| The
New York Times, 4 de abril de 2007
Suprema Corte diz que
agência federal do ambiente dos EUA tem
poder sobre Estados; por isso, consumo de etanol
poderá crescer
Felicity Barringer
e William Yardley escreveram a reportagem "Bush
Splits With Congress and States on Emissions"
(Bush rompe com Congresso e Estados sobre emissões)
para a edição de 4 de abril do
The New York Times. O
texto apresenta as repercussões de uma
recente decisão da Suprema Corte dos
Estados Unidos: no último dia 2, o mais alto
tribunal do país concluiu que a Agência
de Proteção Ambiental norte-americana
tem sim a autoridade para regular as emissões
dos gases causadores do efeito estufa e, portanto,
não poderia ter se recusado a fazê-lo.
A reação de George W. Bush à
decisão, contam os repórteres, veio no
dia seguinte: o presidente deixou claro que,
no seu entender, as medidas já tomadas pelo
governo federal para conter o aquecimento global
eram suficientes — e não deu sinais
de que encomendaria a regulação
à agência. Por outro lado, eles
relatam que o Congresso e os Estados receberam
bem a notícia, estão "determinados
a agir" e se preparam agora para ser as
"arenas" de um intenso lobby
envolvendo ambientalistas e empresas.
O The New York Times
também preparou mapas para localizar
as iniciativas estaduais relacionadas ao combate
da mudança climática. Os mapas mostram,
por exemplo, que nove Estados, incluindo a Califórnia,
já têm leis para limitar as emissões
de dióxido de carbono dos veículos. Sete Estados
— Havaí, Washington, Montana, Minnesota,
Iowa, Missouri e Luisiana — exigem que
uma determinada porcentagem de etanol seja adicionada
à gasolina, enquanto vários outros oferecem
incentivos para a produção e uso
desse combustível. Além disso, passa
de 20 o número de Estados onde parte da energia
elétrica deve ser gerada a partir de
fontes renováveis.
Em Washington, o Congresso
já começou a se movimentar. O resultado
dessa movimentação poderá ser
uma legislação para dividir a
responsabilidade — e conseqüentemente,
os custos — pelos cortes nas emissões
de gases e pelos benefícios e incentivos que
serão dados a quem cooperar. "Obviamente,
ninguém quer agüentar uma parte
desproporcional do fardo", declarou aos
jornalistas o deputado democrata de Massachusetts
Edward J. Markey, que preside o recém-criado
Comitê Seleto sobre Independência
Energética e Aquecimento Global da Câmara.
"Agora vai ser um jogo de xadrez multidimensional
com o futuro do planeta na balança",
completou. Segundo ele, o foco do lobby
dos grupos ambientais e do setor industrial
será o mesmo: a maneira pela qual a legislação
dividirá os cortes de emissões entre
as indústrias e os créditos recebidos
pelas companhias que conseguirem reduzir sua
poluição.
A reportagem fala primeiramente
sobre o setor elétrico, que, conforme
informou Markey, é responsável por cerca
de 40% das emissões de gases causadores
do efeito estufa nos Estados Unidos. A participação
desse setor é tão alta porque
o carvão é a principal fonte para
a geração de eletricidade em mais
da metade dos Estados norte-americanos. Para
argumentar a seu favor, a indústria do carvão
contará com um lobby bipartidário —
da organização United Mine Workers,
democrata, e da National Mining Association,
pró administração Bush. Apesar
de haver diferenças políticas entre as
entidades, Luke Popovich, da National Mining
Association, garantiu ao jornal que a indústria
está aliada "em favor de uma solução
que preserve o crescimento do carvão
nos Estados Unidos".
O segundo setor mais poluidor
do país é o de transportes, que, também
de acordo com o deputado Markey, contribui com
cerca de 30% das emissões de gases. Os
repórteres contam que a indústria automotiva
foi contrária ao aumento dos padrões
de eficiência dos combustíveis durante
muito tempo, ao passo que a indústria do petróleo
se opunha aos controles das emissões
de dióxido de carbono — ou seja, uma indústria
não apoiava uma medida que, se aprovada,
sabidamente significaria grandes gastos para
a outra. No entanto, observam eles, o aumento
da probabilidade de haver uma ação
por parte do Congresso pôs fim a esse
"pacto informal de não-agressão".
Ao contrário dos legisladores
federais, que estão dando os primeiros
passos na direção de uma legislação
acerca da mudança climática e dos gases
que a provocam, os legisladores estaduais já
apresentaram, segundo a reportagem, pelo menos
300 projetos de lei sobre o assunto em 40 unidades
da federação. Esses números devem
aumentar. Para muitos líderes ambientais, a
decisão da Suprema Corte poderá levar
à aprovação de legislações
sobre a mudança climática em outros Estados.
Terry Tamminen, que foi secretário da Agência
de Proteção Ambiental da Califórnia
e hoje dá consultoria para outros governos estaduais,
tem a mesma opinião. Ele disse aos repórteres
do The New York Times que a decisão
dará a segurança necessária para que
os Estados mais conservadores entrem em ação.
A Califórnia destaca-se no
assunto legislações contra a mudança
climática. O Estado, lembra a reportagem, primeiro
apresentou um projeto de lei para regular as
emissões de dióxido de carbono dos veículos,
em 2002; depois, em 2006, fez uma lei que requer
a redução de 25% das emissões
estaduais até 2020. De acordo com o mapa
publicado junto com o texto, outros 12 Estados
também já estabeleceram metas de redução
de emissões dentro de seu território.
Os Estados do Oeste e do Nordeste formaram alianças
regionais para combater a mudança climática.
Fora dessas regiões, Carolina do Norte
e Illinois estão entre os Estados que
ainda estudam medidas a ser implementadas. No
caso de Illinois, por exemplo, um assessor contou
ao jornal que o governador Rod R. Blagojevich
propôs a redução das emissões
de carbono a 60% dos níveis registrados em 1990
até 2050.
Como cerca de metade dos Estados
ainda obtêm pelo menos 50% de sua energia
elétrica do carvão, a reportagem
afirma que o Congresso terá de lidar com o impacto
desigual que uma legislação nacional
sobre a mudança climática poderá ter
no país. Segundo o entrevistado David Doniger,
advogado do Conselho de Defesa dos Recursos
Naturais, já há com certeza 35 senadores favoráveis
à implementação de um programa
forte. A estratégia para elevar esse
número a 50 ou 60, disse ele, é conquistar
os senadores que vêm de Estados em que
o carvão, os automóveis e a agricultura
são muito importantes. (R.B.)
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