01/06/2012

Saúde

Empresa de teste genético obtém patente de gene ligado ao Parkinson

Uso de dados de clientes e objetivo por trás da patente causam polêmica com a 23andMe

A companhia americana 23andMe, que oferece testes genéticos por US$ 229 (cerca de R$ 500), anunciou ter obtido uma patente com base na descoberta de uma variação genética que, aparentemente, oferece alguma proteção contra o Mal de Parkinson.


O anúncio, feito no blog da empresa, causou polêmica, entre outros motivos, pelo fato de a descoberta ter sido feita a partir de dados de clientes, oferecidos voluntariamente para fins de pesquisa científica – mas não, ao menos de modo explícito, para exploração comercial.

 

A cofundadora da empresa, Anne Wojcicki, reconheceu que o patenteamento pode se mostrar controverso, mas diz que a medida foi necessária para permitir o desenvolvimento de tecnologias – como métodos de diagnóstico e tratamentos – a partir da descoberta.

 

“Descobrir a função de um gene é uma inovação? A questão de se inovações relacionadas á genética podem ser patenteadas está em debate”, escreveu ela, depois de afirmar que “a patente será importante para uma empresa de biotecnologia ou farmacêutica seguir com o desenvolvimento de uma droga” a partir da descoberta.

 

Um comentário publicado na postagem de Wojcicki exemplifica a reação contrária de parte da base de clientes da empresa: “Quando concordamos com os termos de serviço e, depois, quando alguns de nós aceitaram participar da pesquisa, estávamos concordando que a pesquisa fosse usada para patentear genes? Qual o trecho que cobre esse uso de nossos dados?”

 

Outro comentarista compara o uso dos dados genéticos dos clientes à forma como o Facebook usa as informações de seus usuários.

 

Ao se defender das críticas, a companhia afirma que é “contra o uso de patentes para bloquear pesquisas ou o acesso à informação genética”, mas insiste que o patenteamento da variante genética é a melhor forma de “garantir que a descoberta se traduza em novos tratamentos”.

 

“Se nossas pesquisas seguintes forem promissoras, a patente poderá ser crucial para que uma companhia farmacêutica dê o passo seguinte e comece a desenvolver uma droga”, diz uma resposta oficial da empresa aos comentários no blog.

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