A Rhodia, controlada pela belga Solvay, vai construir no Brasil sua primeira fábrica global de bio n-butanol, em parceria com a americana Cobalt, informa o jornal Valor Econômico. O produto, que será obtido, por meio de biotecnologia, do bagaço da cana-de-açúcar, é amplamente utilizado na indústria química.
No início de junho, a empresa americana de biologia sintética Gevo já havia anunciado a implantação de uma fábrica de butanol nos EUA, adaptando biotecnologia desenvolvida, originalmente, para a geração de biocombustível. Com a volatilidade dos preços dos combustíveis, muitas empresas biotecnológicas passaram a optar pelo mercado da indústria química. Em setembro do ano passado, a americana Amyris, que produz biodiesel no Brasil e que recentemente participou do teste de um biocombustível para aviação feito a partir de cana-de-açúcar, anunciou uma parceria com a Michelin para a produção de isopreno, molécula usada na fabricação de borracha sintética.
O butanol é uma molécula com quatro átomos de carbono, em vez de dois, como o etanol, e pode vir a se revelar um biocombustível menos corrosivo, mais eficiente e mais fácil de misturar à gasolina. Mas, segundo o reresentante da Rhodia, a intenção na produção no Brasil é atender à indústria química. A companhia pretende, no futuro, replicar o conceito de biorrefinarias no mercado latino-americano.
O butanol da Rhodia será usado na produção de solventes, voltados para o segmento de tintas para a indústria automobilística, disse Vincent Kamel, presidente da unidade global de negócios da Rhodia Coatis, ouvido pelo diário econômico.
Segundo Kamel, uma unidade-demonstração deverá começar a sua produção a partir de 2013. A segunda etapa prevê a construção de uma fábrica para a produção em escala industrial. Essa fábrica, que terá capacidade para até 100 mil toneladas do produto por ano, deverá iniciar a produção a partir de 2015.
O Brasil não é autossuficiente na produção de butanol, cuja demanda por ano é estimada em 50 mil toneladas, movimentando quase US$ 100 milhões. O país importa dois terços de sua necessidade anualmente. O butanol é produzido a partir de matérias-primas fósseis. O objetivo da Rhodia e Cobalt é obter o mesmo produto a partir de fontes renováveis.
Também no Brasil, informa o Valor, a Butamax, joint venture entre a DuPont e a petrolífera BP, anunciou a produção de bio i-butanol, com tecnologia diferente da usada pela Rhodia e Cobalt, para a produção de biocombustível.