Criado por Peter Thiel, um dos fundadores do serviço de pagamentos online PayPal, o programa Breakout Labs de estímulo à inovação anunciou, na última semana, os beneficiários de suas primeiras dotações, com valor máximo de US$ 350 mil (R$ 642 mil). Elas incluem empresas que buscam um modo de congelar e preservar órgãos para transplante; que desenvolvem meios para produzir a armazenar um tipo de partícula de antimatéria, o pósitron; e uma companhia que promete reprogramar o DNA de células do sistema imunológico.
Uma das contempladas, a Arigos Biomedical, estuda formas de preservar órgãos humanos congelados por longos períodos Mantido pela Fundação Thiel, baseada na Califórnia (EUA), o Breakout Labs, em sua página na internet, anuncia que “convidamos empresas de todo o mundo a submeterem pedidos de financiamento para projetos específicos que, se bem-sucedidos, terão impacto profundo e permitirão avanços radicais”. A iniciativa foi lançada em novembro do ano passado.
Em meio a suas prioridades, o programa menciona a de “preencher a lacuna de financiamento para a pesquisa inovadora que existe fora do governo, da academia e de uma grande corporação”.
Entre as modalidades de pesquisa que o programa espera contemplar, estão estudos que caem fora do escopo do financiamento público; pesquisas sobre novas plataformas tecnológicas, “que enfrentam dificuldades em atrair capital de risco, por causa da aparente falta de foco”; e provas de conceito, pois “várias inovações morrem entre a descoberta básica e o potencial de comercialização”.
O Breakout Labs requer que os receptores de suas dotações divulguem os resultados das pesquisas numa publicação de livre acesso, até seis meses após o fim do financiamento.
Em nota divulgada junto com o anúncio das dotações, Peter Thiel disse que “no passado, sonhávamos com um futuro radicalmente melhor”, onde seria possível “passar as férias na Lua”. O objetivo do Breakout Labs, segundo ele, é “reacender o sonho de um futuro espantoso”.
Os pedidos de financiamento são avaliados pela equipe interna do Breakout Labs, que busca também aconselhamento com consultores externos. O site do projeto oferece um formulário onde qualquer pessoa interessada pode se cadastrar como voluntária para, eventualmente, tomar parte numa avaliação de proposta. Todo o processo de avaliação deve se completar em dez semanas, de acordo com a FAQ do projeto.
“Os candidatos devem nos persuadir, e a nossos revisores externos, de seu potencial para abrir terreno novo e da capacidade de trabalhar com eficiência e criatividade”, diz a documentação do programa. “Não pedimos garantias de sucesso, mas nossos candidatos devem ter um mapa para o sucesso. Queremos que o melhor cenário de sucesso seja um passo inicial no caminho para algo grande”.
O Breakout Labs aceita propostas de todo o mundo, mas adverte que não trabalha com submissões de projetos internos de universidades, para evitar que parte dos recursos seja dispersada na burocracia interna da instituição e também porque, nesse caso, o cientista/pesquisador pode não ter controle total dos royalties. O programa requer, além da divulgação dos resultados num sistema de livre acesso, uma parcela dos lucros que venham a ser auferidos com o licenciamento da tecnologia desenvolvida.
As companhias contempladas na primeira rodada de dotações são a 3Scan, que procura desenvolver uma nova tecnologia de microscopia para produzir imagens 3D de tecido cerebral; a Arigos Biomedical,que estuda formas de preservar órgãos humanos congelados por longos períodos de tempo para transplante; a Immusoft, que pretende reprogramar o DNA das células do sistema imunológico, para melhorar o combate a doenças; a Inspirotec, que desenvolve um sistema portátil capaz de identificar quais as partículas suspensas no ar; Longevity Biotech, que pesquisa a criação de medicamentos baseados em proteínas artificiais; e a Positron Dynamics, que pretende melhorar a produção e o armazenamento de pósitrons. Essas partículas de antimatéria são usadas em diagnósticos por imagem e, se a tecnologia avançar o suficiente, poderão vir a ser uma fonte de energia para sondas espaciais.
A diretora-executiva do projeto, Lindy Fishburne, disse que a qualidade e a quantidade das propostas recebidas – cerca de duzentas – sugere que a iniciativa está cumprindo um papel importante ao “apoiar pesquisas em estágio inicial que acontecem fora dos limites das universidades e instituições”.