A empresa farmacêutica suíça Novatis vai financiar um centro de pesquisa de US$ 20 milhões (cerca de R$ 40 milhões) na Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, para estudar meios de manipular o sistema imunológico humano a fim de combater o câncer.
Segundo nota do serviço de notícias financeiras Bloomberg, a universidade receberá dinheiro imediatamente, e também será recompensada com novos recursos à medida que atingir determinadas metas de caráter científico, clínico, regulatório e comercial.
A parceria se segue à publicação, em agosto de 2011, de pesquisa realizada por cientistas da universidade, sobre o uso de manipulação genética para reforçar células do sistema imunológico extraídas de pacientes de leucemia. As células em seguida foram reinjetadas nos voluntários, e passaram a atacar a doença. Os resultados do estudo original foram apresentados nos periódicos New England Journal of Medicine e Science Translational Medicine.
De acordo com os artigos, dois dos três pacientes envolvidos no estudo-piloto permaneciam em remissão do câncer mais de um ano após o tratamento. A única alternativa convencional de tratamento para esses pacientes teria sido o transplante de medula óssea, diz material divulgado pela universidade.
O líder da pesquisa, Carl June, diz que novos estudos são necessários para garantir a viabilidade de longo prazo da terapia, mas que o trabalho demonstrou que, ao menos nos primeiros meses, as células alteradas são capazes de se reproduzir e de desempenhar o papel de “buscar e destruir” o câncer. Esses resultados, segundo ele, são fruto de mais de vinte anos de trabalho. June disse que o acordo com a Novartis vai fornecer “recursos espaço para expandir nossa pesquisa em novas direções”.
Na época da publicação dos artigos científicos, June havia comparado as células modificadas a “assassinos em série”. “Em média, cada célula infundida levou à morte de milhares de células de tumor. No geral, destruíram pelo menos um quilo de tumor em cada paciente”, declarou.
Pelo acordo, a Novartis obtém uma licença exclusiva mundial para as tecnologias envolvidas no teste clínico da terapia, chamada CAR (sigla em inglês de receptor quimérico de antígeno), bem como de todas as futuras terapias envolvendo a CAR que venham a ser desenvolvidas por meio da parceria.
Ouvido pelo jornal Philadelphia Inquirer, o pesquisador David Strayer, da Universidade Thomas Jefferson, disse que o acordo entre Pensilvânia e Novartis surge num momento em que o financiamento para pesquisa científica torna-se escasso. Ele considerou a parceria “encorajadora”. “Esta pode ser a ponta do iceberg do interesse das companhias farmacêuticas por produtos criados em escolas de Medicina”, disse.
À Bloomberg, June disse ter recebido várias ofertas de empresas de capital de risco interessadas em investir na descoberta, mas que optou pela proposta da Novartis por uma questão de praticidade. “É difícil abrir uma nova companhia, e isso leva tempo para ficar pronto. A rota mais rápida para a ampla disponibilização é usar uma companhia já existente”, disse ele.
Um dos objetivos da parceria, além de validar o tratamento para leucemia, é estender o uso das células modificadas para o combate de outros tipos de câncer.