O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) divulgou em 9 de maio o documento
"Special Report on Renewable Energy Sources and Climate Change Mitigation" (SRREN) com as conclusões de mais de 120 especialistas de várias partes do mundo sobre os benefícios do uso de fontes de energia renováveis. O documento é um resumo de 26 páginas sobre políticas públicas, voltado para tomadores de decisão, feito a partir de estudos reunidos em mais de mil páginas do relatório original, que será divulgado em 31 de maio.
Políticas poderiam evitar emissão do equivalente de 220 a 560 gigatoneladas de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera entre 2010 e 2050 A proposta foi avaliar as contribuições científicas, tecnológicas, ambientais, econômicas e sociais de seis fontes de energia renovável para a mitigação das mudanças climáticas. São elas: solar, eólica, hidrelétrica, marítima, geotérmica e biomassa. Os especialistas concluíram que cerca de 80% do suprimento de energia do mundo poderia ter como fonte os renováveis até 2050 com as "corretas políticas públicas".
Essas políticas poderiam evitar a emissão do equivalente de 220 a 560 gigatoneladas de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera entre 2010 e 2050. No melhor dos cenários projetados pelo IPCC, em que cerca de um terço dos gases de efeito estufa (GEE) seria cortado, o uso dessas fontes poderia a ajudar a manter as concentrações de GEE em 450 partes por milhão. Essas medidas somadas, diz o relatório, contribuiriam também para manter a meta de elevação da temperatura do planeta abaixo dos dois graus Celsius.
Relatório completo, com mais de mil páginas, será divulgado em 31 de maio O economista cubano Ramon Pichs, do Centro de Pesquisas da Economia Mundial, de Havana, e um dos autores do estudo, ressaltou, no comunicado enviado à imprensa, a importância dos países em desenvolvimento no estímulo às energias renováveis. "O relatório mostra que não é a disponibilidade do recurso, mas sim as políticas públicas que vão expandir ou restringir o desenvolvimento da energia renovável nas próximas décadas. Os países em desenvolvimento têm um importante interesse nesse futuro; é neles que vive a maior parte do 1,4 bilhão de pessoas sem acesso à eletricidade, além de ser também onde estão algumas das melhores condições para o emprego da energia renovável", afirmou Pichs no comunicado.