23/04/2012

Inovação radical

Antimatéria e congelamento de órgãos recebem primeiras dotações do Breakout Labs

Financiadora de projetos crida por cofundador do PayPal anuncia dotações para projetos visionários

Criado por Peter Thiel, um dos fundadores do serviço de pagamentos online PayPal, o programa Breakout Labs de estímulo à inovação anunciou, na última semana, os beneficiários de suas primeiras dotações, com valor máximo de US$ 350 mil (R$ 642 mil). Elas incluem empresas que buscam um modo de congelar e preservar órgãos para transplante; que desenvolvem meios para produzir a armazenar um tipo de partícula de antimatéria, o pósitron; e uma companhia que promete reprogramar o DNA de células do sistema imunológico.

 

Uma das contempladas, a Arigos Biomedical, estuda formas de preservar órgãos humanos congelados por longos períodos Mantido pela Fundação Thiel, baseada na Califórnia (EUA), o Breakout Labs, em sua página na internet, anuncia que “convidamos empresas de todo o mundo a submeterem pedidos de financiamento para projetos específicos que, se bem-sucedidos, terão impacto profundo e permitirão avanços radicais”. A iniciativa foi lançada em novembro do ano passado.

 

Em meio a suas prioridades, o programa menciona a de “preencher a lacuna de financiamento para a pesquisa inovadora que existe fora do governo, da academia e de uma grande corporação”.

 

Entre as modalidades de pesquisa que o programa espera contemplar, estão estudos que caem fora do escopo do financiamento público; pesquisas sobre novas plataformas tecnológicas, “que enfrentam dificuldades em atrair capital de risco, por causa da aparente falta de foco”; e provas de conceito, pois “várias inovações morrem entre a descoberta básica e o potencial de comercialização”.

 

O Breakout Labs requer que os receptores de suas dotações divulguem os resultados das pesquisas numa publicação de livre acesso, até seis meses após o fim do financiamento.

 

Em nota divulgada junto com o anúncio das dotações, Peter Thiel disse que “no passado, sonhávamos com um futuro radicalmente melhor”, onde seria possível “passar as férias na Lua”. O objetivo do Breakout Labs, segundo ele, é “reacender o sonho de um futuro espantoso”.

 

Os pedidos de financiamento são avaliados pela equipe interna do Breakout Labs, que busca também aconselhamento com consultores externos. O site do projeto oferece um formulário onde qualquer pessoa interessada pode se cadastrar como voluntária para, eventualmente, tomar parte numa avaliação de proposta. Todo o processo de avaliação deve se completar em dez semanas, de acordo com a FAQ do projeto.

 

“Os candidatos devem nos persuadir, e a nossos revisores externos, de seu potencial para abrir terreno novo e da capacidade de trabalhar com eficiência e criatividade”, diz a documentação do programa. “Não pedimos garantias de sucesso, mas nossos candidatos devem ter um mapa para o sucesso. Queremos que o melhor cenário de sucesso seja um passo inicial no caminho para algo grande”.

 

O Breakout Labs aceita propostas de todo o mundo, mas adverte que não trabalha com submissões de projetos internos de universidades, para evitar que parte dos recursos seja dispersada na burocracia interna da instituição e também porque, nesse caso, o cientista/pesquisador pode não ter controle total dos royalties. O programa requer, além da divulgação dos resultados num sistema de livre acesso, uma parcela dos lucros que venham a ser auferidos com o licenciamento da tecnologia desenvolvida.

 

As companhias contempladas na primeira rodada de dotações são a 3Scan, que procura desenvolver uma nova tecnologia de microscopia para produzir imagens 3D de tecido cerebral; a Arigos Biomedical,que estuda formas de preservar órgãos humanos congelados por longos períodos de tempo para transplante; a Immusoft, que pretende reprogramar o DNA das células do sistema imunológico, para melhorar o combate a doenças; a Inspirotec, que desenvolve um sistema portátil capaz de identificar quais as partículas suspensas no ar; Longevity Biotech, que pesquisa a criação de medicamentos baseados em proteínas artificiais; e a Positron Dynamics, que pretende melhorar a produção e o armazenamento de pósitrons. Essas partículas de antimatéria são usadas em diagnósticos por imagem e, se a tecnologia avançar o suficiente, poderão vir a ser uma fonte de energia para sondas espaciais.

 

A diretora-executiva do projeto, Lindy Fishburne, disse que a qualidade e a quantidade das propostas recebidas – cerca de duzentas – sugere que a iniciativa está cumprindo um papel importante ao “apoiar pesquisas em estágio inicial que acontecem fora dos limites das universidades e instituições”.

e-mail: contato@inovacao.unicamp.br
Fone: + 55 19 3521-4876
Fax: + 55 19 3521-4789