18/06/2012

Energia

Investimento em renováveis no Brasil cresceu abaixo da média mundial

País registrou aumento de apenas 8% em 2011, totalizando US$ 7 bilhões

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Os investimentos em energias renováveis no Brasil subiram abaixo da média mundial em 2011, crescendo apenas 8%, para um total de US$ 7 bilhões, segundo estudo divulgado pela entidade Renewable Energy Policy Network for the 21st Century (REN21). O documento "Renewables 2012 - Global Status Report", publicado em 11 de junho,  destaca que os investimentos mundiais em fontes renováveis cresceram 17% no ano passado, em relação a 2010, somando um valor recorde de US$ 257 bilhões. Desse volume, 65% foram aportados pelos países desenvolvidos e 35% pelos países em desenvolvimento.
 
De acordo com a REN21, o crescimento do volume mundial de investimentos em 2011 foi inferior ao de 2010 (37%) em razão do "cenário de profunda crise na Europa e em um período de queda nos preços dos equipamentos para energias renováveis". No grupo que reúne as economias desenvolvidas, a alta nos investimentos foi de 21% em 2011, totalizando US$ 168 bilhões, contra um incremento de 11% entre as economias em desenvolvimento, somando US$ 89 bilhões. Os emergentes que mais se destacaram, além do Brasil, foram a China, com aportes de US$ 52 bilhões (alta de 17%), e a Índia, com investimentos de US$ 12 bilhões (alta de 62%). Os dados consideram como energias renováveis as originadas a partir de biomassa, biocombustíveis, geração solar, geotérmica, eólica, maremotriz, das ondas e hidrelétrica. A metodologia do estudo exclui do cálculo os aportes em hidrelétricas com capacidade acima de 50 MW.
 
 
Investimentos mundiais em fontes renováveis cresceram 17%, somando valor recorde de US$ 257 bi Geração de empregos
O relatório coloca o Brasil como o terceiro maior gerador de empregos relacionados à produção de energias renováveis. A vice-liderança mundial do Brasil na produção de etanol — atrás apenas dos Estados Unidos — faz com que o País concentre na produção de biocombustíveis um total de 889 mil postos de trabalho, entre diretos e indiretos, além de outros 14 mil empregos gerados no setor de energia eólica. De acordo com a REN21, o Brasil só perde na geração de empregos nos renováveis para a China (1,6 milhão de vagas, principalmente na energia solar térmica) e União Europeia (1,1 milhão de vagas, distribuídas principalmente entre biomassa, eólica e solar fotovoltaica).
 
A indústria brasileira de etanol, no entanto, sofreu queda de 18% em sua produção em 2011, somando 21 bilhões de litros, contra 25,5 bilhões em 2010, informa o estudo. A razão apontada pelo documento são os investimentos decrescentes em novas usinas e plantações de cana-de-açúcar depois da crise financeira de 2008, em combinação com a quebra da safra por questões climáticas e a alta na cotação mundial do açúcar. Esse declínio levou o Brasil a anunciar novas políticas para estimular a produção, como a redução, em setembro de 2011, do volume de álcool anidro misturado na gasolina, aponta o texto. Neste cenário, os EUA ganharam mais mercado e passaram a vender cerca de um terço de sua produção de etanol para o Brasil. A produção mundial de etanol ficou praticamente estável no ano passado, pela primeira vez desde 2000, totalizando 86,1 bilhões de litros, sendo que os EUA responderam por 63% e o Brasil por 24% desse volume.
 
Relatório aponta Brasil como 3º maior gerador de empregos na área de energias renováveis Mudança de paradigma
O estudo mostra ainda que a energia renovável não é mais considerada como um "nicho de mercado", representando atualmente uma parcela importante no fornecimento total de energia do mundo. Todos os setores de uso final de energia — eletricidade, transporte, aquecimento e refrigeração — tiveram crescimento no ano passado, de acordo com o relatório. "Em 2011, as tecnologias de energia renovável continuaram a expandir para novos mercados: cerca de 50 países instalaram sistemas para geração de energia eólica, e a capacidade solar fotovoltaica estava sendo introduzida rapidamente para novas regiões e países. Neste contexto também, os coletores solares para aquecimento são usados por mais de 200 milhões de residências, bem como em muitos edifícios públicos e comerciais ao redor do mundo", explica o estudo, revelando que as fontes renováveis já fornecem 16,7% do consumo global de energia.
 
Tecnologia mais barata
Um dos principais indicadores que mostram o avanço das novas tecnologias de geração de energia limpa no mercado é a queda nos preços dos equipamentos de produção. De acordo com o relatório, a redução nos preços dos módulos fotovoltaicos foi de cerca de 40% no ano passado, devido à competição acirrada, às inovações tecnológicas e à baixa no preço do silício; já os custos das turbinas eólicas de uso em terra sofreram uma redução de 10%.
 
Emergentes que mais se destacaram em investimentos foram Brasil, China e Índia "Essas variações impulsionaram essas duas tecnologias renováveis para uma maior competitividade com os combustíveis fósseis, como carvão e gás. A geração solar ultrapassou a energia eólica para se tornar a preferência dos investidores globais em 2011. A energia solar atraiu quase o dobro do investimento em energia eólica, conduzindo o setor para mais um ano de quebra de recordes, embora envolvido em desafios existentes na indústria de renováveis." No ano passado, o investimento total em energia solar cresceu 52%, para US$ 147 bilhões.
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