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Ambientalista volta-se para Nanotecnologia - Reportagem de Geoff Brumfiel,
"A Little Knowledge", publicada na revista Nature,
17 de julho, apresenta o panorama do debate suscitado por grupos de pressão
ambientalistas em relação à nanotecnologia. O texto começa
situando o mais ativo desses grupos, no tema: o Grupo de ação para
Erosão, Tecnologia e Concentração (Action Group for Erosion,
Technology and Concentration - ETC), baseado em Winnipeg, Canadá, e
formado por 8 membros, como observa a revista. Seu líder, Patrick Mooney,
experiente ex-militante da campanha anti-OGMs, pediu em março último
o banimento internacional da pesquisa em nanotecnologia, com base no argumento
de que não se sabe que conseqüências as nanoparticulas podem
ter para a saúde e o ambiente; sua proposta foi divulgada pela mídia
de todo o mundo. Em maio, a ETC afirmou que os cientistas poderão escrever
seqüências de DNA da mesma maneira que hoje escrevem programas, usando
a nanotecnologia; em junho, promoveu seminário no Parlamento Europeu. Enquanto
isso, dentro dos laboratórios, os pesquisadores entendem que não
há razão para receios, e não se engajam no debate. A revista
alerta que foi assim com os organismos geneticamente modificados, uma das causas
de a rejeição à biotecnologia ter crescido ao longo dos últimos
dez anos, alerta a revista. É preciso admitir que há 'questões
genuínas a serem respondidas sobre a segurança das nanopartículas',
escreve o repórter. Também é necessário dar ouvidos
aos medos do público, e contrapor argumentos à fala dos ambientalistas.
Segundo
o relato da revista, esses medos ganharam forma pela primeira vez em 1986, no
livro Engines of Creation. No livro, o futurologista Eric Drexler descreve
um mundo habitado por 'nanorobôs autoreplicantes que escaparam ao controle',
batizados de grey goo, uma ameaça que a revista considera fantasiosa.
Mas há receios fundamentados de maneira mais científica. O Centro
para Nanotecnologia Biológica e Ambiental, da Universidade do Texas em
Rice, por exemplo, montou um experimento de pequena escala para simular a interação
entre buckyballs de 60 átomos de carbono e o solo. Eles descobriram
que, quando as partículas se agrupam, são absorvidas por um material
que imita solo, da mesma maneira que outros compostos de carbono. Mas quando se
mantém isoladas, essas nanoparticulas são recobertas pela água,
ganhando assim uma espécie de escudo que impede sua absorção.
Vermes poderiam então ser penetrados por estas gotículas, pensam
esses pesquisadores, que entrariam na cadeia alimentar humana. Outro experimento
citado, feito por outro grupo de pesquisa, correlaciona lesões nos intestinos
e nos pulmões de camundongos com a inspiração de nanofibras
de carbono. A revista procurou o Premio Nobel Richard Smalley, o pioneiro na produção
de nanotubos em laboratório. Ele conta que, desde o começo dos trabalhos,
a equipe tomou precauções na manipulação do nanomaterial
de carbono. No âmbito do governo dos Estados e do governo britânico,
os gestores da política de C&T já tomam decisões no sentido
de financiar a pesquisa em nanotecnologia e, ao mesmo tempo, na avaliação
de riscos ambientais e para a saúde humana. A idéia, desta vez,
é evitar que 'sentimentos negativos sobre nanotecnologias cresçam
em espiral, sem controle, como aconteceu com a preocupação do público
a respeito de alimentos transgênicos', advoga um especialista ouvido pela
Nature.
Como sinaliza
a própria publicação da reportagem, o debate vem ganhando
corpo, mas ainda impressiona pouco os cientistas - segundo o porta-voz da associação
que reúne 250 empresas de pesquisa em nanotecnologia hoje existentes nos
Estados Unidos. Entre pesquisadores, há quem defenda dar respostas já
aos argumentos dos ambientalistas, admitindo-se que há investigação
a ser feita sobre segurança; outros preferem reunir mais dados sobre essas
preocupações antes de vir a público. A revista esposa o primeiro
raciocínio, e lembra que o mais recente best-seller de Michael Crichton
(autor, por exemplo, de Parque dos Dinossauros), Prey, de 2002,
(Presa, Ed.Rocco, 2003) versa sobre um ataque de nanorobôs ao território
norte-americano, e que quando do próximo lançamento do filme, 'milhões
de pessoas ficarão sabendo alguma coisa sobre nanotecnologia', nas palavras
de David Rejeski, do Woodrow Wilson International Center for Scholars, da capital
norte americana. Apoiada na reportagem, a revista publicou o editorial "Não
acredite na moda (Don't believe the hype)", em que pede aos pesquisadores
da área não exagerar na avaliação do impacto de suas
descobertas.