Aronis
Engenharia e Sistemas
Empresa que criou o Dentalis
já testa novo aplicativo de acesso
a prontuário odontológico via Internet; lançamento
é em 2007
Davi
Molinari
A partir do ano
que vem, dentistas, planos odontológicos
e agentes de saúde pública poderão
contar com uma ferramenta nova: um aplicativo
que permite acompanhar, monitorar e gerir o tratamento
dos pacientes de qualquer lugar onde existir acesso
à rede mundial de computadores. No Brasil,
onde 97% da população tem pelo menos
uma cárie, o software proposto pelo
engenheiro civil Sérgio Aronis ganha importância
especial. Ao cadastrar as informações
dos clientes, os dentistas contribuem com a formação
de um banco de dados que permite o acompanhamento
estatístico das intervenções
odontológicas, por região, tipo
e número de casos. "O Ministério
da Saúde ou a Agência Nacional de
Saúde podem, a partir dessas informações,
traçar políticas de prevenção",
afirma Aronis.
O projeto alvissareiro
é fruto do conhecimento acumulado em 15
anos de trabalho da Aronis Engenharia e Sistemas
que, nos últimos dez anos, especializou-se
em produzir aplicativos para o mercado odontológico.
Apesar da possível utilidade para o setor
público, as características do novo
aplicativo também atendem a necessidades
do setor privado. Este, Aronis conhece bem: o
carro-chefe da empresa é o software
Dentalis Classic, patenteado em 1989, que já
está na sua 16ª versão e foi
criado para auxiliar a gestão financeira
e clínica do consultório, desde
o cadastro do paciente com seu odontograma (ficha
com a dentição) e imagens de raio
X ou fotos até o gerenciamento de contas
a receber, compras, cálculo de custos e
agenda de atendimento dos pacientes. Com oito
mil cópias instaladas, o programa é
líder dos cinco concorrentes que atuam
neste segmento com 34% do market share.
A experiência
adquirida com o Dentalis Classic credenciou Aronis
a propor à Fapesp em 2001 o desenvolvimento
dessa plataforma tecnológica, que padroniza
o processo de gerenciamento à distância
de clínicas e convênios odontológicos.
Versão
Beta
Do seu escritório incrustado em uma pequena
vila entre os arranha-céus do bairro Itaim
Bibi, em São Paulo, Aronis comanda os dez
funcionários da empresa, três com
nível superior e sete com nível
técnico. À frente do monitor, ele
conecta o seu computador a uma versão beta
(não definitiva) do aplicativo, hospedada
em um servidor comercial. Enquanto acessa a Internet,
Sérgio Aronis conta a história do
desenvolvimento do projeto, que envolveu o trabalho
de doze pessoas, consumiu R$ 340 mil financiados
pela Fapesp e demorou um ano e oito meses para
alcançar a versão piloto. "No
início, planejávamos desenvolver
o código-fonte do programa em conjunto
com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas
(IPT), mas o preço proposto pelo instituto
estava acima dos recursos disponíveis",
afirma Aronis — que buscou então
a assistência de uma empresa de tecnologia
de informação do mercado, cujo nome
não quer revelar. Mas o IPT manteve uma
participação indireta no projeto,
como explica Valdirene Alves dos Santos, mestre
em diagnóstico bucal do Gabinete Odontológico
do instituto: "Participamos da fase de elaboração
do protocolo sobre os dados a ser coletados e
armazenados; e faremos o teste da versão
final", disse ela à reportagem.
A versão beta do software lembra
o site de um banco. Depois de entrar com
nome e senha, Aronis mostra as possibilidades
do seu aplicativo — que ainda não
foi registrado no Instituto Nacional da Propriedade
Industrial (INPI), mas será. A principal
vantagem é que a ferramenta roda nos navegadores
convencionais, como o Internet Explorer. As entradas
podem ser por região, nome do consultório
ou cliente. Alguns cliques com o mouse
e pronto: lá esta o prontuário digital
do cliente, com fotografias, raios X, odontograma
e histórico de procedimentos.
Desde setembro
o software está sendo testado por
130 clientes da empresa de Aronis. O acesso remoto
a esse banco de dados é útil para
as grandes clínicas preservarem seus dados
em outras máquinas, além dos computadores
da clínica, por medo de furto ou defeito.
É o caso de Marcos Roberto Soares, uma
das "cobaias" do novo aplicativo. "Para
proteger meus dados, todos os dias faço
cópias de segurança (back ups)
das fichas dos clientes num HD portátil.
Esse programa na Internet me dá mais segurança,
pois os dados não estão fisicamente
na clínica", afirma, ao enumerar as
vantagens do software. Prontuário
armazenado em computador já não
é novidade para Marcos. Desde 1992 ele
não guarda prontuários de clientes
em papel: tudo é digitalizado e armazenado
nos computadores da clínica. O novo do
aplicativo desenvolvido no projeto PIPE é
poder acessar os prontuários de qualquer
lugar. "É possível discutir
com um colega, mesmo que ele esteja em outro Estado,
qual é o melhor procedimento odontológico
a adotar para um paciente, já que podemos
ter acesso às radiografias que estão
no banco de dados do programa", explica.
A versão
beta recebeu a aprovação do veterano
dentista. Marcos Roberto tem uma única
preocupação: como assegurar a integridade,
sigilo e privacidade dos dados que formarão
o banco? "O risco que temos de haver vazamento
de dados ou a invasão de hackers
é o mesmo a que estão submetidos
todos na Internet e acredito que hoje existam
ótimas ferramentas de segurança
à disposição no mercado",
afirma Aronis.
Gerenciamento
de custos
Assim que o aplicativo
estiver pronto para ser comercializado, no inicio
de 2007, Aronis pretende atacar dois clientes-alvo:
os grandes consultórios com mais de uma
sede — que necessitam estar integrados via
Web — e os planos odontológicos.
Como o software permite cruzar todas as
informações armazenadas em seu banco
de dados, é possível obter estatísticas
sobre os procedimentos mais usados e estimar a
quantidade de matéria-prima a ser comprada.
Outra função importante é
evitar fraudes — já que os planos
odontológicos podem usar o sistema para
acessar na Internet as radiografias que comprovam
a necessidade de cobertura. "Antes de ser
usado para a prevenção de doenças
bucais pelo Sistema de Saúde, a aplicação
Web vai predominar no setor privado, pelas empresas
que desejam reduzir seus custos", finaliza
Aronis.