O termo inovação é comumente associado a produtos que apresentem tecnologia de ponta, mas é usado também para mostrar que um processo ou uma gestão trazem elementos novos, que colocam o serviço, empresa ou mesmo uma pessoa à frente em seu setor de atuação. Mariana Castro, jornalista com experiência em projetos jornalismo on-line, seguiu a proposta de Matinas Suzuki, editor da Portfolio Penguin, selo editorial da Companhia das Letras, e decidiu pesquisar experiências de empresas que usaram de muita criatividade para gerar novos produtos e serviços ou reinventando alguns deles, e gerando negócios lucrativos, em ambientes mais amenos de trabalho. Para selecionar os projetos, Mariana adotou alguns critérios, entre eles não incluir start-ups de tecnologia e tampouco ONGs e empreendedores sociais. Descobriu, então, um conjunto de boas iniciativas, que podem servir de inspiração para muitos profissionais que querem propor projetos e temem em começar.

A autora trata, no livro Empreendedorismo criativo, da Portfolio Penguin (2014, 196 p.), de experiências de nove empresas, criadas por profissionais muito jovens, mas com alguma experiência no mercado. A maioria deles vêm da área de comunicação, administração de empresas e áreas afins. Quanto à sua missão, as empresas diferem bastante. Outra característica que chama a atenção é a participação de mulheres como empreendedoras. É o caso de Débora Emm, uma das sócias da Inesplorato, uma empresa caracterizada como curadoria do conhecimento. O objetivo da empresa é organizar o conhecimento que encontra em livros, teses e vários produtos culturais e ter um conjunto de informações para oferecer soluções criativas para os clientes. Outra empresa, a Petrestroika, oferece cursos livres, com nomes divertidos e com foco bastante original. Um deles Felicidades, que trata o tema como modelo de negócio; outro Rede, sobre nova estrutura da sociedade; também o Da hora, que propõe a alunos que aprendam a administrar o tempo. Os proprietários da empresa apostam no conteúdo criativo transmitido pela experiência.

Das nove experiências abordadas no livro, uma das mais criativas é a do Catarse, uma plataforma de crowdfunding para projetos criativos, uma sofisticação da velha e conhecida “vaquinha”. O negócio funciona assim: o candidato envia um projeto, que tem que ser criativo, ter começo meio e fim e gerar algum benefício coletivo. A proposta é analisada e, se aprovada, é lançada na plataforma. Há um intenso trabalho de divulgação que é feito pela empresa, e ampliado pelas redes sociais. Vários espetáculos culturais – dança, teatro, música – já se beneficiaram do sistema e o retorno da Catarse é de 13% do que foi arrecadado, caso a proposta seja bem sucedida. Em setembro de 2013 a empresa bateu a marca de 10 milhões de reais arrecadados.

Vários dos projetos abordados por Mariana Castro mostram novas maneiras de tratar a informação, e também o cliente. O ambiente de trabalho também é enfocado pela autora, sugerindo que esses novos empreendedores têm conseguido aliar o sucesso, o lucro, com uma liberdade para trabalhar com novos conceitos de qualidade de vida.

O livro traz informações padronizadas de todas as empresas – além das já citadas há ainda a Mandalah, a Webcitizen, a Flag, a Cria e a Box 1824 – apresentando a identificação das empresas, o perfil dos fundadores, como cada uma se tornou realidade, os modelos de negócios e perspectivas e de onde veio a inspiração.

Uma curiosidade destacada pela autora é que, em sua pesquisa, descobriu que muitos dos entrevistados se conheciam, alguns, inclusive desenvolvem trabalhos conjuntos. Essa característica tem sido identificada em outras propostas de projetos de novos empreendedores, como aquelas em que os profissionais dividem casas, cada um com o seu negócio, mas tentam entre eles, buscar soluções completas para clientes. Sempre soluções criativas e apresentadas de maneiras originais.

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Simone Pallone

Simone Pallone é editora executiva da Inovação - Revista de C,T&I. Jornalista, formada pela PUC-Campinas e doutora em Política Científica e Tecnológica, pelo Departamento de Política Científica e Tecnológica do Instituto de Geociências, da Unicamp. Atuou em veículos de comunicação de massa, jornais empresariais e revistas especializadas. Desde 2003 é pesquisadora no Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor), do Núcleo de Desenvolvimento da Criatividade (Nudecri), do qual é coordenadora. É editora da revista ComCiência (Labjor e SBPC) e docente nos curso de Especialização em Jornalismo Científico e Mestrado em Divulgação Científica e Cultural, ambos oferecidos pelo Labjor.