01/06/2012

Programa Espacial

Novo presidente da AEB diz que agência deve exercer papel de liderança

Ministro Marco Antonio Raupp volta a cobrar maior integração entre os agentes do programa

Ao assumir o comando da Agência Espacial Brasileira (AEB) em 23 de maio, o físico José Raimundo Braga Coelho afirmou, em seu discurso de posse, que a instituição deve exercer o “papel de liderança para o qual fora originalmente concebida”.


A declaração se encaixa na visão, já expressada pelo ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Marco Antonio Raupp, de vincular institutos de pesquisa federais e centros de tecnologia às agências e secretarias de suas respectivas áreas temáticas, dentro do ministério. Desde o ano passado que se fala numa possível subordinação do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) à AEB.

 

Raupp, que é ex-presidente da AEB e ex-diretor do Inpe, já havia proposto, antes de ser alçado ao comando do ministério, uma vinculação do Inpe à agência. A ideia foi combatida, na época, pelo então diretor do instituto, Gilberto Câmara.

 

Consultado pela Inovação Unicamp, o ministério não confirmou se uma reorganização do tipo vai, de fato, ocorrer, mas a assessoria chamou a atenção para a fala de Raupp durante a posse de Coelho, na qual o ministro cobrou uma maior articulação entre os órgãos do governo ligados à área espacial, qualificando essa articulação como essencial.


"É preciso criar maior sinergia entre os vários componentes da área: AEB, ITA, DCTA e Inpe", disse, referindo-se também ao Instituto Tecnológico de Aeronáutica e ao Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), ligados à Força Aérea.

 

O novo diretor do Inpe, cuja nomeação foi publicada no Diário Oficial de 14 de maio, é o engenheiro Leonel Fernando Perondi. Nota distribuída pela AEB informa que a primeira reunião entre Perondi e Coelho “realizou-se em clima de grande cordialidade e perfeita sintonia de propósitos e expectativas (...) a união AEB-Inpe vem ampliar a capacidade de ação e a eficácia das duas entidades e fortalecer o sistema como um todo.”


Novas vagas

 

A idade média dos pesquisadores do Inpe é de 50 anos, e a necessidade de renovação no quadro do instituto já havia sido reconhecida até mesmo pelo antecessor de Raupp à frente do ministério, Aloizio Mercadante, durante a festa de 50 anos do Instituto, em 2011. No início do ano, surgiu a expectativa de que um concurso público viesse a iniciar a recomposição de pessoal no instituto.


No fim de abril, o Diário Oficial da União publicou duas portarias assinadas por Raupp, determinando a abertura de concursos públicos para 832 postos, entre ministério e órgãos vinculados, sendo 107 para o Inpe. Dessas vagas, 17 são de pesquisador.

 

Entre as principais metas previstas pelo governo para o período 2012-1015, dentro da área de Ciência e Tecnologia, cabem à AEB o desenvolvimento de veículos lançadores – foguetes – nacionais, e da infraestrutura para a realização de lançamentos ao espaço a partir do território nacional, com o envolvimento da indústria brasileira, incluindo a certificação do foguete Cyclone-4, parte da parceria Brasil-Ucrânia.

 

Já a cargo do Inpe estão o desenvolvimento de tecnologias para o uso a bordo de satélites, no espaço, e a realização de missões espaciais de meteorologia, telecomunicação, pesquisa científica e observação da Terra.

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