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Publicado em 1º de agosto 2006 e atualizado e 2 de abril de 2007






Campinas, 2 de Abril de 2007 - A Griaule Biometrics ganhou o primeiro lugar na Fingerprint Verification Competition (FVC) como a melhor tecnologia do mundo para verificação de digitais. A competição é considerada o “Prêmio Nobel na área de biometria”, de acordo com os sócios, Iron Daher e José Alberto Canedo. A notícia chegou à empresa no dia 29 de março de 2007. Os softwares são testados por representantes de quatro universidades — duas americanas, uma italiana e uma espanhola, que avaliam o desempenho das empresas para verificar qual consegue chegar à melhor impressão digital.

A FVC 2006 teve mais de 150 inscritos de vários países e 53 concluíram a fase de testes. Participaram empresas e pessoas físicas. Um dos principais objetivos da competição, que acontece desde o ano de 2000, é observar os recentes avanços da área. Trata-se ainda da maior competição e a mais importante na área de impressão digital do mundo. “É uma competição aberta da indústria de biometria”, explica José Alberto. Em 2003, como contamos na reportagem, a Griaule ficou com a oitava colocação no ranking da FVC, o que a possibilitou galgar sete posições. Segundo Iron, a competição permite que seus desenvolvedores comparem algoritmos.


Griaule Biometrics

Da incubadora ao Vale do Silício: sucesso da Griaule passa por gente qualificada, apoio público de agências e modelo de negócio

Quando cursava engenharia elétrica na Universidade Federal de Goiás (UFG), Iron Calil Daher associou-se a José Alberto Fernandes Canedo — do curso de engenharia da computação — para abrir uma empresa em Goiânia, em 1999. Os dois jovens, conta Daher, queriam fazer "algo que fosse ao mesmo tempo diferente, estimulante e facilmente exportável". Decidiram desenvolver componentes de software para biometria, ou seja, para identificação por meio de impressão digital, face, mãos, íris, voz, assinatura. Os sócios fundaram a Griaule e, para começar, criaram juntos o algoritmo necessário para identificar digitais. Mas, de acordo com Daher, havia um problema para a expansão da empresa: em Goiás, a Griaule estava fora do cluster de tecnologia da informação (TI) — e, portanto, longe das oportunidades de negócio.

A chance de vir para Campinas — um cluster importante de TI — apareceu para os goianos em 2002, com o primeiro edital de chamamento de empresas da então recém criada Incubadora de Empresas de Base Tecnológica da Unicamp (Incamp). Os sócios abriram uma nova Griaule e conquistaram uma das vagas. Na incubadora, conheceram uma peça "fundamental" para o crescimento da empresa, segundo Daher: a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Somando recursos vindos da agência por meio do Programa Inovação Tecnológica em Pequenas Empresas (PIPE) com bolsas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), eles conseguiram comprar equipamentos, pagar consultorias e contratar pessoal para aprimorar o antigo algoritmo. Hoje, o sistema de identificação de impressões digitais da Griaule já está em uso nos Estados de Goiás e Tocantins, e em implantação no Espírito Santo e no Mato Grosso. No exterior, os principais clientes são Estados Unidos e México. Recentemente a Costa Rica comprou a tecnologia da empresa brasileira para emissão de passaportes.

Fora da Incamp desde julho de 2005, a Griaule fatura hoje seis vezes mais que em 2004. Fez carreira rápida na mídia — apareceu em 2006 na revista Veja em uma reportagem de boa repercussão sobre empresas inovadoras. Daher não conta o valor do faturamento da empresa — gostaria que fosse maior. Mas diz que metade dele vem dos produtos desenvolvidos com o apoio das agências de fomento. O casamento entre os recursos da Fapesp e do CNPq deu tão certo que a Griaule vai repetir a dose com seu novo projeto sobre reconhecimento facial: a fundação paulista já aprovou um PIPE fase I para o estudo de viabilidade, e o órgão federal vai conceder novas bolsas. Os bolsistas da Griaule têm participação nos resultados.

Os futuros componentes de software da Griaule para reconhecimento facial precisarão estar de acordo com o padrão da International Civil Aviation Organization (ICAO, ou Organização de Aviação Civil Internacional). Isso não deverá ser um problema para a empresa: a Griaule já acumula oito certificações do Federal Bureau of Investigation (FBI), a polícia federal norte-americana. Além disso, em 2003, sua tecnologia para reconhecimento de impressões digitais foi considerada a oitava melhor do mundo no teste Fingerprint Vendor Technology Evaluation (FpVTE) de grande escala — um bilhão de comparações —, feito pelo National Institute of Standards and Technology (Nist, ou Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia) dos Estados Unidos. A Griaule foi a única empresa do Hemisfério Sul a participar do teste. "Na nossa frente ficaram empresas como NEC e Motorola, mas há algumas grandes que ficaram atrás de nós, como a Raytheon", orgulha-se Daher. "Sem o dinheiro das agências, provavelmente nem teríamos participado." A meta para o próximo teste, a ser realizado este ano na Itália, é ocupar o terceiro lugar entre as melhores.

Para os próximos anos, os sócios querem que a Griaule se torne "um grande player internacional de biometria". Citando dados do International Biometric Group, Daher conta que esse mercado tem crescido mais de 30% ao ano. A participação da Griaule no exterior já é forte: as exportações representam 80% de sua receita. Para crescer, na avaliação dos sócios, é hora de, mais uma vez, procurar o cluster: no final do ano, Daher vai se mudar para San Jose, na Califórnia, onde a empresa abriu uma filial. Segundo ele, é lá, no Vale do Silício, que se concentram os clientes da Griaule: grandes integradoras, que compram componentes de software para montar suas soluções destinadas aos clientes finais — desde governos que precisam fazer o cadastro civil e criminal de seus habitantes até pequenos estabelecimentos que usam impressões digitais para identificar seus fregueses e funcionários. A opção por fornecer para as empresas integradoras é um modelo de negócio: "Quem faz pesquisa e desenvolve tecnologia é tipicamente a indústria, o fabricante — e o fabricante normalmente não vende para o cliente final", explica o empresário.

Na entrevista a seguir, concedida dia 27 de junho a Mônica Teixeira e Rachel Bueno, na sede da Griaule, em Campinas, Daher descreve o negócio, conta a trajetória de sua empresa, detalha os planos para o futuro e garante: as atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D) continuarão sendo feitas no Brasil. Hoje, 16 das 20 pessoas que trabalham na Griaule lidam com P&D, incluindo oito doutores, dois mestres e um mestrando. Com exceção de dois doutores envolvidos no desenvolvimento de um leitor de impressões digitais, um deles químico e o outro físico, os profissionais da equipe de P&D são todos ligados à área de computação — e apenas um deles não veio da Unicamp. Aqui no Brasil, enfatiza Daher, a Griaule encontra cérebros tão bons como lá fora, tem um forte vínculo com a universidade — onde pode recrutar seus profissionais — e, enquanto for pequena empresa, conta com os financiamentos da Fapesp.


Por que a Griaule não vende seus softwares para o consumidor final?
Isso envolveria a criação de uma camada comercial muito mais forte. Nosso forte é pesquisa e desenvolvimento de tecnologia. Desenvolvemos componentes de software para empresas que integram os componentes em um produto. Dessa forma, só precisamos encontrar integradores. Vendemos para o mundo todo sem sair daqui — os integradores é que atendem o consumidor final e batem de porta em porta; precisam ir até eles para implantar os sistemas e resolver os problemas.

Quais são os principais produtos da Griaule?
Nossos dois grandes mercados são o corporativo e o de segurança pública. Para o mercado corporativo, temos o Desktop Login, que substitui a senha pela impressão digital para fazer login em computadores; o Desktop Identity, para pontos de venda e controle de ponto; e o Rex 3, equipamento que abre a porta para pessoas cadastradas. Para clientes governamentais temos o Afis, que faz reconhecimento de impressão digital em ambiente de grande escala — ou seja, em que existem milhões de registros.

O que difere os produtos para o mercado corporativo dos que se destinam a clientes governamentais?
Num sistema de segurança pública, a preocupação primária é encontrar a impressão digital — e, às vezes, o que se tem é um fragmento, uma impressão de cena de crime, o que torna a localização mais difícil. Isso nunca aconteceria num sistema corporativo, no qual a preocupação primária é a rapidez. Outra diferença é o tamanho do banco de dados. Qualquer Estado brasileiro tem milhões de impressões digitais — o número de habitantes multiplicado por dez, pois são dez impressões por pessoa. Por causa disso, desenvolvemos o Speed cluster, que é uma tecnologia para processar o banco de dados em paralelo — e aí temos um conjunto de dezenas de computadores que aceleram a pesquisa. A solução corporativa fica tipicamente na casa dos milhares de impressões — de funcionários, de visitantes.

Quais são as aplicações dos sistemas voltados para segurança pública?
Identificação civil e criminal, digitalização do acervo, emissão de documentos, controle de fronteiras e presídios e controle de previdência. As primeiras 20 mil urnas com leitores de impressão digital foram entregues ao TSE [Tribunal Superior Eleitoral] este ano pela Procomp, com tecnologia da Griaule. Na próxima eleição, as urnas já terão os leitores, mas eles ainda não estarão funcionando, pois os eleitores não foram cadastrados. O TSE vai cadastrar todo mundo para evitar fraudes: hoje, uma pessoa pode tirar vários títulos de eleitor falsos e votar dez vezes.

Por que os senhores vieram para Campinas?
Ganhamos o edital de incubação da Unicamp e isso nos trouxe para cá. Em tecnologia, e em praticamente qualquer ramo da atividade econômica, é preciso estar no cluster. Para o agronegócio, os Estados de Goiás e Mato Grosso são um cluster importante. Já para a computação, o cluster é o Estado de São Paulo: Campinas, São Paulo, São José dos Campos e São Carlos. Quem está fora tem sua competitividade bastante prejudicada. Se tivéssemos ficado em Goiás, não teríamos tido o progresso que tivemos. A incubação foi fundamental para nós.

Por quê?
O mais importante foi o fato de estarmos dentro de uma universidade de primeira linha — em computação, a Unicamp é praticamente a melhor do País —, em contato com alunos e professores também de primeira linha. O ambiente de idéias era muito bom na Incamp. Na área de tecnologia da informação, para competir globalmente é preciso ter os melhores cérebros. Também é preciso ter dinheiro. Em São Paulo, existe a Fapesp. Não há outro Estado com uma fundação de pesquisa tão atuante — em alguns, sequer há fundação de pesquisa.

Quando os senhores se candidataram à Incamp, tinham em vista a Fapesp?
Não, nosso principal objetivo era estar no cluster. Só viemos a conhecer a Fapesp quando chegamos aqui, e ela foi fundamental para o nosso desenvolvimento. Em 2003, tivemos um projeto aprovado diretamente para a fase II do PIPE, para o qual pedimos um ano de prorrogação, e que já encerramos. Recentemente, a Fapesp aprovou outro PIPE para um projeto de reconhecimento facial — mas é fase I, quer dizer, estudo de viabilidade, por não termos ainda um produto. Temos mais um projeto para a primeira fase, cujo objetivo é desenvolver um leitor de impressões digitais nacional — todos os leitores são importados. Estamos aguardando o julgamento. Esse projeto foi negado da primeira vez que o apresentamos. Do CNPq temos três Bolsas RHAE, cujo valor total fica em torno de R$ 114 mil. Elas têm duração de dois anos e vão até dezembro. Da Finep [Financiadora de Estudos e Projetos] recebemos R$ 250 mil para um projeto aprovado em um edital de 2003 do CT-Info [Fundo Setorial para Tecnologia da Informação]. O projeto foi executado em 2004 e 2005, em parceria com a Unicamp.

O financiamento do PIPE foi o primeiro dinheiro que a Griaule recebeu?
Recebemos quase simultaneamente os financiamentos do PIPE e da Finep, para objetivos diferentes. O objetivo do PIPE de 2003, para o qual recebemos cerca de R$ 250 mil, era melhorar a qualidade do reconhecimento do nosso algoritmo e aperfeiçoar o conjunto de computadores que processam uma atividade em paralelo que tínhamos. O projeto previa a instalação de um piloto na Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. Não conseguimos fazer isso, e o piloto foi para o Mato Grosso. O Mato Grosso é um cliente importante porque digitalizou corretamente as suas mais de um milhão de fichas. Será o nosso maior piloto.

Que importância o primeiro financiamento do PIPE teve para a Griaule?
A empresa não poderia ter feito sozinha o mesmo investimento — ainda mais durante dois anos, porque o retorno demora a aparecer. O PIPE e o RHAE complementaram-se perfeitamente: o primeiro foi para comprar equipamentos e pagar serviços de consultoria e o segundo para contratar bolsistas. Inicialmente não pedi bolsas no PIPE, mas depois acabei pedindo. O resultado foi muito bom, tanto que vamos repetir o esquema com o projeto de reconhecimento facial, aprovado na Fapesp e também no CNPq, para as bolsas.

O pesquisador que recebe bolsa não é funcionário da empresa. Como a Griaule lida com isso?
Estamos implementando agora uma política de participação nos resultados. Para nós, a bolsa é só uma forma de viabilizarmos o trabalho do pesquisador. Ele não deixa de ser uma pessoa que participa ativamente da empresa. Até estagiário participa — bolsista, então, é fundamental. Não queremos que ninguém vá embora quando terminar a bolsa — se for o caso, bancamos o pesquisador aqui. O conhecimento que ele tem é muito importante, levou muito tempo para ser adquirido. Nunca tivemos turnover de bolsista, até hoje ninguém saiu.

O que mostra que a Griaule é um sucesso?
Nossas exportações, que representam 80% da nossa receita. Elas provam que somos competitivos globalmente. Nossos principais clientes são os Estados Unidos e o México. Tivemos um pico de vendas para a Costa Rica, que comprou nossa tecnologia para emissão de passaportes por meio da empresa integradora Oberthur, que é francesa e faz passaporte para 80 países. Em 2003, nossa tecnologia foi classificada como a oitava melhor do mundo no teste Fingerprint Vendor Technology Evaluation (FpVTE) de grande escala — um bilhão de comparações de impressões digitais —, feito pelo Nist [National Institute of Standards and Technology, ou Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia, dos Estados Unidos]. A Griaule foi o único participante do Hemisfério Sul. Na nossa frente ficaram empresas como NEC e Motorola, mas há algumas grandes que ficaram atrás de nós, como a Raytheon. Sem o dinheiro das agências, provavelmente nem teríamos participado. Em outubro vamos participar de outro teste, na Itália, que se chama FVC 2006 [Fingerprint Verification Competition]. Pelos progressos que tivemos devido ao PIPE e ao RHAE, acreditamos que ficaremos entre os três primeiros.

Qual é o faturamento da Griaule?
Nosso faturamento é bastante razoável, mas é baixo perto do que os meus clientes esperam — não são R$ 100 milhões por ano. Quando saímos da incubadora, já tínhamos um produto funcionando e o faturamento era bem pequenininho. Posso dizer que de 2004 para 2005 o faturamento triplicou, e depois dobrou de 2005 para 2006.

Quanto desse salto no faturamento se deve ao PIPE?
O PIPE e o RHAE nos ajudaram a desenvolver um produto bem melhor. Melhoramos a qualidade de um produto que já tínhamos, e isso implicou aumento de vendas. Hoje, praticamente 50% do nosso faturamento vem dos produtos que desenvolvemos com o PIPE e as bolsas RHAE. Sem esses financiamentos, se a própria empresa tivesse aportado todos os recursos necessários para a pesquisa, teríamos nos descuidado da parte comercial e a Griaule não existiria mais. O produto já vinha sendo desenvolvido, mas sem os recursos da Fapesp e do CNPq não teríamos chegado aos resultados a que chegamos.

A Griaule tem certificações internacionais?
Temos oito certificações WSQ [Wavelet Scalar Quantization] do FBI e uma certificação da Microsoft para o nosso conjunto de computadores que processam uma atividade em paralelo: Certified for Windows 2003 Server — ou seja, ele roda bem no Windows 2003 da Microsoft. Aqui, a Griaule é a empresa brasileira líder em tecnologias biométricas e a única que possui tecnologias próprias. No ano passado ganhamos o terceiro lugar do Prêmio Finep de Inovação Tecnológica na Região Sudeste.

O que a Griaule perdeu quando se graduou na incubadora?
A incubadora oferece alguns serviços que acabam fazendo falta, e um deles são as consultorias — fora da incubadora, as consultorias com pessoas boas são muito caras. Fora isso, não perdemos o acesso aos recursos financeiros das agências de fomento e nem o vínculo com a Unicamp, que continua forte e é a coisa mais importante.

Qual a política da Griaule para propriedade intelectual?
Fazemos registro de software e queremos começar a fazer patentes — a Inova [Agência de Inovação da Unicamp] poderia nos ajudar com as patentes. Temos cinco softwares registrados, todos bastante grandes e complexos.

Os doutores que trabalham na Griaule publicam papers?
Não, porque não têm tempo, mas queremos que eles publiquem. Os papers são importantes para o relacionamento com a universidade e para a obtenção de fomento. Nenhum paper vai expor os segredos do nosso negócio. Ao contrário, eles dão uma idéia geral do que fazemos, e isso traz credibilidade para o nosso pesquisador e para a empresa. Nossos concorrentes internacionais, que têm uma estrutura maior, publicam papers e fazem patentes na área de tecnologia da informação.

Qual é a meta da Griaule?
Ser um grande player internacional de biometria nos próximos anos. Ao contrário dos nossos concorrentes, que são mais atuantes em áreas específicas, devemos aumentar nossa linha de produtos para cobrir outras biometrias — começamos com face, a próxima deve ser voz. O fator crítico para isso acontecer é financiamento — capital de risco ou financiamento com dívida. O que move o desenvolvimento da empresa é sem dúvida o capital. Não adianta só ter bons cérebros com boas idéias. É preciso implantá-las, e depois é preciso vender os produtos — vender é mais caro do que desenvolver.

A Griaule vai optar pelo capital de risco ou pelo financiamento com dívida? Se for capital de risco, a empresa vai aceitar ter um investidor aqui dentro?
Vamos buscar capital de risco, aqui no Brasil ou lá fora. Já estamos conversando com um investidor brasileiro; se der certo, ele vai aportar capital e colocará pessoas para trabalhar na empresa. Isso será bom, porque terei pessoas muito bem qualificadas na área de gestão, o que não tenho hoje. Esse pessoal também traz um bom networking, pois eles têm vínculos fortes com grandes empresas.

O fato de estar no Brasil é um limitador para a Griaule?
Do ponto de vista de negócios, sim. Quem faz negócios globalmente nessa área tem de estar na Califórnia, no Vale do Silício — lá é o cluster. Todas as grandes empresas integradoras, ou pelo menos a maioria delas — que são os meus clientes —, estão no Vale do Silício. Por isso, abrimos uma filial em San Jose, para onde irei em dezembro. Do ponto de vista de pesquisa, estar no Brasil não é um limitador, pois temos cérebros tão bons quanto os europeus, americanos ou de qualquer lugar do mundo — e aqui há menos competitividade por eles. Vamos continuar a fazer pesquisa e desenvolvimento aqui. Além de bons cérebros, temos um vínculo com a universidade que não temos lá fora.

A Griaule procurou financiamentos como os do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o reembolsável da Finep?
Recebemos financiamento não reembolsável da Finep no edital que ganhamos do CT-Info, e neste ano vamos participar de outros editais. Não podemos pedir financiamento reembolsável para a Finep porque não temos garantias. O BNDES tem linhas que não exigem garantias, que são as linhas do Prosoft [Programa para o Desenvolvimento da Indústria Nacional de Software e Serviços Correlatos], mas o Prosoft procura empresas um pouco maiores do que a Griaule em faturamento. Isso deixou de ser um problema este ano, mas não estamos considerando o BNDES agora. Se o negócio com o investidor não der certo, ou se ele achar que o BNDES é uma boa opção, voltaremos ao banco. É bom para a empresa ter o carimbo do banco — assim como o PIPE é um carimbo de aprovação da Fapesp.

 

 

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