Nanofármaco tem aplicabilidade ainda na redução de tumores na bexiga e mama

Texto: Carolina Octaviano

Foto: Antonio Scarpinetti

Pesquisadores do Instituto de Biologia (IB) e do Instituto de Química (IQ) da Unicamp desenvolveram um nanofármaco já testado em animais e altamente promissor na redução de tumores. A boa notícia é que, além de apresentar bons resultados no tratamento do câncer na bexiga urinária, a tecnologia pode ser aplicada também em casos de câncer de próstata. O fármaco estimula a produção de proteínas, de células de defesa e de citocinas, favorecendo, desta maneira, a destruição de tumores.

A tecnologia, que está disponível para licenciamento, promoveu a redução da progressão e recidiva tumoral em 60% dos casos analisados. Este número demonstra a eficiência da utilização do nanofármaco quando comparado a outros tipos de tratamento disponíveis no mercado. “Ademais, apresenta toxicidade muito baixa na dose terapêutica, sendo esse fator muito importante na qualidade de vida dos pacientes”, acrescenta o Professor Wagner Fávaro, responsável pelas pesquisas.

O docente ressalta ainda a importância do tecnologia desenvolvida na Unicamp na promoção de uma melhora na qualidade de vida dos pacientes com câncer. “Os nanofármacos atuam de forma eficiente devido à sua grande área superficial e tamanho (nanométrico), permitindo maior penetração nos tumores. Devido à alta efetividade, estes são colocados em contrações menores em relação aos quimioterápicos, eliminando ou minimizando seus efeitos tóxicos”, acrescenta o Professor Nélson Duran, também responsável pelos estudos.

Outros pontos positivos do fármaco são a alta reprodutibilidade, o baixo custo para sua obtenção e a possibilidade de ser utilizada tanto para tratamento em animais, quanto humanos. Embora ainda não realizados, os estudos em humanos devem começar após liberação do Comitê de Ética da universidade.

A tecnologia, que tem a marca registrada OncoTherad, está em fase adiantada de desenvolvimento. Entretanto, para ser comercializada, é necessário que: sejam realizados os testes clínicos em humanos, uma empresa efetue seu licenciamento e ter sua utilização autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “Acreditamos que o processo de maior risco já foi ultrapassado pela equipe dos pesquisadores Unicamp. Além do mais, a tecnologia está protegida, por pedido de patente no Brasil e no exterior, ampliando a possibilidade de exploração do produto em outros mercados pela empresa interessada”, comenta Iara Ferreira, diretora de Parcerias da Inova.

Empresas interessadas no licenciamento da tecnologia devem entrar em contato com o Setor de Parcerias da Agência de Inovação da Unicamp, pelo parcerias@inova.unicamp.br ou pelos telefones (19) 3521-2607 / 3521-5207.

 

Carolina Octaviano

Carolina Octaviano é jornalista formada pela PUC-Campinas, com especialização em Jornalismo Científico pelo Labjor da Unicamp. Atuou como produtora e repórter na VTV-SBT Campinas, redatora do Site Em Campo e repórter na Revista ComCiência e no Jornal Cana. É analista de comunicação da Agência de Inovação Inova Unicamp e colaboradora da Inovação - Revista Eletrônica de P,D&I.