13/12/2010

Íntegras

Em estudo, OCDE diz que empresas de nanotecnologia não integram um setor industrial e desaconselha elaboração de política abrangente

Inovação publica nesta edição a íntegra de um relatório da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) que aborda os potenciais impactos econômicos da nanotecnologia e de que maneira as empresas estão empregando essas técnicas, que aliam física, química e biologia, em prol da inovação. O documento "The Impacts of Nanotechnology on Companies: Policy Insights from Case Studies" (Os Impactos da Nanotecnologia nas Empresas: insights de políticas a partir de estudos de caso), publicado em 26 de novembro, foi baseado em revisões de estudos previamente realizados sobre o tema e em 51 estudos de casos de empresas de 17 países (Alemanha, África do Sul, Áustria, Austrália, Bélgica, Canadá, Coreia do Sul, Finlândia, França, Irlanda, Israel, Japão, Polônia, Suécia, Suíça, Reino Unido e Estados Unidos), feitos no período de fevereiro de 2008 a março de 2009.

O relatório concluiu que o setor de nanotecnologia, por envolver uma ampla gama de sub-áreas, campos de aplicação e diferentes abordagens de pesquisa e engenharia, não compartilha características comuns que podem defini-la como uma determinada "indústria". Dessa maneira, a OCDE defende que não seja apropriado criar uma "política nanotecnológica", já que estratégias e instrumentos devem ser pensados para abordar problemas específicos das sub-áreas e campos de aplicação, com suas múltiplas características.

Apesar de o estudo da OCDE relacionar somente empresas que fazem P&D internamente, o documento aponta que a colaboração com universidades e cientistas reconhecidos pela sua excelência na área também são fontes importantes de inovação e conhecimento, principalmente no caso das empresas menores. Companhias de maior porte normalmente tendem a procurar parcerias com um leque mais amplo de instituições, o que inclui institutos públicos de pesquisa. "As grandes empresas relativamente maduras em determinadas sub-áreas da nanotecnologia mostram-se mais concentradas em aplicações determinadas pela demanda do mercado e tendem a colaborar com uma ampla variedade de organizações para alavancar sua P&D interna", destaca a OCDE.

Mesmo ainda sendo necessário estimar os impactos que a crise financeira mundial exercerá na nanotecnologia, a OCDE destaca que o setor deverá continuar entre as prioridades dos países desenvolvidos para ganhar competitividade e influenciar na consolidação de um crescimento econômico de longo prazo. Segundo o documento, o investimento mundial em P&D de nanotecnologia em 2007 foi de US$ 13,5 bilhões, sendo que o setor público contribuiu praticamente com a metade. Para o futuro próximo, a expectativa também é grande: estimativas mais otimistas de consultorias preveem que o valor de mercado global dos produtos que incorporarão nanotecnologias deve ficar entre US$ 1 trilhão e US$ 3,1 trilhões em 2015. Esse prognóstico mais otimista incluiria a geração de cerca de dois milhões de novos empregos em todo o mundo, destaca a OCDE.



"The Impacts of Nanotechnology on Companies:
Policy Insights from Case Studies"


O relatório avalia que, por conta de suas características intrínsecas de empregar novas propriedades de materiais em escala inferior a 100 nanômetros, a nanotecnologia terá "um papel importante no aprimoramento das indústrias tradicionais ao permitir novas funcionalidades e agregar valor a produtos já existentes". A partir da convergência com outras áreas, como a biotecnologia e as tecnologias da informação e comunicação (TIC), ela permitirá também o desenvolvimento de mais inovações radicais e o crescimento de novas empresas e indústrias.

São grandes os desafios para a comercialização dessas tecnologias, de acordo com o documento, dada a necessidade de políticas coordenadas que permitam a condução de investimentos adequados. Além disso, diz o texto, haverá riscos e incertezas para empresas tradicionais que terão suas tecnologias colocadas à prova face às inovações geradas pela nanotecnologia; para a OCDE, essas mudanças também provocarão questionamentos sobre impactos ambientais e na saúde, e preocupações sobre questões éticas, legais e sociais.

Outro importante ponto estudado pela OCDE é a questão do patenteamento de inventos nanotecnológicos, que apresentaram um forte crescimento nos últimos 15 anos. Na avaliação da OCDE, isso se deve aos avanços consequentes de um pequeno número de descobertas ocorridas na década de 1980, mas que exerceram um grande impacto no setor, principalmente na área de instrumentação — entre elas, o microscópio de tunelamento com varredura (STM) e o microscópio de força atômica (AFM). O relatório destaca que a nanotecnologia depende muito mais de equipamentos do que de capital humano, diferentemente da biotecnologia, o que pode favorecer as grandes empresas em detrimento das start-ups, que não dispõem de tantos recursos financeiros, laboratórios de P&D, entre outros. (G.G.)

 

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