricação dos produtos.
Esse diferencial, aliado às parcerias
com universidades e toda infra-estrutura dos
institutos de pesquisa, permite ampliar o leque
de atuação no desenvolvimento
de produtos com maior valor agregado dos mercados
de alto nível de exigência em especificações
e garantia de qualidade."
Por isso, Gibertoni
garante que a empresa está preparada
para atender ao grande e exigente mercado da
indústria de transformação
plástica, voltada a buscar inovações
em processos e novos materiais para aumentar
sua competitividade no mundo globalizado. No
Brasil, as cerca de 8,5 mil empresas do setor,
a maioria de pequeno e médio porte, estão
distribuídas por todo o território
nacional. Juntas, elas empregam mais de 250
mil funcionários. Em 2005, o setor de
transformação plástica
consumiu mais de 4,2 milhões de toneladas
de resinas poliméricas, sendo que quase
a totalidade dos produtos apresenta alguma coloração
obtida por meio da introdução
dos sistemas pigmentantes.
Quanto aos concentrados
de cores, especificamente, a estimativa é
de em torno de 200 produtores fabriquem de 7,5
mil a 9 mil toneladas e faturem o equivalente
a US$ 15 milhões por mês. As pesquisas
de mercado indicam que o volume de consumo de
masterbatches é da ordem de
8 mil toneladas por mês, sendo 40% deles
brancos, 30% coloridos, 20% pretos e 10% aditivos.
Dentre os diversos segmentos de produtos, o
setor de embalagens é o que acumula o
maior volume de negócios com 42% de participação,
reunindo produtos que vão desde frascos
para produtos de limpeza, com menor valor agregado,
até as embalagens de cosméticos,
com diferencial de acabamento e mais valorizadas.