Publicado em 13 de outubro 2006





Aronis Engenharia e Sistemas
Empresa que criou o Dentalis já testa novo aplicativo de acesso
a prontuário odontológico via Internet; lançamento é em 2007

Davi Molinari

A partir do ano que vem, dentistas, planos odontológicos e agentes de saúde pública poderão contar com uma ferramenta nova: um aplicativo que permite acompanhar, monitorar e gerir o tratamento dos pacientes de qualquer lugar onde existir acesso à rede mundial de computadores. No Brasil, onde 97% da população tem pelo menos uma cárie, o software proposto pelo engenheiro civil Sérgio Aronis ganha importância especial. Ao cadastrar as informações dos clientes, os dentistas contribuem com a formação de um banco de dados que permite o acompanhamento estatístico das intervenções odontológicas, por região, tipo e número de casos. "O Ministério da Saúde ou a Agência Nacional de Saúde podem, a partir dessas informações, traçar políticas de prevenção", afirma Aronis.

O projeto alvissareiro é fruto do conhecimento acumulado em 15 anos de trabalho da Aronis Engenharia e Sistemas que, nos últimos dez anos, especializou-se em produzir aplicativos para o mercado odontológico. Apesar da possível utilidade para o setor público, as características do novo aplicativo também atendem a necessidades do setor privado. Este, Aronis conhece bem: o carro-chefe da empresa é o software Dentalis Classic, patenteado em 1989, que já está na sua 16ª versão e foi criado para auxiliar a gestão financeira e clínica do consultório, desde o cadastro do paciente com seu odontograma (ficha com a dentição) e imagens de raio X ou fotos até o gerenciamento de contas a receber, compras, cálculo de custos e agenda de atendimento dos pacientes. Com oito mil cópias instaladas, o programa é líder dos cinco concorrentes que atuam neste segmento com 34% do market share.

A experiência adquirida com o Dentalis Classic credenciou Aronis a propor à Fapesp em 2001 o desenvolvimento dessa plataforma tecnológica, que padroniza o processo de gerenciamento à distância de clínicas e convênios odontológicos.

Versão Beta

Do seu escritório incrustado em uma pequena vila entre os arranha-céus do bairro Itaim Bibi, em São Paulo, Aronis comanda os dez funcionários da empresa, três com nível superior e sete com nível técnico. À frente do monitor, ele conecta o seu computador a uma versão beta (não definitiva) do aplicativo, hospedada em um servidor comercial. Enquanto acessa a Internet, Sérgio Aronis conta a história do desenvolvimento do projeto, que envolveu o trabalho de doze pessoas, consumiu R$ 340 mil financiados pela Fapesp e demorou um ano e oito meses para alcançar a versão piloto. "No início, planejávamos desenvolver o código-fonte do programa em conjunto com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), mas o preço proposto pelo instituto estava acima dos recursos disponíveis", afirma Aronis — que buscou então a assistência de uma empresa de tecnologia de informação do mercado, cujo nome não quer revelar. Mas o IPT manteve uma participação indireta no projeto, como explica Valdirene Alves dos Santos, mestre em diagnóstico bucal do Gabinete Odontológico do instituto: "Participamos da fase de elaboração do protocolo sobre os dados a ser coletados e armazenados; e faremos o teste da versão final", disse ela à reportagem.

A versão beta do software lembra o site de um banco. Depois de entrar com nome e senha, Aronis mostra as possibilidades do seu aplicativo — que ainda não foi registrado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), mas será. A principal vantagem é que a ferramenta roda nos navegadores convencionais, como o Internet Explorer. As entradas podem ser por região, nome do consultório ou cliente. Alguns cliques com o mouse e pronto: lá esta o prontuário digital do cliente, com fotografias, raios X, odontograma e histórico de procedimentos.

Desde setembro o software está sendo testado por 130 clientes da empresa de Aronis. O acesso remoto a esse banco de dados é útil para as grandes clínicas preservarem seus dados em outras máquinas, além dos computadores da clínica, por medo de furto ou defeito. É o caso de Marcos Roberto Soares, uma das "cobaias" do novo aplicativo. "Para proteger meus dados, todos os dias faço cópias de segurança (back ups) das fichas dos clientes num HD portátil. Esse programa na Internet me dá mais segurança, pois os dados não estão fisicamente na clínica", afirma, ao enumerar as vantagens do software. Prontuário armazenado em computador já não é novidade para Marcos. Desde 1992 ele não guarda prontuários de clientes em papel: tudo é digitalizado e armazenado nos computadores da clínica. O novo do aplicativo desenvolvido no projeto PIPE é poder acessar os prontuários de qualquer lugar. "É possível discutir com um colega, mesmo que ele esteja em outro Estado, qual é o melhor procedimento odontológico a adotar para um paciente, já que podemos ter acesso às radiografias que estão no banco de dados do programa", explica.

A versão beta recebeu a aprovação do veterano dentista. Marcos Roberto tem uma única preocupação: como assegurar a integridade, sigilo e privacidade dos dados que formarão o banco? "O risco que temos de haver vazamento de dados ou a invasão de hackers é o mesmo a que estão submetidos todos na Internet e acredito que hoje existam ótimas ferramentas de segurança à disposição no mercado", afirma Aronis.

Gerenciamento de custos

Assim que o aplicativo estiver pronto para ser comercializado, no inicio de 2007, Aronis pretende atacar dois clientes-alvo: os grandes consultórios com mais de uma sede — que necessitam estar integrados via Web — e os planos odontológicos. Como o software permite cruzar todas as informações armazenadas em seu banco de dados, é possível obter estatísticas sobre os procedimentos mais usados e estimar a quantidade de matéria-prima a ser comprada. Outra função importante é evitar fraudes — já que os planos odontológicos podem usar o sistema para acessar na Internet as radiografias que comprovam a necessidade de cobertura. "Antes de ser usado para a prevenção de doenças bucais pelo Sistema de Saúde, a aplicação Web vai predominar no setor privado, pelas empresas que desejam reduzir seus custos", finaliza Aronis.