01/06/2012

Mundo

China reforça investimento em energia limpa; nos EUA, biocombustíveis sofrem revés

Senado americano cria novos obstáculos para o investimento público em fontes renováveis

O governo chinês anunciou, na última semana, um investimento de US$ 27 bilhões (R$ 54 bilhões), a ser realizado ao longo deste ano, para reduzir suas emissões de gases causadores do efeito estufa. Embora a China tenha superado os EUA como maior nação emissora de CO2 do mundo em 2010, a chamada intensidade de carbono – toneladas de CO2 geradas em cada ponto do PIB – vem caindo no país, com uma redução acumulada de 15% nos últimos sete anos.

 

Senado dos EUA proibiu as forças armadas de construir uma refinaria de biocombustível e de pagar mais por combustíveis alternativos do que pagaria por derivados de petróleo “O que a China vem fazendo para melhorar a eficiência energética e instalar energia limpa já está dando grandes dividendos para o meio ambiente”, afirmou a economista-chefe da Agência Internacional de Energia (AIE), Faith Birol, citada pelo serviço noticioso Nature News Blog, durante a apresentação do relatório anual de emissões globais de CO2.

 

Enquanto os chineses fazem progressos, no entanto, um comitê do Senado dos Estados Unidos aprovou medida que proíbe as forças armadas de pagar mais, por combustíveis alternativos, do que pagaria por equivalentes derivados de petróleo, e de construir uma refinaria de biocombustível. Senadores conservadores referem-se aos planos do presidente Obama para estimular o uso de fontes alternativas de energia como “um ataque frontal ao desenvolvimento energético tradicional da América”.

 

Na China, a intensidade de carbono – toneladas de CO2 geradas em cada ponto de avanço do PIB – caiu 15% nos últimos sete anos Críticos da proibição disseram que ela sabota o esforço para diversificar as fontes de combustível e tornam o país mais dependente de petróleo importado. O Departamento de Defesa (DoD) dos Estados Unidos é o maior consumidor de combustíveis do mundo, e responde por 2% do consumo dos Estados Unidos, informa a revista Science, por meio de seu serviço ScienceInsider. O impacto de flutuações no preço do petróleo sobre o orçamento do DoD é enorme, e por conta disso o órgão vem investindo em fontes alterrnativas desde os tempos do governo Bush.

 

No Japão, aumento no uso de derivados de petróleo para gerar eletricidade, após o acidente na usina nuclear de Fukushima, causou alta de 2,4% das emissões Do investimento de US$ 1,4 bilhão em melhoria no uso de energia em operações militares previsto para 2013, cerca de 90% será destinado para melhorar a eficiência energética e 10%, em fontes alternativas e renováveis. Em dezembro do ano passado, a Marinha americana destinou US$ 12 milhões (R$ 24 milhões) para a compra de biocombustíveis “drop-in”, que podem ser misturados a combustíveis convencionais e queimam em motores comuns.


Emissões globais

De acordo com o relatório da AIE, em 2011 as emissões globais de CO2 aumentaram em 1 bilhão de toneladas, atingindo um novo recorde, para um total de 31,6 bilhões de toneladas.

 

No cenário traçado pela agência, para que o aquecimento global se mantenha abaixo dos 2º C – tido como o limite para que as consequências mais catastróficas do processo possam ser evitadas – é preciso que as emissões totais se estabilizem em 32,6 milhões de toneladas até 2017. Segundo Faith Birol, os dados mostram que “a porta para a trajetória de 2º C está prestes a se fechar”.

 

Dentro da OCDE – grupo que reúne 31 países desenvolvidos, além de México, Chile e Turquia – as emissões de CO2 caíram 0,6%. Fora do grupo, houve uma elevação de 6,1%. A China ainda é maior emissor, com um crescimento de 720 milhões de toneladas, ou 9,3%, principalmente por causa do consumo de carvão.

 

A Índia superou a Rússia como quarto maior emissor de CO2 do mundo, com uma elevação de 140 milhões de toneladas, ou 8,7%. Os três maiores emissores são, pela ordem, China, EUA e União Europeia. As emissões dos EUA caíram 1,7%, ou 92 milhões de toneladas, principalmente, segundo a AIE, pela substituição do carvão por gás natural na geração de eletricidade.

 

No Japão, aumento no uso de derivados de petróleo para gerar eletricidade, após o acidente na usina nuclear de Fukushima, causou alta de 2,4% das emissões De acordo com o relatório, o desempenho americano também foi influenciado pelo inverno pouco rigoroso, que reduziu a demanda por aquecimento de ambientes, como casas e locais de trabalho. A queda acumulada nas emissões dos EUA, desde 2006, chega a 7,7%, ou 30 milhões de toneladas, a maior de todos os países avaliados. Além da troca do carvão pelo gás, a recessão econômica também teve um papel, reduzindo o consumo de derivados de petróleo no transporte.

 

Já no Japão, o aumento no uso de derivados de petróleo para a geração de eletricidade, após o acidente com a usina nuclera de Fukushima, causou um aumento de emissões de 2,4%, ou 28 milhões de toneladas.

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