Retorno
do investimento em pesquisa. Texto da repórter Tânia Marques,
"Círculo Virtuoso", publicado em Pesquisa Fapesp,
edição de julho, apresenta a avaliação feita pelo
físico Vanderley Bagnato sobre os resultados do investimento feito pela
fundação paulista de amparo no Cepof - Centro de Pesquisa em Ótica
e Fotônica -, do qual Vanderley é o atual diretor. O Cepof é
um dos dez Cepids da Fapesp que, ao longo de cinco anos, deve receber US$ 10 milhões.
O pesquisador calculou a contribuição tributária de oito
entre 30 empresas vinculadas ao Centro de Pesquisa em Óptica e Fotônica
(Cepof), que somou R$ 10,5 milhões, entre 2001 e meados de 2002. A contribuição
foi uma variável usada para medir o retorno dos investimentos públicos
em inovação.
O Cepof reúne 220 pesquisadores,
do Instituto de Física da Unicamp (110 pesquisadores), do Instituto de
Física da USP de São Carlos (70 pesquisadores), e do Instituto de
Pesquisas Energéticas e Nucleares. Todos os Cepids têm o objetivo
de transferir para o setor privado o conhecimento produzidos nos centros de pesquisa.
De acordo com a revista, o Cepof tem vínculo com 60 empresas, localizadas
nas regiões de São Carlos e Campinas.
O centro
deveria receber, da Fapesp, cerca de US$ 2 milhões ao ano, por um período
de cinco anos. Em seu primeiro ano, de outubro de 2000 a setembro de 2001, foram
investidos pela fundação US$ 1.624,988 e R$ 991.412. Para o período
de outubro de 2001 a setembro de 2002, estavam previstos os desembolsos de US$
1.451,991 e de R$ 1.233,416, mas parte dos recursos em dólar ainda não
foi repassado. Para outubro de 2002 até setembro de 2003, a Fapesp deverá
investir mais R$ 945.202,00. A irregularidade do repasse dos valores em dólar
se explica por conta da alta da moeda, que fez a Fapesp suspender as importações
em agosto de 2002, liberando apenas algumas em caráter emergencial.
O
Centro é apresentado na reportagem como exemplo de uma cadeia virtuosa,
em que os investimentos públicos em ciência e tecnologia chegam às
empresas inovadoras, proporcionando geração de emprego e renda e
aumentando a arrecadação de impostos. Os integrantes do Cepof registraram
20 patentes entre 2001 e outubro de 2002; cinco delas foram licenciadas e estão
no mercado. Bagnato estimou, ainda, que as empresas ligadas ao Cepof conseguiram
reduzir em aproximadamente US$ 1 milhão por ano as importações
brasileiras.
Para ilustrar o "círculo virtuoso",
a reportagem destaca alguns casos, como a Opto Eletrônica, que desenvolveu
um instrumento de tecnologia a laser de diodo usado em tratamento de tumores e
de degeneração macular relacionada à idade, doença
que causa a cegueira em idosos. O equipamento por ela fabricado custa US$ 10 mil.
O importado equivalente, US$ 30 mil.
Outra empresa retratada
na matéria de Pesquisa Fapesp é a Komlux, que produz
o Blanket Lux, manta feita com fibras óticas para o tratamento de icterícia
fisiológica, doença que afeta 5% dos recém-nascidos no Brasil.
Enquanto o produto nacional custa R$ 2,9 mil, um importado não sai por
menos de US$ 3,5 mil.
O Cepof estimulou convênios
na área de desenvolvimento tecnológico entre empresas, como foi
o caso da parceria entre Gnatus, MM Optics e pesquisadores do Cepof, que resultou
na patente de duas fibras rígidas de alto desempenho para fotopolimerizadores
com tecnologia LED, luz emitida por diodo, utilizado para endurecer resinas usadas
em Odontologia. O aparelho já é exportado.
Mais
duas empresas parceiras do Cepof são citadas na reportagem: a Padtec, única
produtora de sistema de comunicação com tecnologia WDM, que amplia
a capacidade de transmissão das redes de fibra ótica; e a AsGa,
especializada na fabricação de equipamentos de telecomunicações.