A empresa de biologia sintética Gevo, baseada no Estado do Colorado, anunciou a abertura da primeira instalação comercial dedicada a produzir isobutanol a partir de biomassa, informam o News Blog da revista Nature a agência de notícias Reuters.
O butanol é uma molécula com quatro átomos de carbono, em vez de dois, como o etanol, e pode vir a se revelar um biocombustível menos corrosivo, mais eficiente e mais fácil de misturar à gasolina.
A fábrica de isobutanol da Gevo é uma instalação originalmente destinada à produção de etanol, convertida para a nova molécula. A empresa espera chegar a produzir 3,6 milhões de litros ao mês até o fim do ano.
A tecnologia da Gevo é baseada em leveduras geneticamente modificadas para produzir o isobutanol. Os direitos sobre a técnica ainda são disputados entre a companhia e outra empresa, Butamax.
A Gevo não pretende vender seu produto como combustível no momento, mas fornecê-lo como matéria prima para a indústria química. Butanol é usado como base, por exemplo, em tintas.
A Nature nota que essa estratégia, de buscar mercados mais estáveis e de maior valor agregado para seus produtos, em vez de competir diretamente com a indústria do combustível de base petrolífera num mercado volátil, vem sendo adotada por outras empresas de base biotecnológica.
Em setembro do ano passado, a americana Amyris, que produz biodiesel no Brasil e trabalha na criação de um biocombustível para aviação, anunciou uma parceria com a Michelin para a produção de isopreno, molécula usada na fabricação de borracha sintética, e uma redução de sua ênfase na produção de biocombustíveis.
Outra empresa que está adaptando a biotecnologia para a produção de um tipo de butanol é a britânica Green Biologics, que se vale de uma versão modificada da bactéria Clostridia para processar celulose. Segundo a Nature, a companhia pretende comprar e converter fábricas de etanol nos Estados Unidos, e já licenciou sua tecnologia de biobutanol para uma empresa chinesa.