21/05/2012

Investimento

EUA lançam iniciativa para acelerar inovação em materiais

O programa envolve iniciativa privada, laboratórios nacionais e ministérios

O governo dos Estados Unidos apresentou, em meados de maio, as primeiras ações do programa Iniciativa do Genoma dos Materiais (MGI, na sigla em inglês), que tem por objetivo dobrar a velocidade com que materiais de alta tecnologia são descobertos, desenvolvidos e chegam ao mercado. O programa havia sido apresentado em 2011, mas apenas agora surgiram as primeiras iniciativas concretas.


Entre elas, estão a núncio de que dados sobre sete milhões de moléculas estudadas pelo Projeto Energia Limpa, liderado pela Universidade Harvard e pelo grupo Aspuru-Guzik, serão disponibilizados para o público até o fim do ano. O projeto faz parte do World Community Grid da IBM, uma infraestrutura que permite que internautas de todo o mundo doem tempo ocioso de seus computadores para a realização de cálculos e simulações.

 

Durante a apresentação original do MGI em 2011, o presidente Barack Obama mencionou as décadas que se passaram entre a criação dos chips de silício e das baterias de lítio e a chegada da era dos dispositivos móveis de informática, como tablets e smartphones. “Podemos fazer mais depressa”, disse ele, na ocasião.

Outras iniciativas que fazem parte do MGI incluem a triplicação do tempo destinado a estudo de materiais no supercomputador do Laboratório Nacional de Berkeley e a criação de uma Infraestrutura de Conhecimento de Nanotecnologia, com o objetivo de estimular a criação de modelos, ferramentas de simulação e prever as características de materiais em nanoescala.

Além dos laboratórios nacionais e da Fundação Nacional de Ciência, outros órgãos do governo americano envolvidos incluem o Departamento de Defesa e o Departamento de Energia.

O programa conta com forte participação da iniciativa privada. Entre os esforços destacados no briefing distribuído pela Casa Branca, é citada especificamente a Lockheed Martin, do setor aeroespacial, que vai encabeçar um consórcio privado de pesquisas sobre nanotubos de carbono. Ao todo, mais de 60 instituições, entre entes públicos e privados, estão envolvidos.

O MGI contempla ainda iniciativas de tecnologia aplicada à educação – a companhia Autodesk com prometeu-se a liberar uma biblioteca com as propriedades de mais de 8.000 materiais para uso em salas de aula em cursos de Engenharia.

A dotação do governo federal americano para a iniciativa, em 2012, é de US$ 29 milhões (R$ 59 milhões), sendo US$ 17 milhões, ou pouco mais de 50%, em verbas do Departamento de Defesa. Para 2013, segundo fontes ouvidas pela revista Nature, a previsão é de que o presidente solicite US$ 90 milhões (R$ 190 milhões) para dar continuidade ao projeto.

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